Livros e Publicações Preste Atenção! Reportagens Especiais Caricaturas Parceiros Destaque Coberturas Entrevistas Lançamentos Home
BAD BRAINS – VIA MARQUÊS – SÃO PAULO – 05/04/13

Postado 10 de abril de 2013 às 03:08

Share |

Por Adilson Ribeiro / Fotos: Luciano Piantonni

Desde que anunciaram a vinda do Bad Brains com a formação original, a expectativa de ver músicos tão talentos, reunidos mais uma vez, fez com que muitos lembrassem de shows clássicos como os que a banda fazia no lendário CBGB’s, onde realizavam shows incríveis, mesclando genialidade com selvageria.

Bom, os tempos são outros, e o que eu ouvia, é que o carismático vocalista, Paul “H.R.” Hudson, de outrora, deu lugar a uma pessoa totalmente desparafusada – que segundo alguns relatos, chegou até a morar nas ruas, usando todos os tipos de drogas.

Eis que chegou o grande dia, uma sexta feira agradável e o que se viu no comecinho da noite, foi uma multidão enorme, mesclando gente de todos os públicos, de punks a headbangers, passando pela galera do reggae de outras “tribos”.

A abertura ficou por conta do quinteto casca grossa, Paura, de São Paulo, que fez um show direto e reto, com destaque mais uma vez para a máquina das baquetas, Fernandão Schaeffer, que espanca sua bateria sem dó. Sons como Integrity Department, Worthless Progress, Discharge The Man, Bull Control, Demmanded On Hate, deram o tom da pancadaria imposta pelo Paura.

Uma pausa para os ajustes e com a casa já completamente lotada, os fãs esperavam ansiosos pelo Bad Brains, com aquele mix de ansiedade de como o H.R. se portaria no palco.

E assim que as cortinas se abriram ele logo foi visto sentado no palco, com um olhar no melhor estilo “mendigo da cracolândia”, meio perdido, e ao mesmo tempo enigmático.

Sem perder tempo, após uma Intro,  eles logo trataram de incendiar a pista do Via Marquês com Attitude e Right Brigade.

H.R. ficava estático no meio do palco, gesticulando, olhando para cima, falando sozinho e cantando muito pouco, já que sua voz não apresenta mais nenhuma potência, mas nada disso parecia importar, pois sua presença fazia com que TODOS agitassem feito loucos, pulando e gritando apenas por estarem diante da formação original do Bad Brains – será que ele contagiou com sua loucura?

Os outros músicos, Dr. Know (guitarra), Darryl Jenifer (baixo) e Earl Hudson (bateria), fizeram suas partes com maestria, tocando como as pessoas queriam ouvir. A verdadeira “trilha sonora” para as loucuras de H.R., que antes pulava e gesticulava no melhor estilo speed gonzales, dessa vez ficava parado, porém não menos visceral.

Sei lá o que aquele senhor fumou ou usou, pois confesso que nunca vi nada tão junkie em toda minha vida acompanhando bandas em centenas de shows. Sabe aquelas pessoas que perambulam pelo centro de São Paulo, loucas de crack, enroladas em seus cobertores, deitados em calçadas sujas, falando sozinhas?

É assim que o H.R. parece em cena! (só não anda sujo, o resto…)

Pra completar a indumentária “mendigo fashion”, ele carrega duas mochilas em tempo integral, inclusive deixando as mesmas no palco enquanto lá permaneceu. Claro que isso nitidamente incomodou os outros músicos, mas o público, nem tanto, pois foi um daqueles shows históricos, que ficará na memória dos fãs, pra sempre.

Com ou sem uma convincente performance de H.R.,  pérolas do Bad Brains continuaram em forma de sons como Sailin’ On, Regulator, Give Thanks And Praise, Universal Peace, F.V.K.,  Banned In D.C., Soulcraft, At The Movies, Re-Ignition e Pay To Cum.

A pista mais parecia um gigante liquidificador, pronto para explodir, com rodas e  crowd surfind aos montes, criando um contraste gigante, em comparado ao jeitão “maluco beleza” de H.R..Eles até tiveram a manha de tocar seus tradicionais reggaes, como, I & I Survive, Jah Love (essa, do novo álbum, Into The Future, lançado em 2012) e I Luv I Jah, fazendo com que a galera desse uma acalmada.

Uma pausa para o Bis, H.R. sai com suas mochilas e volta com as mesmas para a maravilhosa I Against I, pondo fim a uma apresentação que dividiu algumas pessoas, mas que garanto ter sido uma das mais insanas que eu já vi.

Assim como eu, ouvi muita gente dizendo que só o fato do H.R. estar no palco, já valeu o espetáculo – e acredite, ele deve ter pirado, mesmo!

Agradecimentos ao pessoal da Liberation MC.

coberturas