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Warrel Dane – Inferno Club – São Paulo/SP – 28/03/15

Postado 11 de junho de 2015 às 03:49

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Por Thamy Melo / Fotos: Evandro Camellini

Há quase um ano atrás, um cantor de Heavy Metal aceitou um desafio: Viajar em turnê por um país do outro lado do continente, acompanhado por músicos que não conhecia e apostar no sucesso desse evento. Somente a paixão pelo que se faz (e uma boa dose de confiança no próprio taco, por parte de todos os envolvidos) pode justificar tal iniciativa. Paixão essa expressada em 2014, no palco do Hangar 110, com uma apresentação que mostrou que o que se faz com a alma está fadado ao sucesso.  Paixão essa tão peculiar do icônico Warrel Dane, frontman das bandas Sanctuary e da atualmente em hiato, Nevermore, que o consagrou na cena metal mundial. Na época os fãs paulistas foram brindados com um emocionante show solo, selado com uma promessa de retorno em uma turnê especial.   Novamente em companhia dos músicos brasileiros e junto a TC7 Produções, a promessa foi cumprida e na divulgada noite de sábado, Dane retornou em comemoração aos quinze anos do clássico Dead Heart In A Dead World, aclamado álbum do Nevermore, em uma apresentação emocionante e comovente.

Com horário marcado em divulgação para entrada às 17h e inicio as 17:45h, o Fates Prophecy fez as honras da casa por volta das 18:15h, após atraso para a liberação da mesma que só ocorreu as 18h. Com um público razoável, e parte dele ainda adentrando o Inferno, o grupo paulistano executa um Heavy Metal que muito lembra Iron Maiden e é composto por Leonardo Beteto (vocal), Carlos Kippes e Paulo Almeida (guitarras), Rodrigo Brizzi (baixo) e Sandro Muniz (bateria).  A banda abriu seu set com New Degeneration, tema integrante do mais recente álbum Creadle Of Life, de 2013. Seguido por faixas como Welcome To The Future e Wings Of Fire, o simpático e não menos habilidoso quinteto deixou seu recado com uma enérgica apresentação. O vocalista Leonardo interagia com o público a cada intervalo entre musicas, vertendo agradecimentos aos envolvidos e anunciou mais de uma vez o que estava por vir após sua banda, mostrando grande satisfação em estar abrindo o show de Warrel. Bem recebidos pelos presentes, o conjunto encerrou com uma versão para The Phantom Of The Opera, do Iron Maiden.

Uma longa espera viria para o principal show da noite que, também com atraso, se iniciou as 19:45. Com o som mecânico interrompido e a intro Precognition, os já conhecidos músicos Johnny Moraes (guitarra, Hevilan), Thiago Oliveira (guitarra, Seventh Seal, Addicted To Pain), Fabio Carito (baixo, Addicted To Pain, Shadowside) e Marcus Dotta (bateria, Addicted To Pain, ex-Skin Culture) se posicionaram no palco seguidos de Warrel Dane, recebido calorosamente pelos fãs. Dando início ao destruidor Dead Heart In A Dead World, veio o petardo Narcosynthesis seguido de We Desintegrate, cantados em coro pelo público.

Já a essa altura a “extrema qualidade” da casa deu as caras, sumindo com o vocal de Warrel por boa parte da segunda musica. E infelizmente pelo resto do show, apesar dos muitos apelos do público para a mesa de som. Além de um som geral um tanto estourado. Em contrapartida, o sumiço no vocal de Dane era substituído pelo “vocal” uníssono e incansável da plateia. Inside Four Walls veio para agitar ainda mais os fãs, que explodiram em poderoso coro no refrão. A essa altura já era possível compreender aquela paixão citada no começo da matéria. A total entrega do público, dos músicos, do próprio Warrel, àquele momento, à música, provou que o Metal, mais que um estilo musical, é um estilo de vida intenso e apaixonado.

Dane declara seu amor pelo público paulista e anuncia Evolution 169, com uma mensagem sobre evolução ao final da mesma. The River Dragon Has Come surge com as primeiras exibições do alcance agudo do vocalista. A despeito do volume péssimo no microfone e dos backing vocals sobressaindo demais, era possível apreender o que se passava. O que mais impressiona é a potencia vocal que alguém na idade de Warrel ainda preserva. O cantor pode facilmente constar numa lista das vozes mais marcantes do Heavy Metal, por sua ampla extensão, versatilidade e potencia vocal.

The Heart Collector, com um dos refrãos mais famosos da banda, veio dedicada às “belas colecionadoras de corações” e com um pedido do vocalista para que os namorados presentes beijassem suas respectivas. Passado o primeiro momento calmo da noite, Engines Of Hate devolve à apresentação o seu peso, seguida de The Sound Of Silence. Warrel se mostrava sempre muito simpático e humorado, elogiava a plateia em vários momentos, brincava e deixava mensagens relacionadas às musicas, o que compensava um pouco a impressão de cansaço que transparecia do cantor.  Para o encerramento do Dead Heart… na emocionante trinca final veio Insignificant com um erro insignificante na entrada após o refrão que não tirou o brilho de sua execução. Believe In Nothing, que comoveu a todos, inclusive o vocalista e a derradeira faixa título, Dead Heart In A Dead World.

Intervalo de cinco minutos, a banda retorna para a segunda parte do set com a intro Ophidian e I, Voyager. Para a próxima execução a ilustre convidada da noite, Mizuho Lin (Semblant), sobe ao palco para o belíssimo dueto de Dreaming Neon Black. Impossível não se emocionar com essa canção e toda a história envolvida nela. A próxima trinca viu Emptiness Unobstructed, This Sacrament e My Acid Worlds com destaque para o peso de suas guitarras e a grande roda que finalmente se abriu na pista. A única representante da carreira solo de Dane foi Messenger, seguida de Sell My Heart For Stones, nas palavras do cantor, nunca executada ao vivo antes e outro momento de comoção, ovacionada pelo público ao final da execução.  A pista vê novamente o caos com Enemies Of Reality e, com direito a um trocadilho sobre beijarmos nossos pais ao chegar em casa pois eles são os responsáveis por nosso nascimento, a faixa Born. O evento chegou ao fim às 22h, e por conta do atraso inicial a ultima faixa prevista no set, This Godless Endeavour, foi cortada.

A sensação de extremo contentamento estampava o rosto dos presentes. Um show pesado, marcante. Não se pôde deixar de notar pequenos erros e dificuldades no desenrolar das músicas, mas esses foram driblados com muito bom humor e não tiraram o brilho geral da apresentação. Um set mais recheado de clássicos que na turnê anterior e que não deixou nada devendo em termos de intensidade. Uma noite nostálgica para os fãs de Nevermore e Warrel Dane guardarem na memória com carinho.

 

 

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