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Pain – Blackmore Bar – São Paulo – 12/05/12

Postado 3 de maio de 2012 às 22:30

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Pain – Blackmore Bar – São Paulo – 12/05/12

Texto e fotos por Evandro Camellini

 

Qualquer adepto do Metal Extremo conhece e reconhece o nome Peter Tägtgren como um ícone dentro do estilo (para quem não sabe, ele é o vocalista de uma das principais bandas de Death Metal, o Hypocrisy). E exatamente por esse detalhe, é que muitos torcem o nariz para o Pain, que já deixou de ser um projeto paralelo há muito tempo.

Totalmente voltado para o Metal Industrial, com forte presença de teclados e samplers, melodia pesada e rítmica quadrada e dura, o Pain pode, para quem desconhece o estilo e seu trabalho especificamente, ser colocado como o resultado dos melhores momentos juntos de bandas como Rammstein, Ministry e Nine Inch Nails. E foram os amantes desse estilo, fãs específicos dessa banda, e alguns adoradores de Peter que formaram o público presente ao Blackmore naquela noite de sábado, para presenciar a única apresentação da banda em nosso país.

 

Após um grande atraso em relação ao horário anunciado para início do evento, sobe ao palco a banda de abertura, Ravenland. Para quem não conhece, a Ravenland faz um som totalmente voltado ao gótico, com uma forte pegada de Gothic Rock aos moldes de 69 Eyes. Porém, verdade seja dita, com menos da metade do charme e graça da referência. Com um set list reduzido devido ao atraso, a banda apresentou quatro músicas autorais e dois covers: Say Just Words, do Paradise Lost (que segundo comentário geral dos presentes, a música não foi executada, e sim assassinada, com o vocalista Dewindson Wolfheart anunciando previamente não lembrar a letra) e Rollin in the Deep, da cantora Adele (?!). Escolha no mínimo duvidosa para a proposta da banda e evento, mas que foi muito bem executada pela vocalista Juliana Rossi.

 

E então, por volta de 22h, Peter e seus bandmates descem as escadas do camarim e tomam suas posições no palco. E a apresentação visual de Peter trajando uma camisa de força já indicava o que aconteceria ali por uma hora e meia: muita loucura! A banda abriu a noite com Let me Out, e prontamente ganhou o público. Público este que durante o show de abertura estava disperso, dando a impressão que a casa contaria com poucas pessoas. Bastou o Pain surgir que este pareceu ter se multiplicado, lotando dois terços das dependências do local. Infelizmente, o som estava alto demais e mal equilibrado, o que fazia todo o instrumental soar embolado e a voz de Peter praticamente inaudível. Mas, como a proposta da banda é justamente uma musicalidade mais “suja”, até certo ponto aquilo ajudava. Pena a impressão final não ter continuado nessa toada.

A banda seguiu seu set com Dancing With the Dead, End of the Line, Dirty Woman, e eram facilmente percebidos alguns seres ensandecidos na platéia. A banda praticamente não se comunicou verbalmente com o público, Peter se dirigiu raríssimas vezes a todos. Porém, demonstrou uma teatralidade ímpar, e suas expressões faciais em muitos momentos diziam mais do que as palavras faltantes. Que Peter é um excelente frontman, acredito todos ali saberem disso. Apenas estávamos comprovando o fato. E é válido salientar também que não somente Peter soube manter o público interagindo com o show, como também toda a banda. Formada por Michael Bohlin (guitarra), Johan Husgafvel (baixo) e David Wallin (bateria), todos ali sabiam o que faziam, com seus respectivos instrumentos e com o público.

O show seguiu por todos os álbuns da banda, com músicas como Psalms of Extinction, Suicide Machine, Nailed to the Ground, It’s Only Them, The Great Pretender, I’m Going In, Monkey Business, uma sequência matadora, para quem conhece a banda. Após a última citada, a banda saiu do palco.

Dois minutos após, talvez apenas literalmente o tempo de tomar uma água ou uma cerveja, retornam mandando Supersonic Bitch. Nada havia mudado com aquela pausa, o show continuou exatamente o mesmo, e então tivemos Fear The Demon e os dois maiores momentos do show: Same Old Song, que ficou fantástica ao vivo; e a clássica Shut Your Mouth, música que tem um dos videoclips mais divertidos e irônicos já feitos. Um petardo, cantando e gritado em uníssono por todos ali presentes. E foi assim que a banda encerrou realmente sua apresentação.

O que fica desse show foi a infelicidade da mal regulagem sonora, o carisma de Peter e a extrema competência de sua banda. Nada ali serviu de argumento para os detratores que preferem criticar o som, muitas vezes sem sequer conhecer a fundo o trabalho da banda, apenas por ser algo totalmente diferente do que levou seu fundador ao reconhecimento internacional. Foi uma grande apresentação, de uma grande banda, independente de qualquer rótulo ou classificação.

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