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ENTREVISTA: Alexandre Grunheidt – ANCESTTRAL

Postado 20 de outubro de 2016 às 18:53

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ENTREVISTA – ANCESTTRAL

“Fazemos músicas para nós mesmos, sem esperar absolutamente nada além de prazer pessoal. A diferença é que além de nós, mais algumas pessoas também gostam (…)  Por esse motivo, acho que sempre alcançaremos as nossas expectativas.”

Por Thamy Melo

Será que ainda falta mesmo alguma coisa realmente grande para o cenário do Metal nacional ser considerado bom? Ou isso é conversa ultrapassada, desatualizada, de quem não olhou ainda, ao redor, mais de perto? Ou talvez uma falta de mudança de postura, não por parte do público mas, das próprias bandas? Quer entender melhor do que estamos falando? Então confere aí essa descontraída entrevista que fizemos com o vocalista do Ancesttral, Alexandre Grunheidt, que além de comentar as questões acima, falou sobre alguns pontos essenciais da carreira da banda, tudo isso sob sua sólida ótica.

HARD AND HEAVY: Em primeiro lugar, é muito legal poder falar com vocês e de antemão agradeço pelo tempo em responder as nossas perguntas. Gostaria que falasse um pouco, em primeiro lugar, sobre o que rolou com o Ancesttral nos anos entre os lançamentos dos álbuns, no caso o debut The Famous Unknown (2007) e o mais novo trabalho, Web Of Lies (2016). Foi um intervalo considerável.

ALEXANDRE GRUNHEIDT: O prazer é todo nosso, Thamy! Nesses nove anos entre um disco e outro o que rolou, basicamente, foram trocas de bateristas. O Billy Houster saiu, entrou o André Moreira. O André saiu, entrou o Rafael Rosa. O Rafael saiu, entrou o meu irmão, Denis Grunheidt. Ele e o Rodrigo Oliveira (do Korzus) quebraram o galho nos shows que fizemos nesse intervalo entre a saída de um baterista e entrada do outro. Mas foi quando o Rafael saiu que o Denis resolveu SER da banda ao invés de apenas ESTAR nela.

HARD AND HEAVY: A evolução do som de vocês entre um trabalho e outro é bem evidente, e já mesmo no EP Bloodshed And Violence, de 2012, os ouvintes puderam sentir que algo de mais sólido em termos de sonoridade viria por ai, o que se intensificou após o lançamento do single, What Will You Do? (2014). Vocês consideram que essas expectativas foram alcançadas com o Web Of Lies?

ALEXANDRE GRUNHEIDT: É difícil pra mim como compositor falar sobre isso porque o que aconteceu desde a Demo Helleluiah até o Web of Lies foi um processo muito natural de maturidade do nosso som, já que estamos juntos há 10 anos. Fazemos músicas para nós mesmos, sem esperar absolutamente nada além de prazer pessoal. A diferença é que além de nós, mais algumas pessoas também gostam… AHAHAHAH! Por esse motivo, acho que sempre alcançaremos as nossas expectativas.

HARD AND HEAVY: E mesmo com o lançamento do single em 2014, foram mais uns dois anos para o full length vir ao mundo. Mudanças de formações tiveram muito a ver com isso, ou foi algum outro motivo?

ALEXANDRE GRUNHEIDT: Entre o single What Will You Do? e o lançamento do disco a formação permaneceu a mesma. O que aconteceu é que trabalhamos muito melhor com um “revolver apontado pra nossas cabeças”. Em 2014, em uma viagem de férias, marquei de levar nosso material no famoso Whiskey a Go Go em Los Angeles para marcar uma data lá. Para não levar apenas o The Famous Unknown e já que estávamos no meio das gravações do Web of Lies, gravei as pressas o vocal da What Will You Do? só para colocar mais material nosso na mala. A culpa dos quase dois anos entre o single e o disco é totalmente nossa. Gravamos o disco cada um na sua casa, sem o “taxímetro” do estúdio correndo e sempre quando “dava”, sem disciplina alguma. Foi apenas quando o Walcir Chalas nos convidou para participar do Rock na Porta que nos ocorreu que precisávamos ter um material novo na mão e não fazer apenas “mais um show”. Trabalhamos com um cronograma reverso e fizemos tudo o que estava faltando para terminar o disco para que ele estivesse disponível na data desse show. E no final, deu tudo certo!

HARD AND HEAVY: Agora ao que parece a posição de baterista foi solidamente ocupada pelo Denis, que também toca outros instrumentos. Como foi essa escolha para que ele assumisse o posto? Ele sempre tocou bateria também?

ALEXANDRE GRUNHEIDT: O Denis é um dos melhores músicos que eu conheço em qualquer instrumento. Ele é autodidata e toca guitarra 100000 vezes melhor que eu! AHAAHAHAH! Poucos se deram o trabalho de ler o encarte do The Famous Unknown, mas o solo da música Lost in Myself é dividido entre o Denis e o Brito. Desde pequeno ele se arriscava em todos os instrumentos. Já tocou bateria em um tributo ao Iron Maiden com os amigos, toca baixo no Damage Inc. (Metallica Tribute) e tocou guitarra por muito tempo em bandas de bar. Mas acho que ele resolveu “virar baterista” depois que eu e o Renato Canonico resolvemos montar um tributo ao Rob Zombie. Quando o Rafael Rosa saiu, ele o substituiu em vários shows e eu deixei para que ele decidisse se ele queria ser apenas um substituto temporário ou se ele tinha vontade de assumir a posição definitivamente. Ele pensou, fez alguns shows e, na hora de gravar o disco, ele resolveu abraçar a posição de vez.

HARD AND HEAVY: Ajuda ter alguém na banda que entende, e toca, não só o seu próprio instrumento, mas dos outros também? No caso do Ancesttral, isso muda alguma coisa na hora de compor e gravar as músicas? Como isso funciona para vocês?

ALEXANDRE GRUNHEIDT: Acho que vai ajudar mais para os próximos discos, já que o Denis entrou na banda com o Web of Lies 100% escrito. Mas ele tem o mesmo gosto que eu, crescemos juntos e já sabemos o que o outro está pensando.

HARD AND HEAVY: Acho que isso já foi bastante comentado e em quase todas as entrevistas que já li, acabam perguntando isso para vocês, mas acho interessante pontuar aqui também. Esse personagem da capa, que foi algo que começou no debut e praticamente já virou uma das marcas registradas do Ancesttral. Isso foi pensado previamente desde o começo? Se puderem, comentem um pouco sobre a abordagem dele no Web Of Lies e de que forma ele se encaixa na lírica do trabalho.

ALEXANDRE GRUNHEIDT: Quem criou este personagem foi o Gustavo Sazes, no The Famous Unknown. Nunca foi nossa intensão ter um “mascote” ou algo do tipo. Mas essa capa ficou tão falada e badalada que resolvemos adota-lo como uma espécie de marca registrada dos trabalhos da banda.

HARD AND HEAVY: E sobre o momento atual, pós-lançamento do álbum, como tem sido, vocês tem feito shows, como vai todo o processo de divulgação?

ALEXANDRE GRUNHEIDT: Fizemos o show na porta da Woodstock, o show e de lançamento e agora estamos aguardando convites! Queremos tocar mais em outros estados.

HARD AND HEAVY: Os feedbacks já estão aparecendo, tanto da mídia especializada quanto do público. Como vocês classificam esse retorno, está dentro do esperado?

ALEXANDRE GRUNHEIDT: É como eu já disse: Nós gostamos! Esperamos que o povo goste! E, pelo visto, as pessoas tem gostado do Web of Lies tanto quanto do The Famous Unknown, o que para nós já é uma vitória.

HARD AND HEAVY: Várias letras de vocês tratam sem medo de assuntos polêmicos e essenciais da nossa sociedade atual e são um verdadeiro soco no estômago. Vocês esperam causar algum impacto no sentido de mudança de postura dos ouvintes em relação a esses aspectos sociais defeituosos?

ALEXANDRE GRUNHEIDT: Hoje todo mundo tem opinião sobre tudo e a joga na cara das pessoas através das redes sociais o tempo todo. Faço as letras sob a minha ótica. Não espero ter seguidores, não estou tentando doutrinar ninguém, estou apenas me expressando a respeito de coisas que me incomodam através da minha música. Se alguém parar por um minuto pra pensar no que eu disse, que ótimo! Se quiserem apenas curtir o som, maravilha! Acho difícil uma banda no Brasil mudar a cabeça de alguém a respeito de assuntos tão delicados como os que tratamos.

HARD AND HEAVY: Outro assunto que já bem comentado é aquele sobre as influencias de vocês e o forte pé no som do Metallica. Mas não quero me ater em comparações.  Gostaria que falasse sobre o que vocês têm percebido no som das bandas dessa nova geração de metal no Brasil, inclusive o de vocês, por que não, no que se refere a influencias.  Até onde é importante destacar isso no próprio som e partir de que ponto sua identidade tem que aparecer? Como vocês trabalham isso?

ALEXANDRE GRUNHEIDT: Acho que esse lance do Metallica já ficou um pouco pra trás. A identificação é por causa da voz e nada mais. Sobre isso, não posso fazer mais nada pois minha voz é assim! AHAHAHAHAH! Sobre as outras bandas, vejo outros segmentos sendo criados, com bandas bebendo da mesma fonte, como o John Wayne, Ponto Nulo no Céu e o Project46 que pegaram as influências da nova geração de bandas americanas e adaptaram ao nosso idioma. Enquanto isso, temos as bandas de Thrash mais “raiz” e direto como o Woslom, Nervosa. Acredito que as bandas que estão fazendo algo que não é comum no Brasil somos nós, o About2Crash e o StormSons. Costumo dizer que não somos tão melódicos quanto o Angra e nem tão brutal quanto o Krisium, por isso ficamos “no meio”.

HARD AND HEAVY: Algo a comentar sobre mercado internacional? Os trabalhos de vocês já foram lançados no exterior?

ALEXANDRE GRUNHEIDT: Lançamos o Web of Lies através da CDBaby e está em todas as plataformas digitais. Se você olhar no Spotify, depois de São Paulo, as cidades em que temos mais seguidores são Estocolmo, Helsinki e Oslo. Já mandamos um CD para a Rússia na semana do lançamento.

HARD AND HEAVY: E turnês internacionais? Já fizeram? Existem planos?

ALEXANDRE GRUNHEIDT: Quem sabe o ano que vem? Esse é o plano!

HARD AND HEAVY: Gostaria que deixassem algum recado para a cena Metal brasileira. Desde organizadores, produtores até o público. Se pudessem falar algo para esse pessoal, o que seria?

ALEXANDRE GRUNHEIDT: O recado que eu dou é “Curta o que você quiser curtir, compre o que quiser comprar, vá ao show que quiser ir e ninguém tem nada com isso!”. Acho que já encheu o saco esse papinho de “Paga R$ 800,00 pra ver o Iron Maiden, mas não paga R$ 20,00 pra ver banda nacional!”. E se a banda é uma bosta? E se o lugar é horrível e não tem um banheiro limpo, a cerveja é quente e cara e o som do lugar é um nojo? Só porque é meu amigo ou porque é nacional o cara é obrigado a gostar? As bandas tem uma mania idiota de se tornarem vítimas, ao invés de olharem para si mesmas e se perguntarem se estão entregando um produto de qualidade ou tratando quem vai pagar pra vê-las com respeito antes de exigir respeito.

HARD AND HEAVY: O Metal nacional está vendo sua melhor fase? Por quê?

ALEXANDRE GRUNHEIDT: Está sim! Hoje está fácil fazer um CD com qualidade boa e a nova safra está chegando cheia de gás.

HARD AND HEAVY: Podem deixar alguma dica para as bandas emergentes?

ALEXANDRE GRUNHEIDT: Pense o seu show! O CD, o Spotify, o Youtube o fã já tem. Mas se ele sai de casa para ver a banda ele quer mais que simplesmente uma música tocada por 4 múmias no palco. Faça com que as pessoas tenham vontade de voltar para vê-los.

HARD AND HEAVY: Já existem planos futuros, ou é muito cedo para falar disso?

ALEXANDRE GRUNHEIDT: Existem sim. Mas não vou falar, pra não dar azar… AHAHHAAH! Eu vinha falando do disco novo do Ancesttral desde 2012 e olha só o que aconteceu… AHAHAHAH!

HARD AND HEAVY: Muito obrigada por responder nossas perguntas! Agora o espaço é de vocês deixarem uma mensagem aos nossos leitores.

ALEXANDRE GRUNHEIDT: Obrigado pelo espaço e pelo apoio! Tem muita banda boa no Brasil e que não devem nada para os Gringos. Como disse antes, não exijo que as pessoas façam algo contra sua vontade. Mas se abrirem um pouco a mente e o coração pra quem está batalhando aqui ao seu lado, vocês verão que estamos entregando música de qualidade, sem acabar com todo o seu salário!

 

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