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WITCH HAMMER

Postado 17 de julho de 2012 às 15:42

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Por Luciano Piantonni

Na metade da década de 80, o Brasil estava fervendo com as bandas de Metal surgindo por todos os cantos, e em Belo Horizonte, não poderia ser diferente, já que lá surgia a maior banda brasileira em todos os tempos, o Sepultura, que havia lançado um Split ao lado da banda Overdose (Bestial Devastation/Século XX, 1985), lançado pelo selo (e loja!) Cogumelo Records.

Não demorou para surgirem dezenas de bandas criando um sólido movimento naquela região.

Dentre os primeiros lançamentos, o Witch Hammer ficou conhecido por meio da segunda edição da coletânea Warfare Noise (lançada em 1987), ao lado das bandas Mayhem (não confundir com a norueguesa de Black Metal, pois essa veio bem antes!), Megathrash e Aamonhammer.

Nesta compilação, eles aparecem como a primeira banda (na ordem do vinil), com as músicas Weekend In Auschwitz e Degradation Process Rad. Não demorou para o grupo se destacar, por seu com peculiar, meio Thrash, meio Death, mas ainda assim, diferente da maioria das bandas até aquele momento.

Outra coisa que os diferenciava era que as letras não iam na direção do satanismo, algo que 95% das bandas daquela época faziam meio que de forma obrigatória, onde uma tentava soar mais satânica que a outra…

Surgido em 1986, o Witch Hammer, foi formado por Casito (baixo e vocal), Paulo Caetano (guitarra e vocal), Leandro Miranda (guitarra) e Teddy (bateria). Eles logopartiram para as composições próprias, e em 1987, lançaram as demos Mutilated Army, a primeira, com três músicas: Misery’s Genocide, Wrath Of Witchhammer e o cover de Space Invaders do Messiah, e a segunda, #2, que trazia a Intro Harmony Of Violence, World Of Desolation, Weekend In Auschwitz e The Final Cry. O convite para a gravação da já citada coletânea foi um pulo.

Interessante que das quatro que participaram da Warfare Noise II, o Witch foi o único que de fato vingou.

O próximo passo foi a gravação de seu primeiro álbum, The First And The Last, que saiu em 1988 pela gravadora Cogumelo, trazendo 8 músicas, com seu som recheado de peculiaridades, vocais insanos e temas idem, como Medicine Blues, Who Is Fat?, entre outros. A capa era diferente de tudo aquilo que se via nas demais, e a foto da contra capa, então, nem se fala, já que trazia uma foto do quarteto, vestidos como cirurgiões médicos, algo bem original – que mostrava que o lado sarcástico dos rapazes era bem evidente.

Seus shows eram sempre muito comentados e o Witch foi fazendo seu barulho, arrebatando mais e mais fãs.

Em 1990 eles lançaram aquele que considero sua verdadeira obra prima, o grande Mirror, My Mirror, lançado na época num belo vinil de capa dupla (considerado luxuoso para a época!), algo que eles sempre mereceram. Neste disco eles resolveram inovar, flertando com o blues, trazendo vocais femininos, e com direito a uma música cantada boa parte em português (The Worm That Turned Into Man).  Eram 10 músicas com uma rica e variada sonoridade, algo que somou muito para a popularidade da banda. A parte lírica cantada por Sylvia Klein chamou a atenção na época – hoje é bastante copiada por bandas com vocais femininos…

Algo estranho é que não me lembro de terem rolado muitos shows de divulgação em São Paulo…  (na verdade, na carreira inteira dos caras!)

Em 1992 saiu o terceiro trabalho, Blood On The Rocks, que possuía a mesma musicalidade do anterior, mas que por algum erro na estratégia de divulgação, passou meio que despercebido pela grande maioria. Uma peculiaridade é que Paulo Caetano não gravou esse álbum, pois ele estava passando uma temporada nos EUA – em seu lugar, estava Arnaldo Jr, que havia sido membro do Witch no período embrionário. Ainda assim, foi um excelente trabalho, que rendeu ótimas criticas por parte da mídia especializada, onde encontramos músicas excelentes, como God’s Growing Older, Looking For War, Path To The Cemetery, entre outras (num total de 10), em pouco mais de 40 minutos.

Em 1995 a banda resolve encerrar as atividades, ficando inativa até 2001, que foi quando a paixão falou mais alto e eles voltaram com força total. Paulo, Casito e Teddy se reuniram, mas não puderam contar com Leandro, que alegou falta de tempo compatível. Para seu lugar chamaram Igor “Vermelho”, que logo foi substituído por Rogério Sena.

Em 2006, lançaram – sempre pela guerreira Cogumelo – o álbum que marcou a volta da bruxa, Ode To Death, disco que trazia uma sonoridade crua, quase primitiva, mostrando que os caras nunca perderiam a essência. E em meio ao  ótimo tracklist de Ode To Death, incluíram as regravações de Weekend In The Auschwitz, Dartherium e o cover de Perseguição, de uma das pioneiras do Metal mineiro, Sagrado Inferno.

Os shows vieram, mas infelizmente, em 2008, o guerreiro Teddy resolve abandonar o barco, e em seu lugar entrou Alfredo Malagoli, que deu continuidade ao trabalho, mostrando toda sua eficiência na continuação da Road To Death tour.

Atualmente, o grupo segue lapidando o seu quinto álbum, que deve pintar logo, logo.

Rumores dão conta de que a Cogumelo irá lançar uma edição especial contendo o primeiro e o terceiro álbum em CD – já que o Mirror… e o Ode… foram lançados nesse formato. Uma edição em digipack/remaster do Mirror… seria mais que bem vinda!

Um DVD desses caras não seria nada mal já que sempre tiveram orgulho em carregar a bandeira do Metal nacional, sem muitos recursos, ou ajuda de terceiros – nada mais justo do que registrar a energia dos caras em cima de um palco, afinal, história pra contar, eles tem!

http://www.myspace.com/witchhammerbrasil

Assista um vídeo dos caras ao vivo, em 2010:

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