Livros e Publicações Preste Atenção! Reportagens Especiais Caricaturas Parceiros Destaque Coberturas Entrevistas Lançamentos Home
YNGWIE MALMSTEEN – CARIOCA CLUB – SÃO PAULO – SP – 27-08-2016

Postado 2 de setembro de 2016 às 15:16

Share |

Por Thamy Melo / Fotos concedidas por Henrique Oliveira (Portal do Inferno)

Esta aí um nome que dispensa apresentações. E convenhamos, quer você goste da figura de Yngwie J. Malmsteen ou não, é inegável que: O cara manda muito. Em diversos sentidos. Ainda que seu mais novo álbum, World On Fire (2016), tenha recebido criticas negativas da mídia especializada e não ostente a maestria dos tempos áureos do guitarrista, a legião de fãs atraídos ao Carioca Club naquele sábado, 27, não deixa dúvidas de que, mesmo dono de uma personalidade arredia, Malmsteen ainda sabe atear fogo, ao menos nos corações, de seus fãs.

E por falar em legião de fãs e Carioca Club, quem chegava à casa passada das 18h30 se espantaria pela enorme fila que ainda se formava às portas, o que não deixava dúvidas de um imenso atraso. A abertura da casa estava marcada para 17h, inicio de apresentação às 19h, e segundo informações, o protagonista da noite havia chegado à casa pouco antes disso. Resumo da ópera: A entrada foi liberada apenas às 19h, mas antes mesmo de qualquer animação, o acesso à pista ainda estava proibido pela equipe e dessa forma, as primeiras dezenas de pessoas que entraram foram encaminhadas para o fumódromo. Felizmente após poucos instantes de uma ligeira confusão, a pista foi liberada e todos puderam tomar seus lugares. Aparentemente não houve outros problemas.

Ainda assim, somente por volta das 20h10 da noite e com uma pista consideravelmente cheia, a banda formada por Nick Z Marino (vocal e teclado), Ralph Ciavolino (contrabaixo) e Mark Ellis (bateria) assumiu seu posto correspondente à terça parte do palco, já que o restante era ocupado pelo já conhecido paredão de Marshall, que por consequência também delimitava o espaço da estrela da noite, à frente, criando uma cabine invisível, que apesar de imaginária, era “impenetrável” pelos demais membros da banda, que respeitavam o espaço destinado ao “boss”. Chefe esse que se economizou palavras, não poupou performance, com caras e bocas, algumas reclamações, muita agitação na frente do palco, até mais perto do público que por diversas vezes chegou a tocá-lo e que com sorte pegava as diversas palhetas atiradas pelos “kicks” do guitarrista. Quase um craque da seleção de futebol.  Não tem jeito, o show do Maestro se trata mais de contemplação que interação. E ao que parece, os fãs, em grande parte também guitarristas, pareciam bem acostumados com isso.

Para os “meros mortais”, que como eu viam o show pela primeira vez ou por qualquer outro motivo não se enquadravam no grupo citado acima, a apresentação oscilou entre momentos mais envolventes, principalmente durante as faixas cantadas por um Nick multi tarefa, que se desdobrava nos teclados e ainda tinha folego para dar conta dos vocais, como na clássica Rising Force, que abriu o set e arrancou uma efusiva saudação da plateia, e com destaques para Razor Eater, Dammation Game, Seventh Sign, Dreaming, Heaven Tonight e Blackstar, que encerraram a principal parte do concerto. Momentos de contemplação geral durante passagens mais eruditas, como no medley com Far Beyond The Sun entre os covers de Bach e Paganini, e em Into Valhalla / Baroque & Roll. Pode-se perceber que mesmo em silencio e com uma ausência quase total de comoção externa, os fãs acompanhavam a virtuose de seu ídolo, entregue aos seus arpeggios sem limite, solos e toda sua sorte de magistralidade neoclássica. Nesses pontos do show era tão difícil não se impressionar ao assistir àquela quase “selvageria” com qual o guitarrista dominava o palco quanto não sentir-se um uma grande sala de aula, com o peso de seu enfado intrínseco.

Sabe se lá porque, o repertório não incluiu faixas do novo trabalho, World On Fire, que não por acaso, também intitula a turnê. E se isso não faz sentido ou soa estranho e artificial, o mesmo pode-se dizer das tentativas de interação do baixista Ralph, que apesar da boa vontade e do extremo carisma, não conseguiu quebrar muito a impressão de “sala de escritório do chefe”, somado à disposição de um público mais focado em prestar atenção no “show à parte” do Maestro. Entendido o porquê do nome “Malmsteen” se relacionar tanto à famigerada frase “Ame-o ou deixe-o”, essa reportagem se encerra com um sentimento de que não é possível dar qualquer veredito. Yngwie é de um talento e relevância inegáveis, e mesmo sua postura “azeda” inspira admiração e respeito, e sem dúvidas ainda exerce um soberbo encanto sobre seus fãs.

coberturas