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ENTREVISTA: MAX CAVALERA – Soulfly & Cavalera Conspiracy

Postado 30 de agosto de 2012 às 17:13

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Por Luciano Piantonni

Depois de lançar o álbum mais brutal de sua carreira, Enslaved (2012), o Soulfly finalmente  reencontrou a fórmula da agressividade – na verdade os dois álbuns anteriores, Conquer (2008) e Omen (2010) já eram excelentes – mostrando que seu líder, Max Cavalera (guitarra e vocal) está em ótima forma, como nos velhos tempos de Sepultura.

Aproveitamos uma brecha na Maximun Cavalera Tour (onde o Soulfly toca com as bandas dos filhos de Max – Igor e Zyon no Lody Kong, e Richie, no Incite), e conversamos com Max, que falou sobre Enslaved, novos projetos e a próxima tour no Brasil, que acontece em novembro. Confira!

Enslaved é um dos álbuns mais porradas da discografia do Soulfly. Como foi a concepção dele?

Max Cavalera: A idéia de conceito de Enslaved já tem mais de 15 anos. Eu pensei nisso quando estava compondo o primeiro álbum do Soulfly. A ideia era fazer algo mais pesado que todos. Brutalidade ao extremo!

 

World Scum é a faixa de abertura e assusta pela sonoridade quase Black Metal (graças aos blast beats de David Kinkade), mostrando um Soulfly que até então as pessoas não conheciam.  Como foi que surgiu essa música?

Max Cavalera: Eu escrevi o primeiro riff da música em uma demo, em 4 canais, e depois levei ela para o estúdio e disse ao David que gostaria que ele criasse algo bem veloz nos dois bumbos. Algo como Morbid Angel ou Gojira.

 

Plata O Plomo é interessantíssima e mistura vocais em português com os de Tony Campos (baixista), em castelhano. Pretende criar mais sons como esse?

Max Cavalera: Eu sempre gosto de cantar em português. Grande parte das minhas músicas favoritas são em português, como Ratamahata, Porrada, Brasil, etc…

 

A capa de Enslaved é linda e nos remete ao Chaos A.D. e ao mesmo tempo, ao tipo de arte que o baterista do Voivod, o Away, faz. Como você chegou até o artista brasileiro Marcelo Vasco?

Max Cavalera: Dave estava em contato com o Marcelo, através da internet. Pude conhecer um pouco de sua arte e gostei. Além disso, é ótimo trabalhar com um brasileiro. E ele é ótimo!

Como está sendo a tour de Enslaved? Quantas músicas dele vocês estão tocando?

Max Cavalera: A turnê está indo muito bem. Estamos tocando cinco músicas do Enslaved; World Scum,  Intervention, American Steel, Plata O Plomo e Revengeance.

 

E como é fazer uma tour tocando ao lado das bandas de seus filhos?

Max Cavalera: É um sonho que virou realidade! Muito foda tocar a tour inteira, e ter os meninos abrindo dos shows nas viagens pelos EUA.É incrível!

 

Falando nisso, como é ver esses meninos todos envolvidos com a música? Você os incentiva?

Max Cavalera: Sim, e eu vejo a fome deles pela música. Eles trabalham duro, realmente. É difícil e eles se empenham. No caso do Richie (vocalista do Incite), ele sabe que é difícil ser um líder, mas ele faz um excelente trabalho.

Esse ano, quando esteve no Brasil com o Soulfly, você disse que está pra sair uma biografia sua. Conte um pouco sobre como será esse livro.

Max Cavalera: O livro ainda está está sendo finalizado. Ele será lançado no ano que vem, que é a ocasião perfeita, quando o Sepultura completará 30 anos, tempo que estou na ativa.

Voltando a falar do Brasil; como foi voltar depois de tanto tempo? O que você achou do show de São Paulo na Via Marquês?

Max Cavalera: O show de São Paulo foi incrível! Uma das melhores plateias de toda minha vida! Eles foram agressivos, cantando todas as músicas. Foi realmente incrível retornar ao Brasil!

 

Você teve sérios problemas com uma paralisia facial no começo deste ano. Já está totalmente recuperado?

Max Cavalera: Sim, tudo está bem! Estou 100% curado e pronto para tocar tranquilamente. Foi um puta susto, mas estou feliz que acabou. Quero aproveitar para agradecer a todos que se preocuparam com minha saúde. Obrigado!

Você tem ideia de lançar algum disco em 2013? (digo, Cavalera Conspiracy, ou até mesmo o Nailbomb…)

Max Cavalera: Eu tenho um projeto com Greg Puciato (Dillinger Escape Plan), Dave Elitch (Ex-Mars Volta) e Troy Sanders (Mastodon). Vai ser um álbum doentio e pesado, no melhor estilo Nailbomb!

 

Max, você é indiscutivelmente um dos maiores nomes do Metal mundial. No Brasil, então, é sem dúvidas, disparado. Como você enxerga isso?

Max Cavalera: Eu sou orgulhoso de tudo o que consegui. Eu tenho ótimas pessoas trabalhando ao meu lado. Minha esposa Gloria é a melhor manager do mundo inteiro e nós temos uma equipe maravilhosa ao nosso lado. Não penso muito sobre ser ou não um ícone.

Outros dois nomes que até poderiam chegar perto do que você representa, aqui no Brasil, são, André Matos e Andreas Kisser (Sepultura). Você não acha um desperdício você e Andreas não estarem tocando juntos?

Max Cavalera: Eu e o Andreas criamos grandes álbuns juntos, mas eu acho que também tenho um grande cara ao meu lado que é o Marc Rizzo (guitarrista do Soufly e Cavalera Conspiracy), com o qual sempre estou criando músicas excelentes.

Os fãs brasileiros estão em êxtase com o anúncio dos shows entre Cavalera Conspiracy, Slayer e Mastodon, em novembro. Quais as suas expectativas?

Max Cavalera: Vai ser uma ótima tour. Eu e o meu irmão (Iggor Cavalera) estamos prontos para detonar tudo no melhor estilo Cavalera de ser – ao lado dessas grandes bandas. E também vamos tocar sozinhos em algumas cidades do Brasil (com bandas locais na abertura).

Para encerrar, você disse que gostaria de visitar o país com mais regularidade. Por quê demorou tanto para você voltar?

Max Cavalera: Tudo acontece na hora certa. Eu levei um longo tempo para retornar ao Brasil com minhas bandas, porque talvez não fosse o momento certo. Mas agora estamos de volta, e pode ter certeza que será intenso!

 

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