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Entrevista: Warshipper

Postado 27 de julho de 2015 às 19:12

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Original da cidade de Sorocaba (interior paulista) o Warshipper foi criado como um projeto do guitarrista Renan Roveran (ex-Bywar) afim de trabalhar com influências que talvez não se encaixassem no moldes Thrash Metal de sua ex-banda. Com sua saída definitiva do Bywar, o W.S. deixou o título de projeto e ganhou status de banda. Contando com o também experiente Rodolfo Nekhator (baixo, ex-Zoltar) e com Rafael Oliveira (guitarra) e Roger Costa (bateria), a banda lançou no início do ano o debut Worshippers of Doom, um trabalho ousado para os moldes brasileiros e que apresenta diversas formas de Metal Extremo em sua música. Conversamos com Renan e Rodolfo para saber mais sobre a banda e sobre esse trabalho, além de entender a efetivação de Heverton Souza (Imperium Infernale, Zombeers) como seu novo vocalista.

 

HARD AND HEAVY: Apesar de ser uma banda nova, o Warshipper vem ganhando nome com os shows e com a boa repercussão de Worshippers of  Doom. A banda sente que o trabalho vem correspondendo às expectativas?

RENAN ROVERAN: O resultado tem sido bastante positivo. Estamos com uma agenda de shows bem bacana, por enquanto pelo estado de SP, mas esperamos em breve desbravar outras regiões levando nossa musicalidade ao máximo de “Metalheads” quanto for possível.
A aceitação do CD tem sido ótima também com excelentes “feedbacks”, assim como as resenhas tem sido muito positivas. Estamos satisfeitos de um modo geral.

H&H: Vocês lançaram um lyric video para a música “Absence of Colors” como parte das divulgações do CD. Por que esta foi a faixa escolhida e como foi o desenvolvimento do video?

R. ROVERAN: Este vídeo foi basicamente um presente meu para a banda. Precisávamos de um material de imagem para divulgar nosso trabalho e decidi contratar o trabalho do meu grande amigo Manoel Hellsen para tal, que absorveu  toda minha interpretação da música em uma espécie de “story board” que desenvolvemos e deixou sua inspiração fluir.
Escolhi a música pelo fato de ser a minha favorita no álbum e também porque certamente seria a com menor probabilidade de ser escolhida, pois a faixa homônima ou a “… and the Darkness Calls” eram as favoritas da banda para um lyric vídeo, mas como disse foi um presente e resolvi justamente fugir do mais óbvio, como gosto de fazer em tudo. Além disso, é a minha letra favorita no álbum e bastante pessoal.

H&H: Worshippers of  Doom traz um clima denso e sombrio, com faixas que passam  pelo Thrash, Black, Death e técnicas ao estilo do Metal Progressivo, combinação pouco vista no Brasil. Acham que falta ousadia para as bandas brasileiras tentarem o diferente? E por que?

R. ROVERAN: Eu entendo que composição é algo muito íntimo, muito pessoal, portanto deve ser espontâneo. A música deve ser concebida e ter seus arranjos calcados no que o compositor sente, portanto não há o certo ou errado.
Se um compositor cria regras em suas composições espontâneas para fazê-las parecer mais ou menos ousadas, não foi de dentro para fora quando enfim gravada.
Sei que esta concepção é bastante comum entre bandas de Metal onde os músicos receiam não agradar um público específico ou a eles mesmos quando do resultado final, ou mesmo descaracterizar o Gênero da banda. Com o Warshipper não nos preocupamos em soar mais ou menos Death, Thrash ou seja qual for o Gênero, pois nosso nível de maturidade como compositores nos permite tal ousadia, como classificou.
Acredito que se essa barreira for rompida teremos ainda mais bandas com diferencial e inovação o que é positivo para a música, mas também acho que cada banda conduz sua musicalidade da forma que melhor lhes agradar para com seus propósitos, não há verdade absoluta.

H&H: Ter um som extremo e cheio de nuances deve ser complicado para se executar ao vivo. Qual a frequência de ensaios da banda? Adaptações são feitas para os shows para facilitar esse processo?

RODOLFO NEKHATOR: Realmente a execução das musicas ao vivo exige muita disciplina dos músicos para que o público consiga absorver a proposta que a banda se propõe. Acredito que toda banda que pretende mostrar um trabalho mais profissional precisa se dedicar, muitas vezes precisando abrir mão de outras coisas pessoais também importantes. No Warshipper nos esforçamos para ensaiar uma vez por semana e mesmo assim acho pouco para conseguirmos alcançar uma excelência na execução das musicas. Mas também acho importante a banda ser honesta com seu público e apresentar ao vivo o mais próximo que pode chegar da captação, claro que levando em consideração equipamentos e a casa onde se apresenta que pode influenciar diretamente na qualidade. Adaptações nem sempre são ruins, muitas vezes acrescentam deixando a apresentação mais interessante, mas quando vêm para facilitar ou mesmo mudar o som não acho que seja interessante, pois pode descaracterizar a música originalmente concebida.

H&H: Renan, o Warshipper foi criado como um projeto paralelo quando você ainda integrava o Bywar. Havia alguma frustração naquele período que o levou a criar um projeto fora da banda? Se sim, seria isso parte do motivo para o fim do Bywar?

R. ROVERAN: Eu estava bastante satisfeito com a musicalidade atingida pelo Bywar quando compusemos o Abduction (4º full lenght da banda), a maior parte dos arranjos era minha e àquela altura havia alcançado uma autonomia de composição excelente. Mesmo assim, como compositor eu sempre busquei ampliar meus horizontes e tenho ampla influência do universo Rock/ Metal, o que me dá margem a experimentar com distintos elementos em minhas inspirações. Muita dessa inspiração resultava em composições que de fato exigiriam grandes quebras de paradigma ao Bywar e também reconheço que poderiam descaracterizar em demasiado a musicalidade almejada por todos na banda, portanto eu as “guardava” durante anos para possível plano futuro, o qual se consolidou quando da concepção do Abduction que viria a se tornar Warshipper depois que utilizei tal título no álbum já citado, da minha antiga banda. Mas em alguns casos de músicas novas da banda ou mesmo da “… And the Darkness Calls”, o material que seria utilizado para um futuro disco do Bywar foi transferido ao Warshipper. Quando saí do Bywar o Warshipper já não mais era um projeto para mim, tendo o mesmo nível de prioridade, portanto não houve qualquer relação do W.S. com o fim da banda.

H&H: A diferença sonora entre Bywar e Warshipper é gritante, mas é visto que o Bywar trabalhava em um nicho muito bem aceito no Brasil, além de já ter um nome consolidado. Como é começar do zero e com uma sonoridade que pode não ser tão popular no cenário metal nacional?

R. ROVERAN: Certamente é desafiador, o que também é motivador.
Gosto de desafios e mais ainda de levar minhas emoções mais profundas e inspirações mais fortes em formato de música e letras para o público Metalhead. Estamos, portanto conciliando duas interessantes abordagens de satisfação com o W.S.
Mais ainda está por vir em trabalhos futuros, portanto seguimos forte com os desafios de uma banda recém-chegada à cena brasileira, mas com energia o suficiente para “fazer barulho” no underground brasuca e quem sabe do mundo!

H&H: Rodolfo, você fez parte do Zoltar, um nome clássico do Death Metal brasileiro. Como é para você hoje praticar um som tão diferente de seu passado e como você encara essa mesma questão de começar do zero após já ter sentido uma certa estabilidade que um renome traz no underground?

R. NEKHATOR: O Zoltar fez parte de minha história de vida desde os 14 anos, começamos em 1993 onde a cena Death Metal no brasil ainda estava em construção e me sinto muito honrado de poder ter feito parte disso. Não vejo que estou recomeçando do zero exatamente, pois vejo como uma evolução musical e pessoal. O Warshipper carrega muitas influências das experiências que tive não só com a Zoltar, mas também de outras bandas que fiz parte como Lost Graveyard, Lecher, Pleasure of Possession, e também as influências dos demais membros em suas respectivas histórias, assim alcançando uma proposta de som diferente, porém nada fora do que já fizemos ou curtimos como influências. Estabilidade e renome são importantes para qualquer musico, todos queremos ser reconhecidos pelo trabalho e alcançar certa representatividade, com o Warshipper não é diferente, mas tenho claro que ainda estamos no início de uma longa jornada.

H&H: Renan, você gravou os vocais do CD, mas passou esse posto para o vocalista Heverton Souza (Imperium Infernale, Zombeers, Fanttasma, Eternal Malediction). Por que não quis seguir como vocalista do Worshipper?

R. ROVERAN: Assumi os vocais durante a gravação, pois o vocalista da época saiu da banda e, apesar de ter se prontificado a gravar o disco mesmo fora da banda, não queríamos que alguém que não faz parte da banda de fato estivesse presente no primeiro registro. Eu nem sabia se o resultado seria satisfatório, pois nunca sequer gravei os vocais de uma faixa inteira.
No Bywar eu gravava trechos e backing vocals, mas um vocal inteiro nunca.
Gostamos do resultado, mas nunca gostei da ideia de assumir a função em definitivo por duas razões: Primeiro a dificuldade em execução de algumas linhas de guitarra das músicas que não funcionam em exata sinergia uniforme com as de vocal, pois foram concebidas em uma construção livre, diferente do que eu compunha na minha banda anterior, por exemplo, em que já pensava que o Adriano Perfetto (ex-Bywar, Timor Trail) iria tocar e cantar. Segundo porque eu gosto de me movimentar tocando ao vivo, interagindo com a banda e público o que acabava sendo inibido pela concentração exigida em praticar as duas funções, guitarra e vozes.
Não era para mim!!! (risos)

H&H: Heverton possui um estilo vocal bastante diferente do seu. Como chegou até ele e por que foi ele sua opção sendo que a banda é do interior de São Paulo e ele vive na Capital Paulista? Outros chegaram a fazer testes para a função?

R. ROVERAN: Houve testes com vários amigos e grandes vocalistas, mas em nenhum caso identificamos que proporcionava a química sonora adequada. Foi então que Roger e eu nos encontramos com o Heverton por acaso no show do Hypocrisy no ano passado e conversamos sobre as músicas que estavam em processo de gravação.
Ele já foi uma opção de vocalista para a banda no início dos primeiros ensaios da mesma por indicação de outro grande amigo, o Rafael Augusto Lopes (Ex-Torture Squad, Imminent Attack) que já tocou com o Heverton no Eternal Malediction.
Desde aquela época gostamos do vocal dele, mas na ocasião optamos por um vocalista de Sorocaba mesmo.
Enfim, após este encontro ele gostou das músicas gravadas e topou um teste e gostamos do resultado, mesmo com a diferença de vocal, até porque sua capacidade de variação é muito superior à minha.

H&H: O conteúdo lírico das bandas de metal no Brasil muitas vezes é ignorado com o público se atendo apenas para qual temática ou estilo uma banda segue, mas sem se aprofundar. Acha que isso dá mais liberdade para escrever? Seriam as letras para o Warshipper, assim como para centenas de bandas, um meio de “exorcismo”? 

R. ROVERAN:
Particularmente possuo uma ligação muito forte com letras, em muitos aspectos, maior até do que com a musicalidade em si. Sou grande fã de bandas de alto nível de complexidade musical e lírico, sendo a maioria delas bandas europeias da década de 70 e sempre me aprofundei em entender o real significado das composições e tentar absorver o que de fato era transmitido nas letras. A exemplo disso cito a minha “odisseia” em busca das razões e significados do Roger Waters (Pink Floyd) no disco “Animals”, ou no filme “The Wall”  o qual assisti exatas 220 vezes, até hoje (risos).
Supero minha introspecção emotiva com as letras que escrevo, relatando sensações e experiências pessoais ou de pessoas ao meu redor, frustrações e emoções profundas sempre com abordagem análoga, de ficção, subjetiva ou metafórica. É meu estilo e tudo tem um significado.
O Rodolfo que também escreve possui outra abordagem, mas que admiro bastante e agrega muito à banda.

H&H: Não é difícil saber o que uma banda almeja, mas a grande maioria para pelo caminho ainda longe dos objetivos. O que vocês acham que fará do Warshipper uma banda diferente disso?

R. ROVERAN: Alguns fatores são positivos para que a banda trilhe um caminho longo e sólido pela história do underground do nosso país, sendo alguns deles nossa determinação por superar desafios, nossa grande vontade em deixar uma marca de algo novo e surpreendente na música, nossa experiência individual e passada, a química que desenvolvemos e temos potencializado com o passar do tempo que nos trás satisfação e acima de tudo o sentimento forte que cada um na banda tem pela música e pelo Metal.
Independente do resultado de nossas conquistas, tocar Metal está associado ao que somos e faremos isso para sempre.

Agradeço ao espaço cedido pelo Hard and Heavy e a todos os leitores. Espero que tenha sido proveitosa a leitura deste material e um pouquinho da semente negra do W.S. tenha sido plantada em suas mentes de Headbangers.
Nos vemos nos palcos pelo Brasil!!!

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