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MOONSPELL – CARIOCA CLUB – SÃO PAULO – SP – 26/04/2018

Postado 5 de maio de 2018 às 04:11

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Por Thamy Melo / Fotos cedidas por: Tamira Ferreira

Inesquecível. Para a autora desta resenha não há outra palavra que melhor descreva a mais recente passagem do Moonspell em São Paulo. Abrandados os ressentimentos pela perda da turnê de aniversário que, por conflitos com produtores, viu suas datas brasileiras canceladas no ano passado, pode-se dizer que os portugueses subiram ao palco do Carioca Club a fim de saldar a divida e entregar além do imaginado e esperado pelos fãs. O Moonspell redefiniu (ou fez relembrar) o que significa de fato a palavra “show” e trouxe um concerto regado à um bom teor de teatralidade sem exageros, protagonizado principalmente pelo vocalista, Fernando Ribeiro, inspirados por seu ultimo álbum, 1755, que conta a história do Cismo de Portugal, cantado totalmente em português. De certo, os fãs esperavam ansiosos pelo resultado ao vivo das canções do disco.

Uma pena a data ter sido em dia de semana, pois o espetáculo merecia casa cheia até a tampa! Tarefa dificil de se alcançar numa quinta feira, pós horário de pico. De qualquer forma, pouco antes das 21h um bom público se acumulava na pista e camarotes e sob a intro da nova e épica versão de Em Nome do Medo, recebeu sob grande aclamação o quinteto também formado por Pedro Paixão (teclados), Aires Pereira (baixo), Mike Gaspar (bateria) e Ricardo Amorim (guitarra). Fernando aparecia trajando sobretudo e máscara de médico da peste, segurava uma lamparina e ao decorrer da música toda a casa já estava tomada pelo clima de 1755. Na sequencia, a faixa título, In Tremor Dei e Desastre, todas do novo trabalho, fizeram descer o peso e a poética insanidade característica do Moonspell, com suas letras relativamente novas acompanhadas de perto pelos fãs em coro.

Night Eternal arrancou gritos de todos em suas primeiras notas e é sempre uma delícia ouvir os refrãos viscerais desta faixa, que foi seguida pelos hinos Opium e Awake, ambas do álbum Irreligious, clássico absoluto do grupo. A essa altura Fernando já havia enfeitiçado o público com sua simpatia e teatralidade que em nada era artificial, antes a pura expressão de sua alma artistica e carisma de frontman. Ruínas marcou mais um potente momento do set list, seguida das queridas Breath e Extintc, do album anterior de 2015.

Mas nada prepararia a todos para o que estava por vir e se enganou quem achou que o arsenal teatral do grupo tinha parado por ali. Após executada a faixa Evento, Fernando apareceu segurando uma cruz que emitia uma luz de led vermelha e a apontava para o público, ornamentando a aterradora canção Todos Os Santos, com seu refrão “Todos os santos não chegaram” cantado a plenos pulmões pela plateia.

Após alguns momentos de silencio, Fernando retornou todo vampiresco, trajado com uma capa de dar inveja ao guarda roupa de qualquer gótico presente e dedicou Vampiria à todos os vampiros e vampirelas presentes. A faixa é um clássico e é impossivel não se envolver em sua ambiência tenebrosa ou deixar de gritar junto à todos no final da faixa. Alma Mater é a gota d’água para qualquer fã que se preze transbordar, seja novo ou antigo. É o hino oficial do grupo e certamente em nenhum outro lugar do mundo, fora Portugal, é cantada com tanta devoção. Não bastasse isso, Fernando resolveu ir para o meio da galera, descendo do palco, na frente desta que vos escreve. Uma experiencia única ver, ouvir e sentir toda a energia daquele momento fluindo e estar no cerne de tudo aquilo. Repito, inesquecível. O tempo parou naquele momento do show.

Passada a euforia, e parece que premeditadamente para acalmar os ânimos, a esperada Lanterna dos Afogados, cover de Paralamas do Sucesso, maravilhou a todos com Ribeiro novamente portando a lamparina. A canção recebeu uma roupagem completamente climática que deu ainda mais sentido e profundidade à letra, combinada com a interpretação da mesma no palco, uma representação perfeita.

Chegada a hora do bis, um misto de sentimentos, por um lado tristes em saber que tudo aquilo chegaria ao fim mas na expectativa pelo que ainda estava por vir. Nenhum acorde deixou de ser aproveitado com Everything Invaded, as surpresas Scorpion Flower, com os vocais femininos cobertos pelo público, e Ataegina.

Full Moon Madness encerra de vez a noite dos fãs paulistas… e que noite, meus amigos. Memorável!

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