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PAIN OF SALVATION – CARIOCA CLUB – SÃO PAULO – SP – 29/04/2018

Postado 9 de maio de 2018 às 01:44

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Por Thamy Melo / Fotos cedidas por: Bárbara Martins

Torturados pela espera ocasionada pelo adiamento do show, que seria logo no começo deste ano, finalmente os fãs do icônico grupo Pain Of Salvation puderam, após uma espera de três anos, matar as saudades, vibrar e se emocionar com a música dos suecos, donos do título de uma das maiores bandas do Prog Metal atual. Fato corroborado pela excelente apresentação, não somente a nível técnico, mas também de feeling ímpar. Nunca a expressão “suor e lágrimas” foi tão literal, visto que a casa, além de emocionada, passava um calor tremendo.

Em divulgação do mais recente álbum, In The Passing Light Of Day (2017), o setlist foi aberto com Full Throttle Tribe, após um pequeno atraso de dez minutos. Um começo bom para aquecer as gargantas, que não hesitaram em acompanhar Daniel Gildenlöw no refrão. Desde o começo era possível perceber que a apresentação dos suecos é pensada em todos os detalhes, isto porque o jogo de iluminação deu um show a parte, com muita luz de contra e ambientações especiais a cada canção tocada. Ainda do novo disco vieram Reasons e Meaningless, para provar que o novo trabalho está mais do que aprovado, afinal seus versos estavam na ponta da língua dos fãs, que os cantavam a plenos pulmões e praticamente engoliam o som vindo do palco.

Se há algo a se apontar nesse sentido, infelizmente a regulagem deixou um pouco a desejar pois os baixos estavam sobrepondo tudo na maior parte do tempo, inclusive era impossível ficar embaixo do camarote pois tudo tremia e atrapalhava a audição das músicas. Uma pena, pois esse tipo de música trabalhada em diversas nuances perde seus detalhes ao vivo caso o som não esteja bem regulado. De qualquer forma isso não pareceu impedir o público de vibrar com Linoleum. Daniel não poupou elogios e simpatia, interagia muito com a casa e sua performance visceral também era um show a parte. Como um todo, a banda se entregava ao que estava tocando e toda a energia vinda do palco, desde aos incansáveis pulos de Karlsson, o suor em bicas que escorria de Gildenlöw até a maestralidade do baterista Léo Margarit na condução das faixas, impregnava os presentes.

Os grandes destaques do meio do set ficaram por conta de Rope Ends, do clássico álbum Remedy Lane (2002), que arrancou gritos emocionados desde os primeiros acordes, Beyond The Pale e Kingdom Of Loss. Ashes e sua melodia com algo de trágico fechou o circuito de lágrimas mais forte da noite, seguida por uma belíssima execução de Silent Gold, com todos os integrantes cantando frente ao público silente, que não poderia deixar de admirar a versatilidade e talento dos integrantes. Algo parecido aconteceu na primeira faixa do set, quando Margarit, de pé, assumiu um dos versos num ótimo falsete.

Para o bis, On A Tuesday marcou mais um ponto alto com seu incrível instrumental, seguida por Inside e finalmente, talvez a faixa mais emocional da noite se levarmos em conta os últimos anos antes do lançamento do In The Passing..., a faixa homônima In The Passing Light Of Day, momento no qual os fãs apenas ouviram com o máximo respeito a voz e a guitarra de Daniel, que versavam sobre seus sentimentos e pensamentos na época de sua doença que quase o venceu. Impossível não ser empático e não se deixar emocionar por isso.

Como nada dura para sempre, mais rapido do que todo gostariam, os suecos se despediram de um público que saiu do Carioca Club de alma lavada. Até aqui, um dos melhores shows do ano.


 

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