Livros e Publicações Preste Atenção! Reportagens Especiais Caricaturas Parceiros Destaque Coberturas Entrevistas Lançamentos Home
EPICA – TROPICAL BUTANTÃ – SÃO PAULO – SP – 10/03/2018

Postado 14 de março de 2018 às 01:32

Share |

Por Thamy Melo / Fotos concedidas por: Bárbara Martins

A essa altura não é mais necessário pontuar a posição de destaque e influência que os holandeses do Epica alcançaram no Symphonic Metal mundial, e porque não, no Metal em geral. Legiões de fãs são movidas pelo grupo todos os anos e a cada lançamento o grupo mostra sua constante evolução.

E qual outra palavra poderia definir a banda que não esta? Em todos os sentidos de sua música, sua técnica, seu visual, as letras das canções, o Epica traz em seu DNA a essência da evolução ao longo dos quinze anos de carreira. De uma atmosfera medieval, clássica e grave para uma música enérgica, de temática aprofundada que trata desde filosofia à física quantica e questões decadentes da sociedade moderna, o grupo, que parece estar longe de esmorecer, surpreende a cada lançamento e a cada turnê os fãs mostram sua devoção. Não foi diferente na data paulista para a perna brasileira da The Ultimate Principle Tour. Turnê esta iniciada em 2015 que viu um de seus primeiros shows em São Paulo e agora se encaminha para o fim novamente em terras brasileiras. Isso diz muito sobre o carinho entre banda e público, e mais uma vez não foi diferente, com fãs de diversos perfis e a maior concentração de ruivas por metro quadrado que um concerto pode ver.

Sem mais delongas, o show no Tropical Butantã não poderia ter sido menos enérgico e cativante. Como amigos de longa data, os integrantes se sentem em casa frente ao publico brasileiro, que os recebeu com gritos quase histéricos sob a Intro Eidola, para a faixa de abertura Edge Of The Blade. Para provar que este é um show que sempre vale a pena ser visto, o grupo mandou Sensorium, surpreendendo os fãs mais antigos que não se deixaram desanimar pelo som um tanto baixo. A nova Fight Your Demons, do recente EP The Solace System, deu as caras logo no começo do set e pareceu muito bem recebida por todos e uma ótima escolha por suas métricas agressivas regadas ao melhor vocal de Mark.

Unleashed veio para tirar o fôlego de todos e colocar os pulmões de Simons a prova, que tirou a canção de letra. Na sequencia Chasing The Dragon pontuou o primeiro de diversos momentos emocionantes da noite com a casa silente enquanto Simone cantava sozinha no palco seus primeiros versos. A essa altura declarações de amor da cantora para o público já haviam sido ouvidas, bem como as calorosas saudações de Jansen.

Seria bem fácil se entediar com uma música de dez minutos em qualquer set, mas não é o que acontece com os fãs do Epica. The Holographic Principle – A Profound Understanding of Reality, surpreendeu positivamente a todos pela empolgação que foi recebida em suas primeiras notas e com muitos acompanhando os coros de perto ou em extase a cada novo acorde. Ovacionados, o grupo encaixou Victims Of Contingency e a gloriosa Unchain Utopia. Para finalizar uma poderosa trinca, e como não poderia deixar de ser, a mais do que clássica Cry For The Moon, faixa que faz a Simone Simons interior de cada um aflorar,  foi cantada em uníssono pela casa, quase dispensando os vocais da cantora (como se isso fosse possível). Coroando o set regular a magnifica Once Upon A Nightmare foi um destaque a parte. Com o palco apagado, um mar de luzes iluminou a pista a pedido da vocalista, para que a acompanhassem no momento mais emocional da noite.

A marca registrada de Coen Janssen é seu bom humor, além do seu curvo teclado portátil, que possibilita que o mesmo cometa todas as peripécias permitidas a um ser humano no palco. Com muito carinho, agredeceu e interagiu com a platéia acompanhado pelo guitarrista Isaac Delahaye numa pequena brincadeira antes de Sancta Terra. Beyond The Matrix injetou ainda mais ânimo nos presentes que mesmo em pé a quase duas horas pularam durante quase toda a execução.  E pela primeira vez na vida, esta que vos fala, presenciou um circle pit em um show de metal sinfônico. Talvez por ingenuidade, fui pega de surpresa, mas todos entenderam quando Simons fez o icônico gesto com as mãos para que o publico se separasse e à primeira saraivada de riffs da Consign To Oblivion, duas grandes rodas se abriram na pista. Justo, afinal, esta é uma das mais pesadas e agressivas músicas dos holandeses, conhecida por fechar seus grandes shows.

Com mais uma apresentação impecável e para guardar na memória, o simpático grupo se despediu de São Paulo com a sensação de missão cumprida estampada no rosto e dezenas de fãs sorridentes ao redor. Um genuíno show do Epica.

 

coberturas