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ENTREVISTA – FERNANDO LIMA – DROWNED

Postado 12 de janeiro de 2017 às 16:12

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“Atualmente temos 11 músicas novas e em fase de pré-produção. Este tempo foi bom par reciclar as ideias e adquirir novas influências para compor um novo álbum diferente do anterior. – Fernando Lima

Direto de Belo Horizonte, o Drowned é um dos nomes mais influentes do Death/Thrash nacional do final dos anos noventa e segue ha duas décadas na ativa. O último lançamento de inéditas do grupo foi em 2012, e para falar um pouco sobre o que o quinteto tem feito de lá para cá, o vocalista Fernando Lima respondeu algumas perguntas para o Hard And Heavy, que podem ser conferidas a seguir.

Por Thamy Melo

HARD AND HEAVY: Vamos começar falando sobre o atual momento da banda. Quais atividades o Drowned tem realizado?

FERNANDO LIMA: Estamos trabalhando em novas músicas para o próximo álbum. Entramos em estúdio para fazer uma pré-produção para testar alguns arranjos e deixar tudo certo para quando retornarmos ao estúdio para as gravações definitivas do álbum.
Em paralelo, estamos fazendo alguns shows e tocando as novas músicas. Isto está sendo bom para vermos como cada música soa ao vivo.

HH: Bonegrinder, o debut do grupo, foi relançado pela Cogumelo Records numa edição especial com bônus tracks que não são nada menos que o EP Back From Hell. Como surgiu a decisão de relançar o trabalho e porque esse EP foi escolhido? Alguma razão em especial?

F: O Bonegrinder já estava fora de catálogo há alguns anos. Foi um álbum que vendeu muito na época e depois de alguns anos sumido das prateleiras as pessoas começaram a procurar por ele e pelo EP “Back From Hell” que também não estava mais disponível. Em 2016 o Bonegrinder completou 15 anos de lançamento e a gravadora Cogumelo relançou em um formato digipack com material gráfico extra e o EP “Back…” como bônus, já que foram lançados praticamente no mesmo período.

HH: Do último lançamento de inéditas, no caso o Belligerent – Part One: The Killing State of the Art (2012) para cá, vocês chegaram a compor algum material novo? Ou ainda estão colhendo os frutos desse trabalho?

F: Estamos em processo de composição do novo álbum. Atualmente temos 11 músicas novas e em fase de pré-produção. Este tempo foi bom par reciclar as ideias e adquirir novas influências para compor um novo álbum diferente do anterior.

HH: Esse lançamento de 2012 teve um predecessor, no caso o Belligerent – Part Two… (2011). Por que essa inversão de sequencia nos títulos?

F: Na verdade, a estratégia inicial de lançamento destes álbuns era lançar o Belligerent – Part One… virtual para download free em nosso site e o Belligerent – Part Two… (2011) em CD pela Cogumelo. No início foi assim, mas depois que o Fernando Roberto da gravadora portuguesa Metal Soldiers Records ouviu o álbum “Belligerent – Part One” perguntou se gostaríamos lançar na Europa. Achamos uma boa oportunidade e ele acabou sendo lançado em CD também. Por isto, o “Parte Two” foi lançado em CD primeiro.

HH: E daqui para frente, quais os planos para a curto prazo? Os fãs podem esperar algum trabalho com inéditas para 2017?

F: Sim, é o que eu espero… rs… Estamos nos preparando para isto. Acho possível sim o álbum sair em 2017. As músicas estão prontas. Talvez façamos mais umas três ou quatro, mas a maioria do álbum já está composto. Estou trabalhando da identidade visual do álbum. Desta vez pretendo usar o computador o mínimo possível, mas sem ficar Old School.
Alguns shows que surgirem neste período nós faremos.

HH: Todos os trabalhos de vocês estão disponíveis para que o público possa adquirir? Quais meios devem procurar?

F: Infelizmente nem todos estão disponíveis. O Bonegrinder + Back From Hell está disponível, pois foi relançado. O Belligerent – Parte Two… e o Butchery Age também estão disponíveis.
Quem quiser adquirir pode procurar as lojas virtuais ou físicas especializadas. 

HH: Qual a opinião de vocês sobre toda a facilidade disponível atualmente para se fazer e principalmente distribuir musica? Por exemplo, os serviços de streaming como o Spotify. Pude verificar e vi que há pouco material de vocês lá, existe alguma razão especial para isso?

F: É o progresso. A tecnologia facilita o modo de trabalhar as músicas e otimiza o tempo dos músicos e consequentemente economizam dinheiro também.
Sobre o streaming, sei que ainda dá prejuízo ou nenhum lucro para quem está envolvido diretamente com a música, mas como divulgação pode ser um bom meio. Dizem que futuramente será bom para todos… Quem sabe? Sei que estão nos ouvindo cada vez mais no Spotify.
Na maioria dos casos entra no Spotify ou em outro meio de streaming os álbuns em catálogo. Como só temos três álbuns no mercado atualmente, eles é que estão disponíveis nos meios de música on line.

HH: Vocês estão na estrada há praticamente vinte anos, quais as principais mudanças que o Thrash/Death Metal nacional sofreu e tem sofrido no decorrer de todo esse tempo?

F: A música extrema brasileira hoje está parada no sentido cultural. As novas bandas não produzem mais novidades que oxigenam a cena para dar longevidade ao movimento. Não somos mais fortes como na década de 80 porque não inovamos como na década de 80. O mesmo vale para outras décadas. Não adianta fazer som datado porque cada onda do Metal foi boa para sua própria época. O que acontece com a cena brasileira agora é que seu público está envelhecendo. O Metal do Brasil não atrai mais a molecada. Isto que falei pode gerar polêmica, mas se você consegue contar nos dedos quantas pessoas com menos de 16 anos gostam de Metal underground, o que falei está certo.

HH: A cena mineira possui uma identidade muito forte, o que vocês comparam com a cena paulista?

F: A cena mineira foi desenvolvida com o foco na vertente mais extrema do Metal. Acredito que isto tenha deixado o Metal mineiro com personalidade mais forte, mais agressiva e como o Metal extremo na época também estava crescendo mundo afora, a maioria das bandas de Minas se destacaram. Em São Paulo também tivemos grandes nomes e muita variedade de estilos de Metal. Isto com certeza era um ponto positivo da cena paulista.

HH: Vocês possuem uma boa experiência no exterior, com turnês , o público e o próprio mercado internacional. Quais as principais diferenças entre o cenário nacional e o de fora?

F: O público varia muito de país para país. Tocamos para plateias mais calmas e para outras muito insanas. É bem diversificado. Quanto aos shows, pela experiência que tenho, vi que a única diferença é que o Metal na Europa é profissional de verdade. Acontecem imprevistos, problemas e erros como qualquer outra coisa que envolve pessoas, mas a porcentagem de honestidade na relação comercial entre bandas e promotores de tour é muito alta. Eles fazem tudo para as coisas darem certo e a banda se apresentar da melhor maneira não só em respeito à banda, mas também em respeito ao público que pagou para ver um bom show.

HH: Para finalizar, nosso muito obrigado pelo tempo de vocês e o espaço final para deixarem uma mensagem aos nossos leitores.

F: Eu é que agradeço. Obrigado pelo interesse e pelas perguntas.
Você que está lendo esta entrevista, não deixe de conferir nossa página no facebook: facebook.com/drownedmetal. Em breve postaremos mais novidades sobre o novo álbum.

 

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