Livros e Publicações Preste Atenção! Reportagens Especiais Caricaturas Parceiros Destaque Coberturas Entrevistas Lançamentos Home
VITAL REMAINS – CLASH CLUB – SÃO PAULO – SP – 13/07/2017

Postado 24 de julho de 2017 às 22:53

Share |

Por Thamy Melo / Fotos por: Leandro Cherutti

Até então conhecido como “Dia Mundial do Rock”, o treze de julho muito comentando em redes sociais entre ouvintes do estilo, cedeu lugar ao “Dia Mundial do Brutal Death Metal”. Sim, não façam essa cara de interrogação pois a explicação é simples: Quer queiram, quer não, os norte americanos do Vital Remains fizeram a terra tremer neste icônico dia e se provaram merecedores de tal façanha.Brincadeiras à parte, o dia foi marcado por um festival para os fãs do underground na tradicional Clash Club, que nos ultimos anos se tornou o templo do metal extremo em São Paulo. E para deixar a noite mais completa, três bandas fizeram parte do evento, sendo elas, ColdBlood, do Rio de Janeiro, e as paulistas Justabeli e NervoChaos.

Sem atrasos, os cariocas tomaram o palco sem cerimônias e surpreenderam quem ainda não os conhecia. Som atrás de som (ou tiro atrás de tiro, como queiram), o trio formado por Diego Mercadante (vocal e guitarra), Markus Couttinho (bateria) e Raphael Gabrio (baixo) aqueceu uma Clash ainda timida mas que se fez presente no show da abertura. Em quarenta minutos, o ColdBlood destilou músicas de diversos momentos da carreira, entre elas Anthropomorphic Idolatry, Darkness Above The Firmament, Sulphhur e Metastasis (Christ). Alguns minutos separaram esta da faixa Kristophobia, pois o pedestal do microfone de Diego arregou e quebrou o pé (coitadinho) tamanha violencia sonora que vinha daquela garganta. O grupo fechou com a porrada Anti-Crusade (To Destroy The Holy Graal) e com certeza levou para casa mais um punhado de fãs.

O Justabeli está na estrada desde 2001 e de lá pra cá tem diversos materiais lançados do mais puro Death/Black Metal blasfemo. E os caras não deixaram por menos no palco da Clash, War Pheris (baixo e vocal), Blasphemer (guitarra) e Morbus Deimos (bateria) ofereceram uma ótima performance para os presentes. Entre as faixas executadas, figuraram principalmente do álbum de 2015, Cause the War Never Ends…, como  Soldiers Of Satan, We Are The Elite e War Crime. O grupo também lançou este ano o EP Blast The Defector e faixas como The Worst Of Fire Storms, Ad Bellum et Gloria e Parabellum, presentearam os fãs com uma chuva de blast beats regados ao brutal vocal de War Pheris.

Última convidada da noite, o NervoChaos dispensa apresentações. Liderado pelo baterista Edu, hoje o grupo conta em sua formação com Lauro ‘Nightrealm’ na dupla função de vocais e guitarra, Thiago ‘Anduscias’ no baixo, a poderosa Chery na guitarra e o mais recente álbum Nyctophilia (2017). O quarteto paulista preparou um setlist mortal que visitou diversos álbuns dos quinze anos de carreira da banda além de faixas do novo trabalho como Moloch Rise e Ad Majorem Satanae Gloriam. Hinos maléficos não faltaram para satisfazer a sede dos fãs, em crescente agitação na pista, que não se fizeram de rogados durante as faixas Infernal Words, For Passion Not Fashion, Total Satan e Pazuzu Is Here. Um funesto cover para Bewitched, do icônico Candlemass, mestres do Epic Doom Metal, surpreendeu a todos quando tocado magistralmente no meio de From Below And Not Above, e como não poderia deixar de ser Pure Hemp encerrou o setlist que deixou a Clash fervendo.

Após alguns ajustes que pareciam nunca ter fim, o Vital Remains estava pronto para trazer o inferno à Terra líderados pelo isano vocalista Brian Werner. Sim, sabemos que o líder da banda é ninguem menos que o guitarrista Tony Lazaro, mas a presença e performance de Werner não deixam duvidas que o mesmo veio para ficar e fazer o diabo à frente dessa banda. Para terminar de compor o grupo, temos o baixista Gaeton Colier, que acompanha Brian na dupla de vocais guturais mais insana que já se viu, o baterista-mãos-de-metralhadora Eugene Ryabchenko e Dean Paul Arnold, guitarrista, que há dois anos tocava em seu primeiro show com o Vital Remains aqui em São Paulo. Sem muitas novidades no setlist desde a última passagem por aqui, a abertura Where Is Your God Now? saudou os fãs com o vocalista que trazia uma biblia em chamas nas mãos. O suficiente para colocar fogo no público, era dada a largada para a insanidade com Icons Of Evil e o mosh de Brian na galera com microfone e tudo urrando os primeiros versos da canção.

Erá notavel que algo estava errado no palco logo após a primeira música e após uma pausa, se conferiu alguma queda de energia nos equipamentos de Dean. Situação resolvida rapidamente, enquanto o vocalista distraia os fãs trocando algumas palavras com os mesmos. Apesar de se mostrar insano e agressivo o frontman sabe como levar o público, e mesmo soltando provocações, agradeceu diversas vezes e exaltou as bandas que dividiram o palco naquela noite. O inferno seguiu com Scorned, outro hino, e pela proxima hora o grupo não pouparia brutalidade na sequencia que se estabeleceu: Porrada no palco, Brian enlouquecido queimando biblia e abrindo rodas. Sim, quem abriu praticamente todas as rodas da noite foi o vocalista da banda, depois de muito provocar os fãs e pedir por elas. Que vergonha headbangers! Afinal, para as faixas, Forever Underground, Hammer Down The Nails e Dechristianize que sinalizam o final do set, o pessoal resolveu abrir a roda sem apelos e fechar dignamente um show que sempre vale a pena ser visto.

Com promessas de breve retorno e um novo álbum vindo por aí, os norte americanos encerraram mais uma apresentação cheia de profissionalismo e técnica, com aquela dose absurda de brutalidade do jeito que o diabo gosta. Hail!

 

coberturas