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ENTREVISTA – LOBOTOMIA

Postado 6 de dezembro de 2016 às 23:18

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“A formula é o tesão de tocar. Não temos a intenção de sermos populares ou celebridades, fugimos de situações como estas. A única intenção nossa é fazer mais shows o ano que vem e talvez outra tour pela Europa em 2017.” – Lobotomia.

Chutando o traseiro do teste do tempo, o Lobotomia, tradicional banda do underground paulista, chega às portas de 2017 com um novo trabalho, uma sonoridade afiada como nunca e mais de trinta anos de estrada na bagagem, com direito a extensas turnês europeias na conta e uma sólida base de fãs por lá. Para falar um pouco mais sobre tudo isso, o grupo respondeu algumas perguntas e expressou opiniões sem medo, o que você pode conferir logo abaixo.

Por Thamy Melo

HARD AND HEAVY: Em primeiro lugar é muito bacana poder falar um pouco com vocês!  Falem sobre como tem sido os últimos meses para o Lobotomia após o lançamento de Desastre.

Lobotomia: Tem sido legal, temos recebidos bons elogios sobre este novo álbum.

HH: O grupo passou por diversas mudanças de formação e atualmente o único membro original é o baterista Grego. Em que todas essas mudanças implicaram no resultado final dos trabalhos após a volta à ativa com o álbum Extinção e agora, com o Desastre?

Lobotomia: Os integrantes fazem a diferença na hora de gravar um álbum novo, o momento a cabeça de cada um. O Extinção foi praticamente a formação do Nada É Como Parece, só o baixista não era o mesmo, mas talvez seja o pior disco da banda por vários motivos. Já o Desastre foi bem diferente, nos divertimos na gravação que foi bem tranquila e por isso acho que o resultado foi bom e alem disso gravamos como o nosso amigo e produtor Michel Kuaker do estúdio Wah-Wah, que destruiu nas gravações.

HH: Apresentem os membros atuais e um breve histórico de cada um.

Lobotomia: A formação atual é: Edu (vocal), Guilherme (guitarra), Daniel Brita (baixo) e Grego (bateria). O Edu era vocalista da banda Diskarrego, já o Guilherme não tinha banda antes de entrar para o Lobotomia e o Brita já tocou em várias bandas como PigSoul, Mão Santa entre outras.

HH: Vocês fizeram extensas turnês europeias entre os lançamentos de ambos os trabalhos, certo? Foram quantas e em quais períodos? Contem um pouco sobre elas.

Lobotomia: Fizemos 3 turnês, 2009, 2011 e 2015. O Lobotomia tem muitos fãs pela Europa da Finlândia a Portugal e agora recentemente fizemos uma tour pelo México em setembro de 2016 e foi massa, os mexicanos conhecem muitas bandas do Brasil como Ratos de Porão, Cólera, Olho Seco, entre outras. O pessoal cantava as musicas do lobotomia nos shows pois conheciam quase todas as musicas da banda.

HH: Quais as diferenças mais gritantes entre fazer turnês em casa e na Europa?

Lobotomia: Tudo lá (Europa) é diferente, eles dão mais valor, mesmo cantando em português, compram CD’s, camisetas, tudo de merchandising eles consomem e até compram para os amigos que não puderam comparecer no show e claro, a organização e totalmente diferente.

HH: Alguma curiosidade ou fato inusitado que vale a pena ser citado sobre as turnês?

Lobotomia: Nos day offs sempre surge uma oportunidade de conhecer o lugar aonde estamos porque é difícil fazer um turismo quando em tour pois as datas não permitem. Mas em um desses day offs, estávamos em Ávila (uma cidade muralhada) na Espanha, um lugar muito legal para se conhecer, pois tem muita história um lugar desses. O Bom de viajar é que você conhece muitas pessoas em vários países e quando você volta para estes lugares sempre pode contar com eles.

HH: Como foi a transição com a saída do Markon e a escolha de Edu? Como essa mudança impactou os trabalhos vocais do Lobotomia?

Lobotomia: Não tivemos muito problema com a transição porque o Edu já veio com idéias novas que se integraram perfeitamente com as idéias da banda. Talvez esta seja a melhor formação da banda tirando a formação original de 1985.

HH: Sob a visão de vocês as mesmas criticas sociais sobre as quais vocês escreviam e cantavam trinta anos atrás ainda permeiam a sociedade atual? Alguma coisa melhorou, ou até mesmo piorou?

Lobotomia: Nada mudou, a corrupção continua a mesma, a ganância só aumentou, o ódio, a intolerância só aumentaram, a aparência e o dinheiro são o álibi de muitas pessoas.

HH: E sobre a cena Hardcore, o que mudou? Enxergam essas possíveis mudanças como boas ou ruins?

Lobotomia: Acho que tem muitas bandas novas acontecendo mas ao mesmo tempo muitas panelinhas, são sempre as mesmas bandas em festivais (parece um capitalismo alternativo), mas acredito que a tendência é melhorar.

HH: Qual mercado mais tem sido promissor para a banda desde a sua volta? O brasileiro ou o internacional?

Lobotomia: Lá fora com certeza, eles são mais conscientes.

HH: O nome do Lobotomia já está há muito marcado no cenário nacional e é um dos nomes ícones do estilo de sua época. Por estar na ativa a tanto tempo e ainda dando frutos, mesmo com o  passar do tempo e as evoluções naturais que as bandas passam, qual é a fórmula de vocês para manter essa identidade, o peso do nome de vocês? Existe alguma intenção de mudança futuramente ou pretendem se manter fieis às raízes de seu som?

Lobotomia: A formula é o tesão de tocar. Não temos a intenção de sermos populares ou celebridades, fugimos de situações como estas. A única intenção nossa é fazer mais shows o ano que vem e talvez outra tour pela Europa em 2017.

HH: Especificamente para o Desastre, em que aspecto social vocês se inspiraram para escrever as letras?

Lobotomia: A ganância do ser humano, o problema do “apenas eu e foda-se os outros”, a falta de justiça (a verdadeira justiça).

HH: Como vocês administram o processo de composição? Existe alguma diretriz por parte do Grego talvez, ou tudo é distribuído igualmente, digamos, entre os membros?

Lobotomia: Normalmente alguém aparece com uma idéia e nós trabalhamos em cima dela mas sempre com a aprovação de todos e as letras também é feito assim.

HH: Quais os planos daqui para frente e no que estão trabalhando atualmente?

Lobotomia: Ainda estamos fazendo o lançamento do Desastre e para 2017 uma nova tour pela Europa fazendo o lançamento do álbum novo.

HH: Agradecemos muito o tempo de vocês e fica o espaço para que deixem algum recado aos nossos leitores.

Lobotomia: Agradecemos ao Hard And Heavy pela oportunidade de poder divulgar o nosso trabalho  e desejamos a todos que não desistam dos seus sonhos apesar do resto ser contra. Abrs, Lobotomia.

 

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