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Entrevista: Francisco Stanich – BLACKNING

Postado 27 de outubro de 2016 às 13:36

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“(…) Estamos trabalhando muito e forte com a banda, viemos de outras experiências e utilizamos isto de uma forma que agregue para a banda, ficamos muito felizes com o retorno que estamos tendo, mas estamos cientes que a banda ainda é nova e que temos muito trabalho a fazer e muito o que evoluir – Francisco Stanich

Com o segundo disco lançado, os paulistas do Blackning estão a todo vapor com a divulgação de ALieNation, quebrando tudo ao vivo em diversas cidades brasileiras e sem parar por aí. Ao que parece o finalzinho de 2016 e o próximo ano ainda prometem muita coisa para o power trio, que segundo a mídia especializada (e qualquer um que tenha bom senso), está se consolidando um dos principais nomes do Thrash Metal nacional. Para falar um pouco mais sobre isso o baixista Francisco Stanich, que já passou pelo Woslom, nos presenteou com um tanto do seu tempo e simpatia, e posso adiantar, deixou claro: o Thrash não pode parar!

Por Thamy Melo

HARD AND HEAVY: Antes de mais nada já agradeço pelo tempo de vocês em responder a nossa entrevista. É sempre uma honra e uma grande satisfação poder conhecer um pouco mais das bandas autorais brasileiras e de tanta qualidade. Gostaria de começar pela fase presente. O que vocês podem falar sobre o mais recente momento do Blackning após o lançamento de ALieNation?

FRANCISCO STANICH: Nós que agradecemos a oportunidade de contarmos um pouco sobre o trabalho da banda. Sobre o momento atual da Blackning, acabamos de terminar a primeira parte de shows pelo Brasil, divulgando nosso recente álbum ALieNation, lançado em Junho/2016. Fechamos esta primeira parte com uma apresentação em São Paulo no dia 06/10, junto com a banda Rebaelliun. E podemos dizer que a recepção do público e critica tem sido muito boa, os shows foram matadores também.

HARD AND HEAVY: Quais as maiores diferenças sentidas em comparação com o Order Of Chaos? O que mudou entre um lançamento e outro, musicalmente falando?

FS: Acho que com o ALieNation conseguimos manter a mesma proposta da banda em relação ao Order Of Chaos, mostrando a identidade da banda e como queremos que a banda siga nos próximos trabalhos. Mas com certeza, tem uma evolução muito grande de um álbum para o outro, em termos de composição, arranjo, letras e afins… Os trabalhos que fizemos no ALieNation foram feitos de forma mais tranquila, e desta vez com os três integrantes compondo, fazendo letras e arrajos juntos. No Order Of Chaos, a banda era muito nova, ela nasceu lançando o álbum e não sabíamos o que esperar, já no ALieNation, a banda já era uma “banda de verdade”, com nós três já nos conhecendo melhor musicalmente, com bagagens de shows, etc…

HARD AND HEAVY: A temática que vocês exploram para escrever as letras é bem óbvia, e com o CD novo isso fica bem latente, desde a capa, o nome, enfim, tudo gira em torno de críticas sociais. Aliás, desde o debut a coisa gira em torno disso, inclusive já é possível perceber uma identidade na parte visual dos trabalhos. Quais as motivações para explorar esse tema?

FS: Acho que as temáticas que colocamos nas letras foi algo natural para nós, nós três pensamos praticamente do mesmo jeito quando se trata de letras. Por se tratar de uma banda de Thrash Metal, com seu som direto e agressivo, foi algo que aconteceu naturalmente. Não acho que outro tipo de tema encaixaria tão bem na proposta da banda. É um meio de expor o dia a dia das pessoas e fazê-las refletirem sobre isto.

HARD AND HEAVY: A decisão de explorar isso também no segundo álbum foi algo planejado? Liricamente falando é como uma continuação do Order Of Chaos?

FS: Não sei se podemos dizer que foi uma continuidade, foi algo que não foi planejado, aconteceu naturalmente. Tinhamos o tema e o conceito do álbum definido, que seria sobre a Alienação, e todas as letras foram seguindo esta direção. Acredito que este tipo de letra faz parte da identidade da banda.

HARD AND HEAVY: E falando novamente sobre o visual, também parece algo como uma continuação. É isso mesmo de que se trata? Se sim, vocês pretendem adotar isso para os próximos trabalhos?

FS: Depois que estávamos com o conceito e as letras do álbum prontos, vimos que poderíamos explorar mais a parte visual que adquirimos no Order Of Chaos, e junto com o Marcus Zerma (Black Plague), decidimos manter o conceito de capa. Ainda não temos como falar se continuaremos a adotar este conceito para futuros trabalhos, pois não podemos seguir esta linha de forma forçada, tem que ser algo natural, que tenha a ver com a ideia que queremos mostrar, pode ser que continuemos ou não, não existe uma regra.

HARD AND HEAVY: Já fazem alguns meses do lançamento, como anda a agenda de shows do Blackning pelo país?

FS: Como disse anteriormente, acabamos de finalizar a primeira parte das apresetações pelo Brasil divulgando o ALieNation, passamos pelas regiões Norte, Nordeste e Sudeste. E logo mais continuaremos com mais uma sequência de shows, estamos tentando focar para as outras regiões também.

HARD AND HEAVY: Falem um pouco sobre esse formato de power trio, em que ele facilita, se dificulta em algum aspecto, quais as principais diferenças de trabalhar dessa forma entre um álbum e outro?

FS: O principal benefício é que as discuções ficam apenas entre nós três (risos). Na verdade, para mim foi algo que tive que me adaptar no começo, pois vinha de outra banda com um formato de quarteto, e tive que treinar muito para poder me acostumar com o formato de trio. A banda tendo apenas três integrantes, faz a responsabilidade de cada um ser maior, tanto na parte musical, como em atividades extra banda. Mas é algo que após estes primeiros anos já estamos acostumados e facilita bastante na hora de tocar em algum lugar mais distante, são menos gastos e mais praticidade. Fora a parte visual, pois uma banda de Thash Metal em formato de trio, deixa o trabalho com mais brilho. Mas diferença no trabalho de um álbum para o outro acho que não teve, pelo contrário, no AlieNation, os três conseguiram focar e mostrar um pouco de seu estilo, trabalhamos de uma forma mais tranquila também.

HARD AND HEAVY: A mídia especializada tem dado um feedback bem positivo em relação ao trabalho do Blackning, inclusive colocando a banda como um dos nomes mais promissores do Thrash Metal nacional contemporâneo. Como vocês encaram isso e o que enxergam sobre o cenário para a o Metal no país, de uma forma geral?

FS: Acredito que estamos trabalhando muito e forte com a banda, viemos de outras experiências e utilizamos isto de uma forma que agregue para a banda, ficamos muito felizes com o retorno que estamos tendo, mas estamos cientes que a banda ainda é nova e que temos muito trabalho a fazer e muito o que evoluir. Eu particularmente vejo muita coisa em relação ao cenário metal no Brasil. Muitas pessoas que reclamam, muitas pessoas que falam bem, muitas pessoas que frequentam e fazem parte da cena underground e muitas que falam mal e ficam atrás do computador. Nós como banda temos que fazer nosso trabalho de forma profissional e honesta. Ter parcerias que realmente dão valor à proposta da banda, e sempre buscar trabalhar com pessoas com profissionalismo. Pois a cena está aí. É fácil reclamarem, o difícil é botar as caras pra fazer algo pela cena.

HARD AND HEAVY: Isso que mencionei sobre o feedback já vinha sendo percebido desde o primeiro trabalho. Como vocês percebem esse retorno, tanto da mídia quanto do público agora, após o lançamento do ALieNation?

FS: Tem sido muito bom o retorno que estamos tendo em relação ao ALieNation, a banda é nova, mas já temos dois álbuns gravados e dezenas de shows pelo Brasil. A recepção tem sido muito boa, os shows estão sendo insanos, com o público participando, com os organizadores e produtores fazendo um trabalho de primeira. E a obrigação da banda é dar o melhor de si em troca. Sobre a critica, também tem sido ótima o retorno que estamos tendo, independente de criticas positivas ou negativas, elas são bem vindas para não nos acomodarmos e para a nossa evolução. Ainda bem que até o momento as criticas foram positivas (risos).

HARD AND HEAVY: O underground brasileiro é muito admirado no exterior, muitas vezes mais do que aqui mesmo. Inclusive reviews de seus trabalhos foram postadas em portais internacionais. A que pé vai à relação do Blackning com o mercado internacional?

FS: O nosso primeiro álbum, Order Of Chaos, foi lançado na Europa e o AlieNation estamos analisando algumas propostas para lançarmos lá também. Eu e o Cleber tivemos a experiência de tocar fora do Brasil inúmeras vezes e sabemos como são as coisas. Mas por a Blackning ser uma banda nova, temos que fazer o trabalho do zero, fazer parcerias, lançar os álbuns e por fim levarmos a Blackning para outros países. Já temos algumas coisas em mente, mas ainda nada concreto. Conforme as coisas forem saíndo do papel iremos divulgar.

HARD AND HEAVY: Vocês já tiveram a oportunidade no passado de excursionar com suas bandas anteriores, logo algo de experiência vocês possuem. Já rolaram shows lá fora ou isso ainda está em curso?

FS: Com a Blackning, fizemos shows apenas no Brasil. Por a banda ser nova, queríamos divulgar primeiro a banda aqui em nosso país e depois iniciarmos um trabalho de divulgação fora. Lógico que em paralelo conseguimos lançar o Order Of Chaos na Europa e também saíram muitas resenhas em sites especializados de outros países. Mas podemos adiantar que já estamos trabalhando para fazermos a primeira turnê da Blackning em terras estrangeiras.

HARD AND HEAVY: Acham que existe diferença entre os mercados europeu, norte americano e asiático especificamente para o Thrash Metal? Em algum deles a aderência ao estilo e a receptividade às bandas brasileiras deste estilo em especifico é mais forte do que nos outros?

FS: Na minha opinião o underground é o mesmo em qualquer lugar do mundo. Lógico que tem lugares onde as coisas são mais profissionais e em outros nem tanto. Eu particularmente conheço apenas o mercado europeu e sempre que toquei por lá, vi que as coisas são feitas e tratadas de forma muito profissional e com muito empenho e respeito de todos os envolvidos. Conheço muitas bandas amigas que tocaram na América do Norte e Asia e sempre falaram bem também.

HARD AND HEAVY: O Order Of Chaos foi indicado na categoria de melhor álbum de Heavy Metal para o Prêmio Dynamite 2016. Comentem sobre a importância desse tipo de reconhecimento para vocês.

FS: Este tipo de coisa mostra que somos uma banda que está trabalhando muito, ficamos muito honrados com este reconhecimento. Mas sabemos que sempre temos que buscar a evolução e o crescimento, e não podemos fazer que este tipo de reconhecimento nos acomode, pelo contrário, temos que usar isto para nos desafiármos e evoluírmos mais e mais.

HARD AND HEAVY: Daqui alguns dias vocês vão tocar no Espaço Som junto ao Rebaelliun, em ocasião do lançamento do ALieNation. Quais as expectativas para essa data?

FS: [PS.: O show ocorreu no dia 06/10]. A expectativa para o show foi muito grande, pois este foi o primeiro show na capital paulista divulgando o álbum ALieNation. Foi um evento grandioso, com a presença de muitos amigos, e foi uma grande honra tocar com nossos brothers do Rebaelliun, que também estavam divulgando seu novo álbum e tocando pela primeira vez em São Paulo desde a sua volta. Nos sentimos muito felizes com a apresentação, o retorno do público foi execelente e toda a produção envolvida foi de primeira. Mas dividir o palco o o Rebaelliun foi algo extraordinário. De ambos os lados esperamos que esta parceria continue.

HARD AND HEAVY: Gostaria que comentassem um pouco sobre a forma com que o Heavy Metal tem sido feito hoje pelas bandas jovens, o que na realidade é um grande desafio, mesmo para músicos experientes. É complicado fugir do mais do mesmo, mas inovações demais são vistas com ressalvas fortes. O que pensam sobre isso e que postura assumem?

FS: Nos dias de hoje, com toda esta tecnologia, ter uma banda, gravar uma demo ou um álbum ficou mais acessível. Qualquer grupo de amigos pode montar uma banda e gravar seu material, e isto é ótimo para manter a cena viva. Mas não é o necessário para se ter um trabalho profissional. A banda tem que ter uma identidade, levar a banda como se fosse um trabalho realmente, com muito empenho e responsabilidade. Ter uma banda não é apenas a parte musical, tem toda a parte administrativa, financeira, divulgação, performance, traçar metas de médio e grande prazo, como se fosse uma empresa, e outras coisas mais, sem deixar a parte artística e o prazer de fora.

HARD AND HEAVY: O Blackning conseguiu fazer algo muito bem equilibrado e original, com uma sonoridade de qualidade, sem deixar de lado as raízes oitentistas do Thrash, mas também não há nenhum lugar comum no som do trio. A que vocês atribuem esse resultado?

FS: A identidade que a Blackning possuí, é o que me faz ter mais prazer em fazer parte da banda, pois conseguimos fazer com que a banda não soe parecida com alguma outra banda. Infelizmente, nos dias de hoje vemos muitas cópias por aí. Acho que conseguimos isto pela diferença musical que cada integrante possuí, por mais que nós três temos o Thrash Metal como influência, viemos de escolas diferentes, cada um com seu gosto e estilo diferente. E posso afirmar que desta junção nasceu o som da Blackning.

HARD AND HEAVY: Acredito que seja um pouco recente para falar disso, mas já existem planos futuros?

FS: Vamos dar sequência na divulgação do nosso álbum ALieNation, teremos mais uma sequência de shows pelo Brasil, também temos planos para América do Sul e Europa, mas por enquanto não temos nada concreto referente a datas. E também posso falar que teremos alguns materiais para serem lançados entre 2016 e 2017.

HARD AND HEAVY: Bom, é isso. Se quiserem deixar alguma mensagem final para os leitores do HH, fiquem à vontade!

FS: Queria agradecer a oportunidade dada por vocês para falarmos um pouco sobre a Blackning. E para quem quiser conhecer melhor a banda é só acessar nosso site, www.blackning.com, lá vocês encontrarão as músicas, clipes, notícias e também a agenda da banda, além do nosso merchandising. Obrigado Hard and Heavy!

 

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