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ENTREVISTA: DANI NOLDEN – SHADOWSIDE

Postado 25 de julho de 2012 às 00:11

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Por Luciano Piantonni

Há um bom tempo que os fãs estavam ansiosos por uma tour brasileira do grupo santista Shadowside. E isso se tornou realidade, recentemente, com a banda cruzando o Brasil em shows bem comentados.

Aproveitamos uma folga na agenda da banda para conversar com a bela vocalista, Dani Nolden, sobre esses shows e outros assuntos, claro;

Dani, porque só agora vocês começaram a tour de divulgação de Inner Monster Out, lançado ano passado?

Dani Nolden: Nós já estávamos fazendo alguns shows de “aquecimento”, porém a ideia era iniciar a turnê com o álbum lançado mundialmente, o que aconteceu agora entre Março e Maio de 2012. O “Inner Monster Out” foi lançado ano passado apenas aqui no Brasil, mas ainda tínhamos muito pra fazer acontecer lá no exterior. Estávamos focados na divulgação do álbum com entrevistas e quando estamos na estrada, o ideal é que a atenção esteja completamente voltada para os shows. Agora nos dedicamos apenas a turnê. Primeiro aqui no Brasil, onde ficaremos até o final do ano, depois voltaremos ao exterior.

 

Como tem sido a energia no palco?

Dani Nolden: Excelente! Estamos nos sentindo muito bem, gostamos do que estamos fazendo, estamos realmente felizes e acredito que isso fica evidente quando estamos no palco. Os shows são explosivos, espontâneos, não tem show mais ou menos importante para nós. Mal tivemos tempo para dormir antes de cada show da turnê até agora, mas parece que todo o cansaço vai embora na hora que entramos em cena. Estamos em um momento excelente, não apenas com relação a todo o sucesso, tanto aqui quanto lá fora, mas as coisas entre nós estão muito bem também. Estamos todos contentes, fazendo o que sempre tivemos vontade, tocando o som que realmente temos prazer em tocar. O resultado disso só poderia ser um show intenso o tempo todo, que é o que vem acontecendo!

E os fãs, como você tem sentido a reação deles?

Dani Nolden: Eu nem tenho palavras para descrever… só vejo os fãs curtindo tão enlouquecidos quanto nós mesmos, boa parte da energia que nós temos no palco vem deles. Eu estou sinceramente surpresa, pois as reações tem sido mais intensas do que nas turnês passadas. Eu acho que muita gente, provavelmente a maioria do público nas turnês de divulgação dos álbuns Theatre of Shadows e Dare to Dream, ainda comparecia aos shows para conhecer a banda. Eles sempre agitaram, gritaram e curtiram, mas agora eu vejo a galera realmente cantando, não preciso mais me preocupar em esquecer as letras, pois sempre tem gente cantando junto (risos). Isso é muito legal, nos mostra como eles estão nos acompanhando e como ainda tem fãs novos chegando agora, que nos conheceram através do Inner Monster Out e foram atrás do nosso material mais antigo também. Acho que estamos conquistando público novo sem incomodar nossos fãs mais antigos, porque todos sabem que nosso crescimento não foi uma questão de moda, de sucesso repentino. Os fãs que nos acompanham desde o começo sabem como a nossa trajetória foi cheia de pedras e ficam felizes por estarmos crescendo. Temos muita sorte de termos fãs que torcem pela banda de verdade e nos apoiam em todos os momentos. Eles estão fazendo muito barulho nos shows e não tem algo mais legal que bater cabeça com eles nessas apresentações.

 

Até agora qual foi o melhor em sua opinião?

Dani Nolden: É difícil dizer pois todos foram realmente especiais, cada um de uma forma. Em Santos, o público foi um verdadeiro show a parte, esgotando os ingressos com certa antecedência e deixando muitas pessoas do lado de fora, em Araraquara, mais de 5 mil pessoas estavam lá com os punhos no ar, gritando e curtindo… Belo Horizonte foi a realização de um sonho antigo meu, já que a recepção foi maravilhosa e parte da minha família é de Minas Gerais. Bauru também nos recebeu de braços abertos e nem sei o que dizer de São Paulo… foi muito especial mesmo!

E o tão esperado show de SP, ao lado do The Agonist? ( já que a banda estava devendo um show para o público da capital há um bom tempo…)

Dani Nolden: Era o que eu ia dizer agora… você leu minha mente (risos). Foi simplesmente incrível. Não tocávamos na capital paulista há 6 anos. Eu não sabia o que esperar. Sempre recebia mensagens do público paulistano, mas a recepção realmente me surpreendeu, especialmente porque o show não era apenas nosso e o ingresso não estava exatamente barato. Eu pensei que encontraríamos um público exclusivamente do The Agonist, mas muita gente estava cantando cada palavra das nossas músicas. Eu gostaria muito de ter feito um show mais longo, como os nossos fãs da capital merecem, mas nem mesmo The Agonist pode tocar por muito tempo… essa foi a alternativa que encontramos para conseguir tocar na cidade sem que nossos fãs tivessem que deixar de curtir alguma coisa para ver a nossa apresentação, nem tivessem que perder nosso show porque outras coisas estavam rolando no mesmo dia. Com tantos eventos acontecendo na cidade, eu acho que a solução mais legal e interessante, tanto para fãs quanto para bandas, é que aconteçam mais shows conjuntos assim, todo mundo sai ganhando. Quem saiu do Carioca Club querendo mais, tocaremos em Campinas no dia 12 de Agosto, com um set de quase duas horas!

 

Vocês também tocaram no Araraquara Rock Fest no mesmo dia do Viper, certo? Como foi? O que você achou do show de retorno do Viper?

Dani Nolden: Sim, tocamos juntos no festival e foi muito legal! Nos demos muito bem, conversamos antes e depois do show, todo mundo estava lá sem qualquer estrelismo, apenas para fazer barulho e curtir junto ao público. Eu acho o retorno deles excelente. Essa é uma banda de extrema importância na história do Metal brasileiro e a oportunidade que eles estão dando ao público mais jovem de vê-los em ação é muito legal.

Você é bem nova, sinal de que nunca tinha os visto ao vivo, certo?

Dani Nolden: Sim, certo! Eu era uma criancinha quando o Angra começou… só fui ter a oportunidade de vê-los ao vivo quando estava entrando na adolescência, na época do Holy Land… Viper para mim era história distante. Muita gente da minha geração ou até mais novos que eu devem estar achando essa oportunidade sensacional. É como ver um dos seus livros de história criar vida na sua frente. Foi muito legal compartilhar o palco com eles.

 

Vai rolar tour lá fora para divulgar o Inner Monster Out nos países onde foi lançado?

Dani Nolden: Ainda não sei em que países, mas vai rolar tour no exterior com certeza. Acabamos de fechar com uma agência alemã e vamos começar a fazer os planos, provavelmente para 2013. Até o final do ano, continuaremos tocando aqui no Brasil e trabalhando na divulgação lá fora. As rádios nos Estados Unidos continuam tocando nossas novas composições, ficamos por 6 semanas entre as 15 bandas de Rock e Metal mais tocadas no país, em uma dessas semanas chegamos em 9º lugar, portanto ainda tem muito Inner Monster Out para “espalhar” lá fora. Quando esse trabalho estiver completo, a turnê virá para completar e fechar o ciclo desse álbum.

E o sucessor dele, vocês já estão trabalhando em novas músicas?

Dani Nolden: Sempre estamos criando, mas ainda não começamos a discutir sobre o novo álbum, nem sentamos para compor juntos. Provavelmente vamos fazer isso durante a turnê no exterior, já que ficamos muito tempo dentro do ônibus sem fazer nada… acredito que as primeiras ideias começarão a ser expostas nesse momento e quando voltarmos pra casa, vamos nos juntar em estúdio, pedir algumas pizzas e ver o que sai (risos).

 

Você saberia dizer se vão seguir o mesmo processo de gravação do I.M.O., produzindo na Europa?

Dani Nolden: Provavelmente. A questão não é onde o álbum foi gravado e sim com quem trabalhamos. Se trabalharmos novamente com Fredrik Nordström como produtor do próximo álbum, é mais conveniente e surpreendentemente mais barato gravarmos na Suécia, no estúdio dele, que tem toda a estrutura de uma casa, com quartos, cozinha e chuveiro, do que gravarmos com ele aqui, onde o custo do aluguel de um estúdio é muito maior que das passagens da banda pra Europa. Nós ficamos muito satisfeitos com o resultado do Inner Monster Out, então não acredito que vamos mudar alguma coisa no processo de gravação e produção. Obviamente não tentaremos fazer a cópia do Inner Monster Out pois não é como trabalhamos… com certeza a linha continuará sendo essa, de um som pesado, direto, com a energia do metal extremo e a musicalidade do metal tradicional/melódico, porém sempre buscaremos novidades… sempre buscaremos surpreender nosso público de forma positiva. Mais do mesmo não tem graça… o desafio é evoluir sem sair dos trilhos e fazer algo cada vez melhor!

Depois de um puta disco como o Inner Monster Out, você finalmente não acha que é a hora de lançarem um DVD?

Dani Nolden: Eu gostaria muito… mas quero que seja algo especial para os fãs. Não quero lançar um DVD só para ter… eu sou muito esquisita com relação a cobrar alguma coisa dos fãs (risos). Acho que se vou vender um material, tenho que fazer valer cada centavo que o fã vai gastar, então me recuso a gravar um DVD que seja menos do que eu mesma gostaria de comprar de uma das minhas bandas favoritas. Pode ter certeza que um DVD está nos planos e já estamos discutindo sobre o assunto dentro da banda. Quando a oportunidade perfeita aparecer, faremos acontecer.

 

E como surgiu esse convite para se patrocinada pela Coca-Cola Clothing? É algo um tanto quanto inusitado, certo?

Dani Nolden: Eu não vejo como inusitado porque o lema deles é “Coca-Cola é para todos”. E eu concordo… na loja da Coca-Cola Clothing, tem tudo, pra todos os estilos. Qualquer fã de metal vai encontrar coisas legais por lá. Quem só gosta de usar preto, vai encontrar muita camiseta e calça preta por lá. O dono da loja com quem eu tenho essa parceria, que é do Park Shopping São Caetano, é vocalista de uma banda de metal. Eu fiz alguns shows com um dos coletes jeans que eles tem que não tem como ser mais metal. Também já fui patrocinada da Lady Snake e ainda apoio a marca, uso várias roupas deles… depende da ocasião. Mas o patrocínio da Coca-Cola Clothing uniu o útil ao agradável para mim… eu gosto muito das roupas e sou fã da marca, em todos os sentidos. Também sou bem chata com relação a patrocínios… não promovo algo que eu não goste de verdade. Só aceito patrocínio do que eu usaria mesmo sem ser patrocinada.

 

Para finalizar, algum convite para posar nua?  (risos!)

Dani Nolden: Haha… somente algumas sondagens de sites alternativos, nada de Playboy ou revistas do gênero. Eu sinceramente não acredito que eu faça o tipo dessas revistas. Não que fizesse alguma diferença, eu nunca aceitaria um convite desses… mas acho que toda essa exposição, de ser considerada uma das musas do metal, leva as pessoas a pensarem isso. Até tenho uma camisa da Playboy, toquei com ela em alguns shows na última turnê pela Europa, mas eu já sou muito tímida, imagina se alguém pedisse pra autografar uma revista onde eu apareço lá, como vim ao mundo… não… de jeito nenhum (risos). Não tem dinheiro no mundo que faça valer uma exposição dessas. Eu nem julgo quem posa nua, acho que cada um ou cada uma se sustenta como pode, mas eu não me sentiria bem com isso. Me deixa aqui na minha banda de metal ganhando pouco mesmo (risos).

Fotos: Irisbel Mello

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