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CD: METALLICA – Hardwired… to Self-Destruct

Postado 7 de dezembro de 2016 às 16:36

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METALLICA

Hardwired… to Self-Destruct

Blackened – Importado

O décimo álbum do Metallica chega – como sempre – dividindo os fãs (e haters de plantão!), gerando as mais diversas opiniões – as redes sociais são o maior reflexo disso! Uma coisa é fato; O Metallica se superou, e por mais que as viúvas de “Kill/Ride/Master” se esforcem em procurar argumentos, “HTSD” é um disco surpreendente! Para aqueles que achavam que isso não seria possível, que eles não fossem capazes de fazer mais nada relevante, o quarteto felizmente prova o contrário.

Relutei em fazer essa resenha, pois não queria que o “lado fã” chegasse na frente, e após dias e mais dias ouvindo “HTSD”, resolvi colocar minhas impressões nesse relato.

A produção de Greg Fildeman, Lars Ulrich e James Hetfield, é disparada a melhor desde o “Black Album” de 1991 (Greg já produziu bandas como Slipknot, Slayer Life Of Agony, além de ter feito sido engenheiro de som, e ter feito mixagem para inúmeras outras, como U2, Audioslave, e até o próprio Metallica!). O disco foi todo gravado nos estúdios da banda, o “HQ”, em San Rafael, California – “soluções caseiras” que fizeram a diferença!

Como “HTSD” é duplo, melhor colocar um “faixa-a-faixa” e dar uma geral em cada uma das 12 composições;

 

Disco 1

-HARDWIRED (3min 9seg): Rápida, direta, e curta. Um excelente cartão de visitas (que ao ser o primeiro single do disco, causou um estardalhaço na comunidade metálica…). Além da “velocidade” dos bumbos, outra surpresas para os fãs é a duração, tão acostumados às longas músicas de “Death Magnetic” (08), “…And Justice For All” (88)…

-ATLAS, RISE! (6min 29seg): A segunda abre com um certo ar “…And Justice For All” (88), mas descamba para partes mais cadenciadas/ e até quebradas. Num primeiro momento é mais difícil de ser digerida. O trabalho de guitarras é excelente. Aqui a duração já volta ao “padrão Metallica” de ser…

-NOW THAT WE’RE DEAD (6min 59seg): Quando você acha que o disco será na linha das duas anteriores, a banda surpreende e apresenta um tema mais na linha de “Load” (96), principalmente na hora do refrão, onde James Hetfield canta de forma mais melódica – ainda que isso aconteça ao longo da música. Cadenciada e bastante cativante.

-MOTH INTO FLAME (5min 51 seg): Essa foi o segundo single de “HTSD” e é na linha de discos como “…And Justice For All” e “Death Magnetic”, com um refrão que lembra o Trivium (!) do álbum “The Crusade” (06) – que nessa época muitos viam como um clone do Metallica… O trabalho de guitarras é fantástico com algumas partes que lembram a maior inspiração da banda, a NWOBHM.

-DREAM NO MORE (6min 30seg): Misture as músicas “Sad But True” + “The Thing That Should Not Be” + algumas linhas vocais do “Load” = “Dream No More”. É a mais pesada e arrastada do disco. Num primeiro momento, não a digeri muito bem, mas logo fui entendendo sua força, e já posso imaginar ela num dos pontos altos do show (entre as musicas novas). Arrisco até a dizer que em breve será um novo clássico a banda.

-HALO ON FIRE (8min 15 seg): Uma das mais longas do disco, “Halo On Fire” fecha o primeiro disco com partes que mesclam o “velho e o novo” Metallica. Diria que desse primeiro disco é minha preferida (no momento!), com guitarras dobradas ao melhor estilo NWOBHM. Essa é outra que espero que eles toquem ao vivo. Refrão cativante e Kirk Hammett em sua melhor forma – inclusive no disco.  Quando ela chega aos 5min e 45seg, traz ares de “Master Of Puppets” (o disco, de 1986). Que final maravilhoso!

 

Disco 2
-CONFUSION (6min 41seg): O segundo disco abre com essa música que num primeiro momento lembra (e muito!) “Am I Evil?” (do Diamond Head, que nos anos 80, pensava ser do Metallica, já que eles têm essa coisa de “pegar pra si” os covers que tocam, tamanho o carisma do quarteto californiano!). Essa também é mais cadenciada, com partes bem legais – com momentos onde até lembram o “Black Album” (91).

-MANUNKIND (6min 56seg): “ManUNkind” é uma das que mais se aproxima da fase “Load/Reload” (96/97), flertando com o “Hard”. O destaque são alguns riffs total “anos 70”.

-HERE COMES REVENGE (7min 18seg): Assim como a anterior, essa começa mais cadenciada (mais “Hard), na linha dos já citados discos da segunda metade da década de 90…

-AM I SAVAGE? (6min 30seg): Essa talvez seja a mais “morna” de “HTSD”, e assim como as duas anteriores, dão uma quebrada no andamento do disco…

-MURDER ONE (5min 45seg): Uma bela homenagem ao saudoso Lemmy Kilmister, citando alguns clichês de seu universo, como o bordão “Born To Lose, “Living To Win” usado no refrão. Apesar de também ser cadenciada, é claramente mais “suja” e mais “heavy”.

-SPIT OU THE BONE (7min 9seg): De forma surpreendente, “HTSD” fecha com a porrada “Spit Out The Bone”, disparada a melhor do segundo disco (E DE “HTSD” INTEIRO!), relembrando “Dyers Eve” do “…And Justice For All”, até mesmo, “Damage, Inc.” do “Master Of Puppets (86). Uma excelente “homenagem” aos quatro primeiros álbuns da banda – só quero ver como o Lars Ulrich fará para a tocar ao vivo (caso seja escolhida para entrar no setlist…)

 

Enfim, valeu a pena a espera, já que os caras não economizaram esforços em “HTSD”. Em termos de talentos individuais; James Hetfield continua sendo um dos maiores “frontman” do planeta, e um dos maiores “riffmakers” de todos os tempos – e em sua melhor forma vocal (ao menos em estúdio!). Kirk Hammett não se destaca (como sempre!), mas também não compromete. Sua marca é o pedal “wha-wha” (Cry Baby), se deixar ele usar, tá bem (…). Robert Trujillo embora seja um monstro no baixo, como já se sabe, no Metallica é um “músico de luxo”, pois poucas vezes tem suas partes destacadas. E por fim, com seu jeito peculiar de tocar, Lars Ulrich mostra, eu diria, uma bela evolução.

A produção é realmente animalesca, com tudo muito bem definido, onde arrisco dizer que a bateria está um pouco mais acima, com os bumbos dando aquela impressão de “porrada no peito” (e nos tímpanos!)

Com artes da capa diferentes (São 4, nas versões em CD e LP), “HTSD” traz um terceiro disco onde se encontram versões de tributos (Dio, Iron Maiden e Deep Purple), músicas ao vivo e a maravilhosa nova “repaginada” de “Lords Of Summer”, inicialmente lançada em 2014, especialmente feita para a tour “By Request” – que recebeu novos arranjos na letra e em algumas partes (além da produção!).

Vale lembrar que TODAS as músicas de “HTSD” possuem videoclipes, mostrando um Metallica 100% conectado com as redes sociais – com ações dignas de mestre por parte do marketing. Nada mal para aquela banda, que nos idos dos anos 80, relutava para lançar material em vídeo…

Luciano Piantonni

 

*Assista os 12 videoclipes de “Hardwired… to Self-Destruct” + o clipe de “Lords Of Summer”:

 

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