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CD: MESHUGGAH – THE VIOLENT SLEEP OF REASON

Postado 9 de fevereiro de 2017 às 12:55

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The Violent Sleep Of Reason
Meshuggah
Shinigami Records – Nacional

 

Somente o fato de este ser um CD gravado praticamente ao vivo no estúdio e se tratando do som complexo e matemático praticado pelo Meshuggah, o trabalho já seria digno da nota máxima. Mas como não é só disso que um disco é feito vamos a um resuminho do novo trabalho dos suecos após um intervalo de quatro anos.

A demora entre um álbum e outro é sempre bem justificada quando do lançamento de cada trabalho do Meshuggah, que oferece aos ouvidos dos fãs aquela singular e complicada enxurrada de linhas de guitarra combinadas com uma bateria esmerada e poderosa, acompanhada de perto pelo ostensivo trabalho de baixo, cheio de distorção. Sem deixar de lado o potente, agressivo na dose certa, vocal de Jens Kidman.

Como não poderia deixar de ser, The Violent Sleep Of Reason, é a ordem no meio do caos e dele se pode esperar duas reações: Um mosh violento ou uma abstração hipnótica. Clockworks abre o tracklist com sete minutos e prepare-se para sentir seu cérebro fritar no meio da complexa e pesada rifferama.  Neste trabalho os suecos resumiram quase tudo que compõe seu estilo: timbres sempre pesados, arrastados, investidas constantes de guitarra e baixo que não se deixam prolongar por muito tempo para dar lugar à próxima que é sempre surpreendente, não há muito espaço para melodias mais fluidas. Entretanto a faixa Monstrocity, é a mais acessível do álbum para ouvidos não acostumados ao som dos suecos e evoca facilmente a sonoridade do Slayer com certa “progressividade”. Nessa conta podemos colocar o teclado adicionado ao final de Stifled ligado à próxima faixa Nonstrum, que dá certo respiro ao ouvinte, somente para puxá-lo para baixo novamente. Born In Dissonance leva fácil o título de melhor do álbum e traduz com fidelidade o estilo do grupo, uma dissonância e falta de simetria totalmente intencionais e encaixadas de forma magistral. As demais faixas se apresentam bem sólidas à sua maneira, sem grandes inovações (o que não é um problema aqui), mas sem deixar de nos fazer sentir como se estivéssemos em meio ao caos e desolação, exatamente os sentimentos traduzidos pelas letras das canções que versam sobre o colapso da sociedade atual.

Os fãs têm em mãos uma das melhores e essenciais obras do Meshuggah, produzido numa qualidade não vista antes e com uma sonoridade que mesmo complexa soa orgânica, e isso é o mais impressionante sobre este trabalho. Sem dúvida, um item obrigatório na lista dos amantes da música extrema.

 

Thamy Melo

 

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