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ENTREVISTA – CARAHTER

Postado 28 de setembro de 2017 às 21:50

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“Nós gostamos realmente de quebrar paradigmas e não nos render a clichês. Então, temos sim um lado experimental. A gente acha que o underground deve dar essa liberdade criativa e estética para as bandas. Se as pessoas não entenderem ou não gostarem, paciência! Mas não vai ser isso que irá nos impedir de ousar musicalmente.” – Carahter

Nossos entrevistados da vez vêm das terras longínquas (bem, nem tanto) de Minas Gerais! Um dos representantes fortes do underground mineiro que não tem medo de ousar e ser experimental dentro do meio extremo. Claro, mérito aos rapazes pois entregam um trabalho de altissima qualidade e bom gosto, ressaltado pelo ultimo lançamento, Tvrvo, já resenhado aqui no site. O grupo formado por Renato (vocal), Debarry e Digo (guitarras), Grilo (baixo) e Pudi (bateria), separou um pouco do seu tempo para responder algumas perguntas e contar um pouco mais sobre a banda e o novo som. Confira!

Por Thamy Melo

HARD AND HEAVY: Em primeiro lugar, é muito bom poder falar com vocês! Pude conferir o material novo, Tvrvo, e achei o mesmo de uma classe absurda! Desde o conceito da capa que o envolve até a última música da track list. Demais mesmo. Por favor, comecem por comentar sobre o conceito por trás desse trabalho.

Carahter: O Carahter ficou parado durante um bom tempo após interrompermos as atividades em 2012. O TVRVO  é um retrato desse renascimento da banda. A vontade de tocar música pesada sem prender a rótulos e fazer as coisas do nosso jeito. Da vontade de dar esse grito primal surgiu o álbum.

HH: Quanto à capa do CD, ela é extremamente misteriosa e instigante, por ser tão abstrata e não revelar praticamente nada ao ouvinte, além de um verso na contracapa. Como foi a decisão por essa arte? O que vocês desejam expressar por ela?

Carahter: Essa arte veio de fotos reais de rejeitos de minério de barragens. São fotos feitas pelo fotografo Marcilio Gazzinelli que mostram de maneira nua e crua o resultado da exploração da natureza pela atividade mineradora. Achamos que esse conceito visual seria perfeito para captar o conceito do TVRVO.

HH: Comentem também sobre o verso citado. De onde ele surgiu?

Carahter: Na verdade é um manifesto. Nós escrevemos esse manifesto em cima da ideia do encarte e da questão da nossa mineiridade. Somos extremamente afetados, desde crianças , por essas montanhas e tudo que as cerca. Somos nascidos e criados aqui. Crescemos vendo essa exploração predatória que culminou , por exemplo, no desastre de Mariana. Esse manifesto fala sobre essas raízes e como isso se manifesta na gente, inclusive no nosso som.

HH: Vocês são mineiros, veem de uma cena underground forte e enraizada que é a cena mineira (obviamente). Uma das vias do cenário nacional que me parece mais unida do que o restante e talvez por isso a faça tão forte. O que, na opinião de vocês faz com que ela seja assim e o que difere das outras regiões, por exemplo, São paulo?

Carahter: Não sei se podemos dizer se é mais forte ou não. Mas certamente é uma cena muito criativa desde a década de 80 com a cena Metal belo Horizontina que conquistou o mundo. Acho que o fato de estarmos afastado de um grande centro como é São Paulo talvez motive as bandas a fazerem um som com mais raça e fúria.

HH: Contem um pouco sobre a trajetória do Carahter e seus membros atuais.

Carahter: Poxa, a história do Carahter é gigantesca! Hehe
Começamos em 2001 e no mesmo ano já gravamos uma demo e começamos a tocar em diversos shows por BH e toda região sudeste. Em 2002, lançamos pela Liberation Records o nosso primeiro disco “O intenso desespero sobre a decadência humana” e com esse disco nós fizemos diversas tours, inclusive uma sul americana e outra na Europa em 2004.

Em 2005 a banda terminou pela primeira vez, sendo que a maioria dos membros foi pra Los Angeles.

Em 2011, com todos de volta a Belo Horizonte, a banda retornou as atividades e gravamos três músicas novas. Nesse período tocamos diversos shows ao lado de bandas como Bring Me The Horizon, Heaven Shall Burn, Bullet For My Valetine, Ratos de Porão, Krisiun, entre outros. Em 2012, a gente iria gravar o segundo disco, mas no processo de criação do álbum, a banda se separou mais uma vez.

Dois anos depois, em 2014, fomos convidados a tocar no festival Exhale The Sound, no que seria um show de despedida. Mas gostamos tanto do processo de ensaiar e do show em si, que acabamos decidindo voltar de vez as atividades. E assim compusemos e gravamos o TVRVO e desde então estamos tocando para promover o disco.

Hoje a banda é composta praticamente toda pelos membros originais. Somos : Renato no vocal, Daniel Debarry e Digo Gazzinelli nas guitarras, Rodrigo Grilo no Baixo e Diogo Gazzinelli aka Pudi na bateria, ele que entrou no barco em 2011, mas é irmão do Digo e então acompanha a banda desde que ele era muleque.

HH: Quanto à sonoridade, vocês são conhecidos pelo toque experimental que colocam em seus trabalhos. Como vocês vêem a relação entre praticar isso no underground e a aceitação dos ouvintes?

Carahter: Nós gostamos realmente de quebrar paradigmas e não nos render a clichês. Então, temos sim um lado experimental. A gente acha que o underground deve dar essa liberdade criativa e estética para as bandas. Se as pessoas não entenderem ou não gostarem, paciência! Mas não vai ser isso que irá nos impedir de ousar musicalmente.

HH: Pude conferir uma matéria sobre o Doom Over BH, evento indepedente que ocorreu este ano, em sua segunda edição, e contou com o Carahter ao lado de outras bandas como Son Of A Witch, The Evil e Pesta. Como foi a experiencia desse festival e o que vocês sentem com relação à essas iniciativas?

Carahter: Poxa, foi incrível. O festival foi muito bem organizado e todas as bandas eram muito boas, cada qual na sua proposta. Esse tipo de iniciativa que faz o underground girar. O Faça Você Mesmo e a união. Foi uma noite muito foda, que nunca iremos nos esquecer.

HH: Para vocês, vale a pena continuar investindo nesse formato de evento tendo em mente a velha história do “publico brasileiro não comparece aos eventos de bandas autorais”? Até onde vocês consideram isso como verdade?

Carahter: Acho que comparece sim. Temos que lutar por isso. Fazer shows legais, com bandas boas, bom equipamento de som, boa divulgação. Não existe fórmula mágica. Se o show for legal, bem divulgado, tiver um preço justo, um som bom, as pessoas acabam aparecendo. Acho que tem sim muita gente querendo ouvir coisa autoral nova!

HH: O Carahter já veio para SP? Se não, existem planos? O que podem comentar sobre a agenda de shows?

Carahter: Nós já fomos diversas vezes para SP, muitas mesmo! E é sempre uma experiência incrível. Vamos voltar agora ( dia 30/09) e estamos muito animados para tocar ao lado do Basalt e do Death By Starvation na casa de show dos nossos amigos da Dissenso. Promete ser muito foda!

Temos também um show marcado para novembro em BH e estamos sempre abertos a outros convites e possibilidades.

HH: A banda nasceu enquanto a internet como meio de divulgação ainda engatinhava. Logo, os meios eram outros na época. Como vocês lidaram com essa transição e com o “boom” do streaming?

Carahter: Eis uma pergunta complexa. Quando o Carahter surgiu ainda era época da fita demo k7! Hehe

Hoje tudo é na base do streaming, o que por um lado é legal porque pessoas de todo mundo podem ouvir o disco em apenas um clique. Mas por outro lado, as pessoas se tornaram mais apáticas e não correm mais tanto atrás de sons novos.  A maior dificuldade nessa nova realidade acaba sendo divulgar o seu disco. Antes nós tínhamos mais revistas, zines, mais trocas de informação. Hoje cada pessoa é uma ilha e pra chegar nesse ouvinte distante, acaba sendo mais complicado do que era antes..

HH: E já que o assunto surgiu, divulguem-se!  Fica o espaço para deixar a mensagem que desejarem aos leitores.

Muito obrigado pela oportunidade da entrevista. É muito bom ter essa oportunidade de trocar ideias e falarmos sobre nosso trabalho. Quem puder, ouça o disco, compartilhe, mostre para os amigos. Estamos na pilha de tocar muito por aí para mostrar o TVRVO para o mundo!

 

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