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ENTREVISTA: DALLTON SANTOS

Postado 30 de agosto de 2016 às 05:12

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“A música instrumental por si só não tem barreira alguma, ela é uma música Universal que pode ser sentida por qualquer cultura, independente de classe social, idade, sexo, etnia, etc. Este é o grande barato dela! Aliás, já é hora do ensino da música entrar nas escolas públicas. Música educa e ajuda a formar caráter!” – Dallton Santos

Por Thamy Melo

Se você ainda não ouviu ou mesmo não conhece Dallton Santos, deve mudar isso a partir de agora, pois esse talentoso guitarrista tem feito bastante ”barulho” tanto aqui quanto no exterior, com seus trabalhos instrumentais feitos para todos os tipos de ouvintes. O atencioso músico, que está em seu terceiro álbum instrumental concedeu ao H&H uma inspiradora e recheada entrevista, e nos contou muito sobre sua carreira, trabalhos, inspirações e pensamentos. Confira!

HARD AND HEAVY: Olá Dallton, tudo bem? Muito bom poder entrevistar você! Conte-nos sobre como vão esses meses após o lançamento do The Inner Things. Como anda o trabalho de divulgação?

DALLTON SANTOS: Olá tudo ótimo! Obrigado pelo convite, muito bom estar aqui!

Estou muito feliz com o lançamento do The Inner Things e toda repercussão positiva deste disco. Sempre que fazem esta pergunta, eu me emociono ao lembrar de todas etapas deste trabalho,  desde as primeiras composições até o dia em que o disco chegou  em minhas mãos.  The Inner Things foi feito com muita dedicação e atenção a todos os detalhes para que o resultado final viesse com qualidade. Foram horas e horas entre sessões de gravação, mixagem e um comprometimento profissional incrível por parte das pessoas que trabalharam comigo neste disco. Tudo isso refletiu no resultado final, só tenho a agradecer!

O trabalho de divulgação está sendo feito em rádio, sites, shows e workshops. O disco tem tocado em rádios do Brasil, America do Norte e Europa.

Também tenho feito alguns programas ao vivo falando sobre o disco novo. Um deles rolou na 89 Radio Rock, entrevistado pelo  Andreas Kisser e The Inner Things tocando na integra.

Sites e blogs também tem colaborado muito para a divulgação com resenhas e entrevistas. Se fizer uma busca na Internet, você encontrará varias resenhas que saíram sobre The Inner Things em sites do Brasil, Itália, EUA, África do Sul, Canadá.

HARD AND HEAVY: Nosso site é voltado para o público Rock e Metal em geral, por isso, acho sempre importante começar com uma apresentação, por mais que o entrevistado seja conhecido em seu meio. Por favor, nos conte quando e como você iniciou seus caminhos na música, e quando decidiu se tornar um profissional.

DALLTON SANTOS: Resumidamente, iniciei aos 15 anos no violão tocando Beatles.  Aos 16 ganhei minha primeira guitarra e vieram aqueles primeiros riffs pelos quais todos passam. As primeiras bandas que eu virei muito fã e curtia tocar eram Iron Maiden e Metallica.

Depois veio a transição da fase metal para o Classic, marcada pelo disco Physical Graffiti do Led Zeppelin que puxou todos s outras bandas como  Ac/Dc, Black Sabbath, Yes, Hendrix, Pink Floyd, Deep Purple, Van Halen, etc. Dessa turma o Eddie Van Halen foi a minha maior inspiração.

Meu primeiro contato com música instrumental foi quando ouvi Steve Vai e Joe Satriani. Fiquei bastante impressionado com as possibilidades que a guitarra era capaz.

Foi nesta fase que eu comecei a dar os primeiros passos compondo as minhas próprias músicas. Meu sonho era gravar um CD instrumental. Tinha um gravador portátil e registrava tudo em uma fita K7. Eu não tinha conhecimento teórico, era tudo de ouvido e dentro daquilo que eu tirava de outras bandas, então obviamente, as ideias vinham bastante carregadas  de influências.  Com o tempo fui percebendo a importância de encontrar e trabalhar dentro da minha própria maneira de tocar e compor.

Profissionalmente comecei a ganhar dinheiro dando aulas. Na medida em que a procura foi aumentando eu resolvi seguir só com a música. Com o dinheiro que ganhava das aulas eu pegava aulas com grandes professores que foram fundamentais para minha formação. Logo em seguida também comecei a tocar com algumas bandas profissionais.

HARD AND HEAVY: Qual panorama você enxerga para a música instrumental no Brasil? Como você sente que ela é percebida e por qual tipo de público?

DALLTON SANTOS: Quem faz musica instrumental no Brasil faz por amor e não por dinheiro. O panorama da música instrumental aqui, do ponto de vista de apoios, vem dando sinais de melhora, mas ainda é pequeno em relação a outros estilos. Por sorte ainda temos algumas entidades que apoiam este estilo de música.

O público no geral acolhe muito bem a musica instrumental. Já percebi isso, pois toquei em auditórios, praças publicas, feiras e sempre haviam pessoas interessadas em ouvir, e aliás ouvem com muito respeito. Então é bastante gratificante tocar para um público assim. Você não vê ninguém dançando e também não ouve barulhos de talheres e copos, é um público está ali na sua frente para te prestigiar, “ouvir” e sentir a música. É bacana!

HARD AND HEAVY: Existe algum tipo de “barreira”, vamos dizer, entre a música instrumental e o público comum?

DALLTON SANTOS: Bom, todos sabemos  que no Brasil existe uma falta de apoio e popularização da musica instrumental nos veículos de comunicação em massa, como TV e radio, salvo raras exceções. Então, infelizmente esta é uma das barreiras que impedem que a música instrumental alcance um público maior. A música instrumental por si só não tem barreira alguma, ela é uma música Universal que pode ser sentida por qualquer cultura, independente de classe social, idade, sexo, etnia, etc. Este é o grande barato dela! Aliás já é hora do ensino da música entrar nas escolas públicas. Música educa e ajuda a formar caráter!

HARD AND HEAVY: Compare esse cenário brasileiro com o cenário internacional. Você também possui fãs no exterior? Qual é o nível de envolvimento?

DALLTON SANTOS: Os fãs no exterior valorizam muito a singularidade do trabalho autoral. No geral, são bem abertos ao novo, preferem CDs físicos a downloads e se mostram interessados em aprender a tocar as minhas músicas. Recebo vários e-mails de pessoas do exterior e respondo a todos com o maior prazer, assim como também faço aqui no Brasil. Gosto de ter um bom relacionamento com os fãs, conversando, escutando sugestões e críticas construtivas. Acho que é uma forma bacana de retribuir o reconhecimento deles e também receber feedbacks importantes que podem ser usados para melhorar o meu trabalho como um todo.

HARD AND HEAVY: Cada guitarrista possui sua forma de tocar, compor, seus métodos de trabalho e estudo, inspirações… Fale um pouco sobre como e o que você busca ao fazer a sua música para conseguir os resultados de extrema qualidade que apresenta hoje.

DALLTON SANTOS: Exatamente, cada guitarrista por si só tem a sua personalidade e alguns criam características bem particulares. Eu sempre procuro me manter no meu próprio estilo, acho que as pessoas reconhecem isso. O importante é buscar uma linguagem e segui-la.  Sobre composição não tenho uma regra clara. Às vezes, pinta uma ideia melódica na mente, passo para a guitarra e aos poucos vou trabalhando a estrutura harmônica em volta dela, geralmente buscando progressões novas que eu ainda não experimentei. Outras vezes, tudo começa com uma harmonia e depois eu penso na melodia. Ambos os processos foram usados nas músicas do novo disco. Não gosto de compor música instrumental no estilo “colagem de ideias aleatórias”, acho que fica frio e muitas vezes sem sentido musical. Tento sempre pensar na música que componho como sendo uma história. Ela tem um começo, e assim que dou o start, sigo colocando outras partes que combinem com o conceito inicial e aos poucos a ideia vai tomando uma forma única. A inspiração depende muito do estado de espírito. Quando se está em uma boa sintonia com o Universo, é impressionante como a música acontece! É como se ela já existe em outro plano, e o músico apenas precisa saber capta-la e transmiti-la.

HARD AND HEAVY: Pude ouvir o seu último trabalho e senti muito feeling no que ouvi, as faixas passam numa leveza que quando percebemos o disco já acabou (risos). As canções são extremamente agradáveis e sinto que qualquer hora é hora para ouvi-lo. O que você tinha em mente e quais os objetivos quando você começou a trabalhar no disco?

DALLTON SANTOS: Muito obrigado, que legal ouvir isso! Bom, hoje em dia, para que uma composição soe de um jeito que me agrade, ela deve ter o  equilíbrio da equação  técnica X melodia X harmonia . Neste último trabalho eu tinha como objetivo um conceito musicalmente complexo, mas que não ficasse chato ou enjoativo de se ouvir.

HARD AND HEAVY: Outro fator muito interessante no álbum é o espaço que os demais instrumentos receberam, como rápidos solos de bateria, um trabalho muito legal de percussão, teclados, enfim. Isso já foi pensado desde o início, e por que fazer dessa forma?

DALLTON SANTOS: Sim, isso foi pensado desde o início. Sobre teclados, e em específico a percussão, já tenho usado desde o meu primeiro trabalho, acho um tempero e tanto. O espaço dado para solos de bateria e baixo foi bem explorado no The Inner Things. Primeiro, porque que eu gosto dessa proposta, já é algo que eu curto do Jazz Fusion e sempre quis colocar em pratica dentro as minhas músicas. E segundo, eu tive ótimos músicos trabalhando comigo neste disco e sabia que um registro de solo iria agregar uma musicalidade a mais nas composições. Provavelmente eu dê continuidade a este formato nos discos futuros.

HARD AND HEAVY: Todas as composições são suas, ou também tem algo dos integrantes que participaram da gravação do disco?

DALLTON SANTOS: Sim, todas as composições são minhas. Escrevi o conceito geral dos instrumentos e passei para os músicos.  Dentro disso, cada músico foi colocando suas ideias e identidade pessoal em cima. As únicas exceções são Nikitless e Outside The System, que fugiram um pouco do padrão que eu já vinha fazendo. Estas músicas começaram primeiro com solos baterias e depois eu criei estrutura musical em cima. Foi bem interessante!

HARD AND HEAVY: Quais as principais diferenças/ abordagens, e até mesmo curiosidades, entre seus três álbuns já lançados?

DALLTON SANTOS: O primeiro disco, Art In Motion, teve um conceito experimental que eu gostei muito. Como foi o primeiro trabalho, eu estava bastante empolgado em usar tudo que a imaginação ia sugerindo (risos), além dos instrumentos base como bateria e baixo, eu coloquei vários efeitos sonoros, ruídos, algumas vozes também. Enfim, minha ideia foi pegar tudo que fosse “som” transformar em música, tendo como o carro chefe a guitarra solo. Deste disco as faixas que apresento ao vivo geralmente são By The Edge Of The Stream, Area 51 e Days Ago.

O segundo foi o Virtual Fusion. Foquei em composições com mais tempo de duração e resolvi trabalhar só com bateria, baixo, guitarra e sintetizadores partindo para uma onda Rock.  Produzir este disco foi um aprendizado enorme porque eu gravei todos os instrumentos sozinho. Algumas músicas deste álbum foram para algumas coletâneas de guitarristas aqui no Brasil e as faixas Hot Pipe e Parallel Process ganharam concursos internacionais de musica instrumental nos EUA.

O terceiro, The Inner Things continuou no formato bateria, baixo, guitarra e sintetizadores, mas acrescentando outros estilos dentro do Rock como o Funk, por exemplo, estilo que absorvi ouvindo bandas que eu curto como Funkadelic, Black Rio e outras. Este já é um álbum que podemos chamar de Rock Fusion. O processo de composição das músicas foi rápido, em menos de um mês, todas as músicas já estavam praticamente prontas. Um dos diferenciais neste disco são as harmonias. Arrisquei muita coisa diferente e bastante desafiadora para se encaixar melodias e solos. Uma das curiosidades é que grande parte dos riffs e solos foram feitos de improviso e gravados no primeiro take.

HARD AND HEAVY: Fale um pouco sobre as apresentações ao vivo. Elas são frequentes? Qual o tipo de público mais comparece?

DALLTON SANTOS: O público é diversificado, como minhas músicas tem espaço para todos os instrumentos, então vem muitos bateristas, baixista e guitarristas prestigiarem os eventos. Mas não é só publico músico, tem muita gente que não toca nenhum instrumento, mas que é apreciador da música instrumental comparecendo e também apoiando!

Neste ano, as apresentações ao vivo vêm acontecendo muito em workshops. Rolou um lançamento no EM&T juntamente com meus amigos Felipe Andreoli e Bruno Valverde. E apresentei este trabalho no Sesc, foi muito legal também, com meus amigos Marcelo Soares e Rodolfo Ferreira (ambos gravaram o disco).

HARD AND HEAVY: O que você costuma ouvir e que estilos e/ou nomes mais te influenciam na hora de criar a sua música?

DALLTON SANTOS: Eu acho que nós músicos somos uma somatória de tudo que ouvimos e isso vai refletindo em cada trabalho gravado.  Atualmente tenho escutado bastante Frank Zappa , John Coltrane e algumas coisas de metal Norueguês.

HARD AND HEAVY: Existe algum projeto paralelo à sua carreira solo? No que está envolvido atualmente?

DALLTON SANTOS: No momento não. Atualmente, paralelo a carreira solo trabalho com aulas.

HARD AND HEAVY: Fale sobre o Instituto de Guitarra Dallton Santos. Quando e porque você decidiu por essa iniciativa?

DALLTON SANTOS: Eu me decidi por esta iniciativa porque sempre gostei de ensinar. Pra você ter uma ideia, eu tinha bastante facilidade em tirar músicas de ouvido, por isso passava muitos solos e riffs para meus amigos, e no final, eu achava muito gratificante vê-los tocando aquilo que havia ensinado. No inicio as aulas eram em casa, no quarto e sem estrutura alguma. Tinham dois amplificadores de estudo e uma guitarra. Quando eu decidi ficar só na música eu aluguei um ponto, comprei guitarras, amplificadores e dei o start no Instituto. Atualmente, o Instituto de Guitarra Dallton Santos tem dois espaços, um com infraestrura para aula e o outro para gravações áudio/vídeo.  Trabalho com meu método próprio de ensino, também dou aulas via Skype e aulas de tecnologia da música, gravações, mixagem e set up.

HARD AND HEAVY: A aprendizagem de um instrumento requer muita dedicação e orientação profissional. Na sua visão de músico e professor, o que mais pesa de fato no caminho para dominar esse aprendizado?

DALLTON SANTOS: Eu acho que tem vários fatores que pesam no caminho. Como fator externo de bastante peso eu citaria o apoio. Quando não se tem um apoio, a coisa fica bem mais difícil. Já na questão pessoal, acho que uma das maiores virtudes nesta caminhada  é a  paciência. Com ela na frente, você consegue ter o foco certo, não se perde, persiste e se organiza para atingir as metas. Aos poucos este domínio vai pintando! O segredo é acreditar!

HARD AND HEAVY: Para você aptidão existe? O mesmo resultado por ser alcançado pelos que tem mais e menos dificuldade em aprender, em termos técnicos e no “feeling”?

DALLTON SANTOS: Sim, acho que aptidão existe, e acredito que todos possam aprender. A aptidão torna os processos de aprendizado e assimilação mais rápidos, facilitando os resultados tanto técnicos quanto no feeling. Ainda acho que o melhor a ser feito é procurar um bom professor. A pessoa que ingressa nesta aventura de aprender um instrumento precisa de alguém que a ajude a alcançar estes objetivos mostrando a direção correta.  Se observarmos as histórias de vida de grandes músicos, todos terão em comum uma coisa: o estudo. Todos estudaram e ainda estudam MUITO!

HARD AND HEAVY: Conte-nos sobre os planos futuros para o restante do ano, o que vem por aí?

DALLTON SANTOS: Estou trabalhando na produção do meu DVD, a ideia será colocar um resumo destes anos da minha carreira com histórias, apresentações e uma aula bônus. Tenho trabalhado também em novas músicas para um futuro disco.

HARD AND HEAVY: Dallton, o Hard And Heavy agradece por seu tempo e disposição, fique à vontade para deixar uma mensagem aos nossos leitores.

DALLTON SANTOS: Muito obrigado, foi um grande prazer! Valeu leitores pelo tempo dedicado em acompanhar a entrevista, espero que tenham gostado e que de alguma forma eu tenha conseguido passar uma mensagem positiva com relação ao trabalho autoral e que todos se sintam inspirados a acreditarem na sua própria música.

Quem quiser bater um papo me encontre no facebook https://www.facebook.com/DalltonSantos

Abraços a todos e Long Live Hard And Heavy! \,,,/

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