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Entrevista: Necrofobia

Postado 6 de agosto de 2015 às 01:19

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“Única representante do metal no WebFestValda 2015, o Necrofobia recebe premiação e cede uma entrevista ao Hard and Heavy.”

O Necrofobia, de Ribeirão Preto – SP, foi a única banda de metal participante do WebFestValda  2015, ganhou o prêmio destaque “Rádio Cidade”, concorrendo com bandas dos estilos mais diversos, com a música “Guzzardi”.

Foram mais de 800 inscrições recebidas pelo Festival, que aconteceu na Fundição Progresso no Rio de Janeiro, onde o Necrofobia ficou entre as 20 bandas selecionadas para participar. O Festival aconteceu nos dias 23, 24 e 25 de julho, onde nos dias 23 e 24  os 20 selecionados se apresentaram e foram classificadas 11 bandas  para a final no terceiro e último dia.

Confiram a música que os levou ao prêmio pelo Youtube: https://www.youtube.com/watch?v=B5hQZeTL8Ng

 

HARD AND HEAVY: Como e quando surgiu a banda?

Romulo: A banda surgiu em 1994, quando eu (Rômulo), e dois amigos de escola, Cláudio Mussalan e Eduardo Nóbrega, nos juntamos para fazer um som. Eu tinha acabado de ganhar uma guitarra Gianini. No ínicio a gente tentou vários vocalistas, mas nenhum deu certo, então enquanto não achávamos um vocalista, eu cantava, na verdade gritava. A gente fazia covers como Ramones, Nirvana, Alice in Chains, Metalica e Sepultura. As músicas mais pesadas eram as que ficavam mais legais, e acabou naturalmente sendo nossa tendência. O primeiro show da banda foi em um festival chamado FestClim promovido por uma escola de música de Ribeirão. Neste primeiro show, já tocamos uma música do Sepultura e 2 músicas próprias. Em 94 mesmo, gravamos a primeira demo com 3 músicas.

HARD AND HEAVY: Qual o sentimento, analisando o cenário atual, de ter recebido um prêmio com este tempo de banda? Vocês atribuem isso ao acaso ou ao amadurecimento de como conduzir a carreira de vocês pode ter gerado um resultado neste momento?

Romulo:O prêmio que recebemos foi Prêmio Destaque “Rádio Cidade”. Que foi escolhido por um representante da rádio que era jurado e acompanhou todas as bandas no festival. Foi um prêmio significativo pra gente, pois é um sinal de que nós nos destacamos em meio a tantas ótimas bandas. Por ser a única banda de metal do festival, nós já fomos com a idéia errada que seríamos a ovelha negra do festival, que íamos assustar as velhinhas e as crianças. Mas a recepção de todos, do público, das bandas, da organização, foi incrível. Realmente todos ficaram bem surpresos com uma banda barulhenta de metal fazendo um som que toca as pessoas, com uma mensagem sincera no meio de tanta distorção.

O Necrofobia nunca foi uma banda de muita evidência em outras regiões fora do interior do estado de SP e MG. Muita gente conhece a banda ou o uviu falar nela pois estamos há muito tempo na estrada. Este prêmio, acredito que seja, um reconhecimento marcante de nossa trajetória. Pois foi a primeira vez que demos as caras em outro estado e tivemos mais olhares pra cima de nós.

Tocamos em muitos palcos, desde muito pequenos até palcos enormes de festivais, e sempre fomos cada vez ganhando experiência de palco e segurança de sermos nós mesmo tanto no palco quanto nos bastidores, pois as músicas que compomos e tocamos nos nossos shows são muito honestas, estas músicas são o que somos. Acredito que este amadurecimento e honestidade tem nos levado, a passos curtos, sempre pra frente.

HARD AND HEAVY: Porque houve o interesse em se inscrever neste Festival especificamente?

Romulo: Nos anos noventas tínhamos uma cena forte underground no pais onde várias bandas estavam sendo descobertas, muitos zines, jovens movimentando uma cena underground, gravadoras e selos apostando em novas bandas e vários festivais de renome dando oportunidade para bandas saírem das garagens. O FestValda era um dos maiores festivais de bandas independentes da época, e o sonho de todas as bandas daqui de Ribeirão era participar dela. O Necrofobia até se inscreveu algumas vezes mas nunca fomos selecionados. Depois dos anos 90, nunca mais ouvi falar sobre o festival, que fiquei sabendo recentemente que havia feito um hiato de mais de 10 anos. Tomei conhecimento novamente do festival no ano passado quando a banda Chavala Talhada de Ribeirão Preto, banda que eu trabalho de técnico de som em alguns shows, foi selecionada e ganhou o 2º lugar do festival. Eles voltaram maravilhados com o festival, com o tratamento, com o som, com o Rio de Janeiro e etc…. Então este ano resolvemos nos inscrever, já que tínhamos uma boa música em português, a “Guzzardi”. Nos inscrevemos sem pretensão, e fomos escolhidos entre as 20 bandas, em meio a mais de 850 bandas inscritas. Pra nós já um grande feito.

HARD AND HEAVY: Conta um vexame que passou em algum show?

Romulo: Nunca tivemos grandes vexames, alguns que podemos citar foi algumas vezes que tocamos para pouquíssimo publico. Um vez tocamos para o organizador e mais 1 pagante em um festival em Barretos/SP. Em outra ocasião, bangueando cai de joelhos no chão e fudi ele, mas mesmo com dor infernal continuei como nada tivesse acontecido. Outra ocasião, fomos fazer a abertura do show do Endrah aqui em Ribeirão Preto e acabamos bebendo demais, principalmente o André, baterista da banda, e perdemos totalmente a noção de tempo das músicas, eu cantei letra de uma música em outra música, foi uma tragédia, ainda bem que os shows de abertura estavam atrasados e como o Endrah tinha horário em contrato para entrar no palco, fomos obrigados a encurtar nosso set llist e tocamos apenas 4 músicas. Ainda bem.

HARD AND HEAVY: O que foi mais difícil que tiveram que enfrentar com a banda? O que tirou de positivo dessa situação?

Romulo: O mais difícil de uma banda como a nossa é as mudanças de integrantes, pois é um grande esforço para a banda se entrosar novamente e chegar a um nível alto de cumplicidade entre os integrantes. Ainda bem que sempre nos saímos bem neste aspecto pois geralmente as mudanças que fizemos, foram rápidas, e sempre só entrou no Necrofobia gente muito próxima a nós, grandes amigos. Esta é uma dificuldade geral de todos estes anos. Mas a maior dificuldade pro Necrofobia foi a perda do Guzzardi em 2013, que faleceu de uma hora pra outra. Ele era nosso amigo e muito companheiro de toda a turma. Chegamos nesta época a até cogitar a hipótese de dar um tempo no Necrofobia, e, quem sabe, no futuro voltarmos. Mas os amigos próximos, e as pessoas que realmente gostavam do Necrofobia, nos ajudaram a superar e nos deram mais força pra continuar. Nesta época, eu particularmente, tive uma noção mais ampla de que o Necrofobia era uma banda querida e de que de alguma forma ela é muito importante no cenário de bandas indenpentes de Ribeirão e região.

HARD AND HEAVY: Qual foi o show mais marcante?

Romulo: Pra mim, o show mais legal do Necrofobia, foi o que fizemos na Virada Cultural Paulista em São José do Rio Preto/SP em 2009. Foi a primeira vez que tocamos com o Sepultura com a mesma estrutura de palco, pois éramos banda convidada e não somente banda de abertura. E como tocamos antes deles, havia um público imenso de fãs do Sepultura. Inevitavelmente todos estes fãs acabaram conhecendo o Necrofobia, e fomos muito bem aceitos. Foi um troca de energia fantástica. Estávamos tão felizes de fazer parte de tudo aquilo que demos tudo de nós.

HARD AND HEAVY: Qual a música da banda que mais gostam?

Romulo: A música que mais gosto é Black Sheep. Essa música tem um dos riffs mais legais que eu acho do Necrofobia, foi criado pelo nosso ex-guitarrista Alexandre Boetto. A letra, a músicas, a bateria, o caminho que a música segue até o solo, o solo em si, o final e etc., eu acho demais. Ela é uma das músicas que mais funcionam ao vivo também. É uma música cadenciada que tem uma pitada de malícia que envolve quem ouve ela.

 

HARD AND HEAVY: Quantos shows fazem por mês? Como está o cenário que estão inseridos?

Romulo: A média de shows do Necrofobia é de mais ou menos 1 show por mês. As vezes 2 ou 3 mas também tem época que ficamos 2 meses sem shows. Shows de metal geralmente sofrem sempre que vem um estilo novo de rock. No nosso meio, que é o metal tradicional (heavy, thrash, hardcore e etc..) tem épocas com grande procura pra este estilo, e tem épocas que os promotores de eventos dão preferência a novas tendências. Lembro quando surgiu os hardcore melódico (emocore e estas vertentes) todo os shows e festivais davam preferência para estes estilos, e mesmo quando acabou esta época mais popular do hc melódico, ficou bastante tempo até o cenário de thrash ter mais força novamente. Ano passado e começo deste ano foi bem parado pra nós, mas este segundo semestre já está bem legal pra nós com vários shows agendados, e muitos promotores empenhados em fazer um festival muito bom.

 

HARD AND HEAVY: Quem é a inspiração para a banda?

Romulo: Temos várias bandas que nos inspiram, algumas delas: Sepultura, Pantera, Testament, Exodus, Metálica, Black Sabath entre outras.

 

HARD AND HEAVY: As músicas são os próprios integrantes que as compõem? Possuem parceiros?

Romulo: Todas as letras são minhas (Romulo), eu que me encarrego de escrever. No cd novo, tem uma letra em parceria minha com o João, baixista da banda. As músicas geralmente são compostas de algum riff, ou alguma fragmento de música. A maioria das músicas do Necrofobia surgiram inicialmente de riffs e idéias do Alexandre, ex integrante, e minha, mas o precesso de criação sempre passa por todos da bandas que acrescentam coisas e moldam a música para ficar realmente a cara de todos da banda. Antigamente, o Adriano Boetto, irmão do Alexandre, surgia com alguns riffs e mostrava pra ele, e a gente desenvolvia. Os riffs principais da música Shit in Fan que é do cd Dead Soul foi o Adriano que deu pra nós. No cd novo, temos uma música que o próprio Guzzardi fez a maioria dos riffs.

 

HARD AND HEAVY: Já teve alguma loucura de fã pra contar?

Romulo: Loucura, loucura, acho que não, mas teve episódios estranhos que aconteceram. Teve uma vez que tocamos em um festival chamado Zombie Walk, onde as pessoas se fantasiam de zombie e andam pela cidade. Neste show, algum dos zombies levou uma cabeça de porco e colocou bem no meio do palco na minha frente. toquei com aquela cabeça de porco entre os dois monitores o show inteiro, com cheiro (talvez psicológico) de carniça. Bem bizarro. Teve uma vez que um cara queria um autógrafo meu de qualquer jeito, e não tinha caneta e estávamos no meio do publico, ai ele tirou um tubo de pasta de dente da mochila, e me fez dar autógrafo nas costas da jaqueta dele. Foi engraçado mas bizzarro.

HARD AND HEAVY: Qual sonho vocês ainda pretendem realizar em relação a banda? O que estão fazendo para conseguir?

Romulo: Nosso sonho é cada vez tocar mais em grandes festivais e um dia tocar nos gigantes como Rock in Rio, Monster of Rock ou Wacken. É um sonho bem grande e difícil. O que a gente está fazendo é seguir em frente, fazendo músicas, e dando um passo de cada vez, talvez as pessoas achem nossos passos bem pequenos, mas é assim mesmo, pois pra você conseguir atingir seus objetivos, sem passar a perna em ninguém, respeitando as outras bandas que estão caminhando à seu lado, ajudando ao máximo a cena, e subindo degraus totalmente por próprio mérito, o processo é lento e o caminho longo.

 

HARD AND HEAVY: Para os iniciantes, que conselho daria para conseguir um espaço no cenário do Metal atual?

Romulo: Grave um bom material de áudio. Mas grave o que realmente vcs tocam, não façam uma super produção em estúdio sendo que ao vivo vocês não são aquilo que vocês vendem. Tente entrar como banda de abertura em qualquer festival de metal que acontecer, se isso não acontecer, organize com outras bandas que estão começando algum festival pequeno só  para os amigos em alguma chácara, ou casa de alguém, talvez até em algum bar que não abra de domingo, proponha fazer um festival neste dia que o bar fecha, pois assim vocês vão conseguir mais público. Filmem sempre os shows para ter um material visual para mandar para os amigos virtuais.

 

HARD AND HEAVY: Qual a repercussão que este prêmio já gerou para a banda? Como vocês pretendem manter os aspectos positivos gerados?

Romulo: O prêmio e o festival deram uma grande visibilidade para o Necrofobia. Estamos notando que existe muito mais envolvimento das pessoas nos nossos canais virtuais, e alguns organizadores de eventos entraram em contato para fecharmos mais shows neste segundo semestre. A gente quer aproveitar este gancho do prêmio, e manter nossos canais sempre com novidades sobre a banda, para não perdermos este interesse que as pessoas estão tendo em nós, e fecharmos o máximo de show possível, pois nosso cd está no forno, e queremos lança-lo em meio a esta maré boa que o Necrofobia está vivendo agora.

Contatos para Shows pela Página no Facebook: https://www.facebook.com/necrofobiabr?fref=ts

 

 

 

 

 

 

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