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ENTREVISTA: Raphael Olmos – KAMALA

Postado 15 de agosto de 2012 às 14:28

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Por Luciano Piantonni

Não é de hoje que o Kamala vem se destacando por fazer um Thrash moderno, de qualidade, com um excelente currículo que inclui os álbuns, Kamala (2007), Fractal (2009) e o mais recente, The Seven Deadly Chakras, lançado este ano. E mesmo com todos esses trunfos, parece que ainda falta algo para que eles estourem de vez. E é sobre isso e outros assuntos, que conversamos com o vocalista e guitarrista Raphael Olmos.

 

Raphael, como surgiu o conceito de The Seven Deadly Chakras? Aliás, pode ser considerado um álbum conceitual?

Raphael Olmos: Falamos que nós não chegamos no conceito, o conceito chegou até nós. Percebemos que tudo que estava em volta da banda, girava em torno do número 7. Quando começamos a compor o álbum, a banda tinha 7 anos, todos os membros tinham 7 letras no primeiro nome (na época o baixista era o produtor dos 3 álbuns, Ricardo Piccoli)…entre outras coisas. Sentimos que seria o início de uma nova fase, e começamos a pesquisar mais sobre o número 7. Foi ai que chegamos nos 7 pecados capitas e nos 7 chakras do corpo humano. Achamos a relação fantástica, pois um lado busca equilíbrio e o outro mostra o lado desequilibrado do ser humano. O Kamala sempre buscou misturar a cultura ocidental com a oriental, e isso reflete nesses 2 temas. Sem dúvida esse álbum é conceitual!

Quem é que cuida das letras e o que elas dizem?

Raphael Olmos: Na banda todo mundo tem liberdade para cuidar de tudo, basta ser um material considerado forte por todos. Claro que por eu ser vocalista, faço a maioria, mas não temos essa de apenas cada um cuida da sua parte e ponto final. Buscamos sempre fazer juntos a melhor arte que o Kamala pode fazer. As letras desse álbum tratam diretamente os temas, onde cada faixa é o nome do pecado relacionado ou chakra. Para os pecados, as letras são da visão do “pecador” e para os chakras, tratamos a pessoa buscando o equilíbrio mas alguns momentos em conflito interno, causado pelos pecados.

 

Qual a comparação que você faria entre os dois primeiros álbuns e esse novo?

Raphael Olmos: Sempre buscamos evolução, o novo álbum tem a agressividade do álbum de estreia, com as melodias do Fractal e traz novos elementos para o som do Kamala. Não faz sentido repetir um lançamento anterior, não somos da banda que busca viver em uma zona de conforto musical. Claro que os experimentos não são “gratuitos”, tudo que está lá…faz sentido para a banda e sentimos que a música pediu aqueles elementos. O novo álbum tem o Andreas cuidando dos vocais limpos, algumas músicas com afinações mais baixas, elementos eletrônicos, partes acústicas e alguns momentos mais progressivos.

Li uma vez num blog que o Kamala fazia “Hindu ThrashMetal”…  Você confirma isso? (risos)

Raphael Olmos: “Hindu Thrash Metal”, “Thrash Zen”, “Thrash Moderno”… Já escutamos algumas classificações bem interessantes. Esse lado Hindu, sem dúvida é relacionado a todos elementos orientais visuais e sonoros que gostamos de trabalhar.

 

De onde vem essa preferencia por esses temas hindus?

Raphael Olmos: Justamente pela origem oriental do nome da banda, que vem do Hinduísmo.

 

Como surgiu a ideia da capa – e de todo o encarte – de The Seven Deadly Chakras?

Raphael Olmos: Quando definimos o conceito do álbum, pensamos que a melhor maneira para representar todo o conceito seria uma pessoa sofrendo com o conflito interno dos pecados capitais em cada chakra. A capa representa esse conflito como se o corpo estivesse explodindo de tanta energia, seja positiva ou negativa em um mesmo ser humano. Chegamos através da Bruna Vieira, quando em uma das cenas do DVD da produtora pornô Xplastic, teve uma das nossas músicas como trilha sonora. A Bruna tem uma imagem muito forte e começamos a conversar através do Twitter, apresentamos o projeto e tudo mais, e ela gostou muito. Contamos com o fotógrafo Humberto de Castro, que já havia trabalhado anteriormente em outro ensaio para fotos promocionais. E para o trabalho gráfico da capa e de todo encarte, contamos novamente com o trabalho e visão do Luiz Moura (guitarrista da banda Thriven), que é o artista responsável pelas artes dos nossos dois álbuns anteriores. Como costumamos dizer, o Luiz é nosso Derek Riggs (risos).

E como foi trabalhar com a atriz pornô Bruna Vieira? Vocês Já a conheciam?

Raphael Olmos: Conhecemos depois de ver a cena em que ela atuava com a faixa Brainwash do primeiro álbum, como trilha sonora. Até que um dia ela falou no twitter que gostaria novamente de trabalhar com o Kamala. E desde o lançamento dessa cena com a parceria, mantivemos o contato e cada lado foi ajudando na divulgação. Quando definimos o conceito, a Bruna foi a primeira pessoa da nossa lista, com quem pensamos para entrar em contato. Trabalhar com ela foi muito legal, pois ela entendeu perfeitamente o projeto, foi extremamente profissional e só temos a agradecer por essa parceria. Sem dúvida o Kamala levou o nome da Bruna Vieira para quem não conhecia ainda e vice-versa. O resultado não apenas da capa, e sim de todo encarte, é absolutamente incrível como conseguimos passar tudo o que está sendo tratado nas músicas em imagem. É uma daquelas capas que você vai ver e nunca mais vai esquecer.

 

Vai rolar algum videoclipe de alguma música de The Seven Deadly Chakras? Vocês poderiam aproveitar e convidar a Bruna paraparticipar, não acha? Vai que vocês se empolgam e fazem um clipe nos moldes do Pussy do Rammstein… (risos)

Raphael Olmos: Chegou muito perto de acontecer o video clipe para a faixa Lust, que trata da luxuria, onde a Bruna seria a atriz principal. Porém o projeto tornou-se inviavél para a banda por custos e disponibilidade de agenda todos envolvidos, além da Bruna, contaria com mais 2 atrizes pornôs, com o pessoal da equipe da Xplastic e o video seria novamente produzido pelo Studio Kaiowas.  Entre fazer algo na correria e/ou não do jeito que achamos que deveríamos ser em termos de produção, optamos por não fazer.

 

O Kamala está em seu terceiro disco, todos consideram abanda como sendo excelente, só que no entanto, ainda não emplacou no sentido de ficar ‘mega conhecida’; em sua opinião, o que falta para o Kamala estourar?

Raphael Olmos: De fato ainda não somos uma banda “mega conhecida”, porém a cada trabalho lançado, sentimos que  conquistamos mais admiradores pelo nosso trabalho, dentro e fora do país. Alias, com o novo álbum, estamos sentindo que a banda começou a fazer barulho fora do Brasil. O que acho que falta, é um pouco mais de interesse do público em geral para buscar e estar “aberto” para conhecer novas bandas. Tem muita banda sensacional por ae, fazendo grandes álbuns e grandes shows, o pessoal tem que ter a cabeça mais aberta para as novas bandas e não apenas ser fã das clássicas. Mas estamos aqui, fazendo acontecer, a cada novo lançamento, sentimos que subimos alguns degraus e nunca ficamos parados. Então acho que tudo é uma sequencia de trabalho, as vezes todo mundo acha que conheceu uma banda nova, mas essa banda já tem 4/5 álbuns lançados. Tudo tem o seu momento certo, a banda vem sendo conhecida por fazer shows fortes, com muita energia e dinâmica,             antes não tínhamos essa experiência… agora sentimos que esse é o momento, esse é um novo capítulo na carreira da banda e vamos continuar trabalhando intensamente para buscar nossos objetivos como artista.

Digo isso, porque não é tão comum ver vocês participando de shows grandes, como por exemplo, na abertura dos tantos shows internacionais que acontecem por São Paulo – que ao meu ver é um  grande engano dos produtores em não contar com o Kamala… Em sua opinião, o que acontece?

Raphael Olmos: O que vou falar aqui, não é novidade… porém muitas pessoas tem medo de tocar nessa assunto, achando que vão fechar portas, sendo que você já começa com portas fechadas. Se você tiver qualidade em seu trabalho, você abre portas, confiamos em nosso potencial e buscamos estar no palco por merecimento, por mérito de ser uma banda que vai somar no cast do evento. Agora outra forma de “abrir essas portas” é participando do sistema de compra de vaga para ser banda de abertura de um evento nacional ou internacional de maior porte. O Kamala já abriu shows do Sepultura, Paul Dianno, Blaze Bayley, Glenn Hughes, Onslaught, Biohazard Torture Squad, Claustrofobia, de festivais como o Roça n´ Roll e outros festivais de renome pelo país, e nenhuma dessas oportunidades compramos a “oportunidade”, estamos lá por que os produtores sabiam da qualidade do nosso trabalho. No fundo, o público sente quando uma banda está pagando para fazer uma abertura, não entendem por que certa banda está lá e por que outras bandas que mereciam, não. Preferimos fazer nosso trabalho com ética e saber que quando estamos no palco é exclusivamente por merecimento. Qualquer produtor que quiser contar com o Kamala para de fato somar no evento, aquecer a galera e fazer uma noite especial para todos os presentes, basta entrar em contato, estamos sempre em busca dessas oportunidades!

 

Como vivemos na era moderna, onde tudo acontece com dois ou três clicks, sempre costumo perguntar para as bandas sobre os downloads. No caso do Kamala, isso ajuda ou atrapalha? Qual é a sua opinião a respeito disso?

Raphael Olmos: Sou colecionador de CD’s. Eu faço download com regularidade. Porém, curtindo um álbum, eu compro. Hoje não da para ter esse controle dos downloads, 1 dia depois do lançamento do nosso novo álbum no Itunes, já existia mais de 15 sites no mundo para download e chegou uma hora que nem conseguimos contar quantos sites tinham o álbum para baixar. O download ajuda as pessoas a conhecerem melhor o trabalho por inteiro, não apenas com os singles que viravam clipe antigamente e não da para sair comprando tudo que sai, para ver se gosta ou não. De fato, o download acabou com a magia de esperar por um álbum chegar nas lojas e tudo mais, semanas ou até meses antes, o álbum vaza. Mas como artista, você quer que o maior número de pessoas conheçam seu trabalho, então achamos que ajuda na divulgação. Agora quem comprar um álbum do Kamala, pode ter certeza que não está levando somente as músicas, pois nos preocupamos muito com toda a parte gráfica, para que some na obra e ao mesmo tempo que justifique o dinheiro do fã quando fez a compra. O novo álbum por exemplo, tem um encarte de 24 páginas, que ficou simplesmente sensacional!

Para encerrar; quais são os próximos passos do Kamala?

Raphael Olmos: Fazer shows e mais shows para divulgar o The Seven Deadly Chakras. Estamos já conversando sobre uma primeira tour fora do pais, planejando tudo para que realmente aconteça de forma legal em 2013. Fora os shows, em breve a banda vai lançar o primeiro clipe desse novo trabalho, da faixa Solar Plexus que novamente está sendo produzido pelo Studio Kaiowas e o resultado vai surpreender, vamos lançar o novo site e novos itens de merch, agora feitos pelos nossos parceiros da Lady Snake. Estamos trabalhando em outros projetos que ainda preferimos não divulgar, pois precisa evoluir bastante para ter a certeza do lançamento e já estamos compondo para o quarto álbum.

 

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