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CD: NAPALM DEATH – THROES OF JOY IN THE JAWS OF DEFEATISM

Postado 28 de agosto de 2020 às 19:08

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NAPALM DEATH
Throes of Joy in the Jaws of Defeatism
Rock Brigade Records / Voice Music / Xaninho Discos – Nac.
9,0

As definições de trilha sonora do apocalipse foram atualizadas com sucesso! (não há forma melhor de começar um review para este álbum!). Em seu décimo sexto álbum – sem contar os onze EP’s, inúmeros Spits, discos ‘ao vivo’ e os dois lançamentos de covers – “Throes of Joy in the Jaws of Defeatism” os britânicos do Napalm Death ressurgem ainda mais brutais e atualizados do que nunca – o último álbum de estúdio foi “Apex Predator – Easy Meat” de 2015.

De cara, “Throes of Joy in the Jaws of Defeatism” já figura entre os melhores álbuns do agora trio – com a ausência do guitarrista Mitch Harris a banda tem aparecido como um trio, com Mark ‘Barney’ Greenway (vocais), Shane Embury (baixo) e Danny Herrera (bateria). Embora não citado no release da gravadora Century Media, as guitarras parecem ter sido gravadas por Shane – nos shows eles estavam contando com a colaboração de John Cooke, enquanto não há uma definição sobre a permanência ou não de Mitch Harris.

E essa edição nacional está caprichadíssima; o CD é embalado por um belíssimo slipcase. O encarte vem completo com letras e fotos, e esta edição tem pôster exclusivo e adesivos internos e externos.

Agora falando do “recheio”, esse “Throes of Joy…” traz 12 faixas, abrindo com “Fuck the Factoid” (tema mais atual impossível!), despejando toda a brutalidade dessa verdadeira instituição do Grindcore mundial.

Impossível ficar destacando muita coisa, já que trata-se de um álbum onde as músicas prendem o ouvinte em meio a massa sonora aplicada pelo Napalm Death. Todos sabem que Danny já não é mais um garoto (completou 50 anos!), mas continua tocando como se estivesse no auge de sua juventude, de forma insana e agressiva. Barney tem nesse novo álbum uma de suas performances mais brutais e doentias, Tem horas que seus vocais lembram um animal faminto dilacerando um oponente. E Shane consegue criar uma parede sonora de graves com seu bruto e sujo baixo. As guitarras, seja lá quem as gravou, mantém o padrão ‘ogro’ de qualidade da banda, intacto.

“Backlash Just Because” foi o primeiro single de “Throes of Joy…” e já dava mostras do que estava por vir. Assim como “Amoral que tem um videoclipe caótico e traz elementos mais variados – quase alternativos – em se tratando de Napalm Death. Citando por cima, “Joie De Ne Pas Vivre” e seus os vocais “podres”, surge com um ar quase Punk e Noise. “Invigorating Clutch” é cadenciada e bastante pesada, com vocais mais guturais que o habitual. Já “Fluxing of the Muscle” tem um riff sensacional, mesclado a partes mais ‘groovadas’ (se é que pode se chamar assim…). A faixa título “Throes of Joy in the Jaws of Defeatism” começa com a fúria de Barney e descamba para um dos momentos mais velozes e furiosos (sem trocadilho!) de todo o disco.

Em músicas como “That Curse of Being in Thrall”, “Contagion”, “Zero Gravitas Chamber”, “Fluxing of the Muscle” e “Acting in Gouged Faith”, a banda soa como nos trabalhos de sua rica discografia, sem maiores surpresas ou invencionices.

“Throes of Joy in the Jaws of Defeatism” encerra com a ‘industrial’ e ‘lenta’ “A Bellyful of Salt and Spleen”, música que dá aquela acalmada nos ânimos, baixando a adrenalina, induzindo você a dar play e começar tudo de novo…

A capa como no trabalho anterior, choca (mas essa é a idéia!) e te faz refletir sobre o tema.

Ano que vem a banda completa 40 (!) anos, e uma coisa é certa: Napalm Death nunca decepciona!

Luciano Piantonni

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