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SOILWORK – CLASH CLUB – SÃO PAULO – SP – 10-09-2016

Postado 30 de setembro de 2016 às 19:28

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Por Thamy Melo / Fotos concedidas por: Flavio Santiago

Finalmente após mais de vinte anos de carreira os suecos do Soilwork estrearam na capital paulista. Detentores de um dos nomes mais destacados do Death Metal Melódico mundial e com uma boa base de fãs angariada por aqui ao longo do tempo, o grupo realizou uma estreia como manda o figurino brasileiro: Inflamada e extremamente enérgica, tanto por parte dos fãs quanto da própria banda. A expressão “calorosas boas vindas” nunca fez tanto sentido. O local escolhido foi a comentada Clash Club, que não é lá a mais querida do público e logo nessa noite tão especial, deixou a desejar em termos de som. Apesar disso, o setlist especialmente escolhido para os fãs brasileiros foi de lavar a alma e a mágica que toda estreia possui não foi seriamente afetada. Não fosse isso, teria sido perfeito.

Os paulistas do Hatematter foram escolhidos para as honras (e que honras!) da noite, uma ótima oportunidade para divulgar o mais novo álbum Foundation, segundo da carreira. Cientes de tal oportunidade o conjunto não poupou agradecimentos desde o início e transparecia uma satisfação quase surreal, principalmente por parte do vocalista Luiz Artur, sempre comunicativo e entregue ao momento. Acompanhado pelos demais integrantes, André Martins no baixo, Gustavo Polidori e André Buck nas guitarras e Lucas Emídio na bateria, executaram ótimas faixas numa rápida, porém muito agitada meia hora, que fez a pista da Clash ferver sem cerimônias. Era notável a presença de diversos fãs do grupo que não se pouparam, provocaram diversos mosh pits e aqueceram a apresentação de uma forma como se esta fosse a principal atração da noite. The Plan, Overthrowe e The Last General, do novo álbum foram apenas alguns dos petardos que fizeram qualquer um que ainda não conhecia o trabalho dos caras ficar de queixo caído diante de tanta potencia. A trinca do primeiro trabalho, Doctrines, com a faixa título, No Conscience e a derradeira Left Hand Of God, corroboraram a evolução do som do Hatematter, que parece estar atualmente em sua melhor fase. Um autointitulado Power Death Metal de muita qualidade que vale a pena ser conferido mais a fundo.

Até então o som parecia bem ok e isso fez com que as expectativas aumentassem a cada minuto que se passava entre os fãs e o mais esperado encontro da noite. A pontualidade não deixou a desejar, pois as 20h30 a intro foi solta e suficiente para a massa humana ficar a pouco de subir no palco junto com a banda, tamanha comoção instantânea e involuntária causada pela visão de seus ídolos se descortinando finalmente. Em divulgação do incrível álbum The Ride Majestic (2015), o setlist escolhido para os fãs da capital paulista foi mais um apanhado geral da carreira do que focado nesse lançamento, e bem, nada mais justo. Os suecos abriram a apresentação com a faixa título do mesmo, e como se estivessem em casa Björn “Speed” Strid (vocal), Sven Karlsson (teclado), Bastian Thusgaard (bateria), Sylvain Coudret (guitarra) e David Andersson (guitarra) lançaram na cara dos fãs sem cerimônia o petardo que engana por sua introdução de riff suave, mas que logo faz a pancadaria comer. E uma vez nesse estado de espírito, a coisa não tinha volta.

Na sequencia nas faixas Nerve e The Chainheart Machine o som da casa começou a dar sinais de que algo estava errado, e dali pra frente permaneceu assim, alto demais a ponto de embolar os sons dos instrumentos e principalmente o vocal, que apesar de ser de alto nível, foi um tanto prejudicado.  De qualquer forma o grupo prosseguiu sem perder o pique e muito menos o público deixou os ânimos caírem, correspondendo à altura quando Bjorn cumprimentou a todos calorosamente “Nos tomou vinte anos para vir para São Paulo, que piada. Nossas desculpas, mas aqui estamos e vocês também… Estão prontos para um pouco de Swedish Metal? Ok, me mostrem do que vocês são feitos” e com esse desafio anunciou a faixa The Crestfallen, do álbum Stabbing The Drama (2005). Do novo trabalho, Death In General aparece colada na anterior e vale mencionar que os vocais limpos de Speed brilham especialmente no refrão chiclete da mesma, bem como seus riffs incríveis, uma das melhores do álbum.  Uma pausa mais prolongada para alguns ajustes no palco foram suficientes para que um coro de “Happy birthday to you” fosse entoado por boa parte da pista e sem deixar de notar, o vocalista agradeceu com um “E que aniversário São Paulo!”. O frontman completava mais um ano de vida naquele mesmo dia. Na sequencia a pancada Tongue precedeu o clássico Overload, de Figure Number Five (2003), com a condição imposta por Speed de que todos  pulassem e fizessem a casa tremer. Pedido atendido.

Petrichor By Sulphur, mais uma do novo trabalho, veio injetada por uma rápida bateria seguida de quebradas contagiantes e uma melodia irresistível no refrão.  The Ride Majestic é um álbum de fato muito inspirado. Outra aclamada faixa marcou presença no set, nada menos que The Living Infinite I, uma das mais belas composições do conjunto, presente no álbum homônimo. “Vocês ainda estão aí?! Ok, nós estivemos fora por um tempo, coisa de vinte anos, e eu sei que alguns de vocês vêm nos seguindo desde então. Eu agradeço por serem tão leais.”, Bjorn anuncia uma volta de quinze anos no tempo e pergunta se todos estão prontos para o circle pit iminente que realmente veio com a pancada Bastard Chain, de A Predator’s Portrait (2001), marcada fortemente pelas linhas de bateria que refletiram a fase mais brutal e menos melódica dos suecos. Mais uma vez o coro de “Soilwork! Soilwork!” se fez ouvir na plateia e o incansável Bjorn se dirigiu aos fãs, dessa vez para massagear o ego dos paulistas ao comentar que muito ouviam falar deste público através de colegas de outras bandas suecas, e que agora estavam aqui, para descobrirem por eles mesmos. Rejection Role foi o convite para todos cantarem junto a ele, e assim fizeram os fãs, a plenos pulmões.

A ótima Whirl Of Pain e Late For The Kill, Early For The Slaughter, encerraram o set principal com a melhor atmosfera possível, e mais rápido do que todos desejavam o momento para o bis havia chegado. Alguns minutos mais tarde o sexteto voltou para mais três canções e com vontade zero de encerrar o show brevemente. Follow the Hollow, de Natural Born Chaos (2002), inflamou uma vez mais os fãs que também pareciam nunca se cansar e explodiram em moshs e circle pits para despedir devidamente a festa de boas vindas. This Momentary Bliss foi uma ótima escolha para o recheio do bis, que viu seu momento mais alto e derradeiro com a clássica Stabbing The Drama, talvez a dobradinha mais emocionante do setlist com suas letras totalmente inspiradoras.

Oitenta minutos depois, que mais pareceram cinco, estava finalizada a estreia dos queridos suecos do Soilwork em São Paulo, mesmo com os pontos negativos, uma noite para ficar na memória.

 

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