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Entrevista Timor Trail: Uma nova promessa do Stoner brasileiro

Postado 29 de abril de 2016 às 13:34

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O cenário Stoner nacional é riquíssimo em bandas de qualidade e algumas até se destacam fora do meio Metal como Grindhouse Hotel e Tropical Doom. Vindo justamente desse cenário Headbanger está o Timor Trail. Ainda com marcas do passado contando músicos que passaram por nomes como Bywar e Pastore, a banda também almeja mais que o underground metálico, mas reconhece os desafios que deve enfrentar para tal e mostra-se animada pra batalha que segue daqui por diante. Para falar de seu material de estreia, dos planos de carreira e até de suas experiências com as bandas anteriores, o guitarrista Ricardo Baptista e o vocal/guitarra Adriano Perfetto bateram um papo virtual com o HARD AND HEAVY.

HARD AND HEAVY: Adriano, obviamente por seu passado com o Bywar todos esperavam revê-lo numa banda de Thrash Metal, mas você surpreendeu a todos com uma de Stoner. Como surgiu essa paixão pelo estilo e como chegou na concepção de ter uma banda voltada a ele?

Adriano Perfetto: Bem, na verdade sempre fui um músico que aprecia coisas novas, novos gêneros e estilos. Mesmo no começo do Bywar onde nosso principal objetivo era tocar a mil por hora eu já gostava de outras vertentes e linhas do metal que não se encaixavam no nosso som. A cada fase da minha vida como compositor essas influências começaram a ficar mais em evidência, e o Stoner e o Doom Metal resultaram na sonoridade do TIMOR TRAIL, inspirada por bandas incríveis como Pentagram, Trouble, Witchfinder General, Paradise Lost, Candlemass e, é claro, Black Sabbath.

H&H: Sentiu alguma dificuldade para criar ideias para tal estilo? E quanto aos vocais, como foi para você essa adaptação?

Adriano: Na verdade a criação das músicas é algo que acontece naturalmente pra mim – eu nunca pego minha guitarra e digo “preciso criar uma música stoner”. Simplesmente as ideias chegam e penso se isso vai se encaixar na proposta da banda, e quase sempre as composições tem o resultado que eu esperava. Por fim, passo para o restante da banda, onde são criados os arranjos e detalhes finais. Já quanto aos vocais senti muito mais facilidade em cantar no TIMOR TRAIL, pois temos um andamento mais lento e nossa afinação é mais grave. Sendo assim, tive um vasto campo para criar as linhas melódicas de maneira bem mais arranjada, coisa que sempre foi objetivo para mim enquanto músico.

H&H: A banda tem temáticas variadas e psicodélicas como ficção científica, vida além da matéria, ufologia, viagens astrais, etc. Como se deu a criação das letras e as escolhas de qual música combinaria mais com temática X ou Y?

Adriano: Durante toda minha vida fui fanático por filmes de ficção cientifica e séries como “Contos da Cripta”, “Alem da imaginação” e “Amazing Stories”. Nas letras do Bywar eu já gostava de escrever sobre esses temas e no TIMOR TRAIL isso não foi diferente. Geralmente eu crio os riffs de guitarra e imagino-os como uma trilha sonora para alguma letra que eu tenha ou que ainda irei escrever, sinto a atmosfera dos arranjos e percebo a letra que nela se encaixa melhor.

H&H: Ricardo, como se deu a criação da capa e qual a ideia a ser passada ali?

Ricardo Baptista: Para este EP, entre desde o princípio tínhamos em mente utilizar uma foto para figurar a capa, ao invés de um desenho ou ilustração. Queríamos, para este trabalho, uma imagem do mundo real, uma cena que expressasse o suspense e o desconhecido. Algo que parecesse ter saído de um filme de terror. Esta foto, a da escada em meio a estruturas de metal, sob uma iluminação tênue, eu a tirei durante uma viagem que fiz no ano passado, quando visitei um profundo túnel urbano destinado à passagem de pedestres. Após as gravações, quando então começamos a discutir o conceito da capa, apresentei algumas fotos do meu arquivo pessoal e esta foto da escada pareceu se encaixar perfeitamente. Os outros elementos que compõem a capa são o nosso logotipo, criado pelo nosso amigo Rodrigo Helfenstein, e a foto da banda no verso, feita pela fotógrafa Ana Marilin.

H&H: A estreia da banda se deu com o EP autointitulado. Por que Timor Trail é apenas um EP e não um full length já que tem potencial para ser um?

Adriano: Realmente, esse lançamento poderia ter sido nosso full length. Quando encerramos as gravações de forma caseira, não sabíamos que o resultado seria tão bom. Como já estávamos querendo divulgar alguma coisa para que o público entendesse nossa proposta, não pensamos duas vezes e lançamos o modelo no formato de capa simples, como se fosse um cartão de visita para a imprensa e público em geral. Já um full length não seria assim, pois teríamos que ter um cuidado maior, incluindo encarte, mais fotos etc, e isso levaria mais tempo e muito mais dinheiro para lançar.

H&H: As músicas que compõem Timor Trail já vêm de quanto tempo antes de seu lançamento? Quais foram as maiores dificuldades para chegar no resultado final, com o CD físico pronto em mãos?

Adriano: Essas músicas do EP eu já havia composto antes mesmo de termos uma formação oficial da banda, mas é claro que depois que passaram a ser executadas nos ensaios elas passaram a serem lapidadas, e tiveram novos arranjos. Músicas como “Timor Trail” e “Sweet and Cruel” se transformaram sendo tocadas com a banda toda, com todos cooperando com detalhes para esses novos arranjos. Mas o entrosamento da banda é muito bom! Nós conseguimos entender bem o que cada um quer passar e existe um respeito em cima disso. Isso faz com que não tenhamos dificuldades em compor e tudo sai de maneira harmonizada

H&H: Adriano, o público Metal brasileiro e latino em geral tem preferência por estilos mais “pra cima” como Heavy Tradicional, Power Metal, Melódico e o Thrash, por conta disso, estilos como Doom e Stoner não são de grande preferência em nossa cena. Você já tem sentido a diferença desse perfil? E como o Timor Trail acha que pode se sobressair a esse fator?

Adriano: Eu senti uma pequena diferença, na verdade, mas nada que me deixe com a pulga atrás da orelha. A cena do Stoner e do Doom Metal é muito forte também no Brasil – temos ótimas bandas aqui, e o público em geral sente que o TIMOR TRAIL está incluído no meio do Metal também. No palco temos uma ótima energia e nosso som soa muito mais pesado que no EP, e isso com certeza é algo que vai cativar os fans de Metal de todas as vertentes quando nos virem ao vivo. Eu nunca fui de ligar para o que os outros vão pensar sobre minhas composições ou o estilo que estou seguindo; se eu me preocupasse com isso o Bywar não teria sido uma banda de Thrash, pois em 1996 o Thrash Metal não existia mais aqui no Brasil, e nós trouxemos de volta esse estilo que perdura com força até hoje. Quem sabe não é hora de mostrar ao público em geral que temos outros gêneros pra curtirmos e apreciarmos, como o Stoner e o Doom metal?

H&H: E você Ricardo, seu currículo já passou do Pastore ao Laudany, então também já deve conhecer a diferença desses perfis de público…

Ricardo: Sim, quando falamos de Doom e Stoner clássico, na linha de bandas como Candlemass e Trouble, realmente concordo que não é a preferência da maioria do público metal brasileiro. Porém, acredito que, diferentemente das vertentes mais conservadoras do Metal, onde experimentações e fuga do lugar comum nem sempre são bem aceitas pelo público, o Doom e o Stoner, por outro lado, permitem que exploremos de forma mais confortável outros estilos do Metal e do Rock Pesado dentro de nossas músicas. E isso é um fator pra que nossas composições fiquem mais atrativas e conquistem um público mais amplo. Podem inclusive cativar o público que não é metalhead. Sem nos limitarmos a fazer música que seja puramente de um estilo, as músicas tomam um potencial de atingir um público muito mais abrangente do que comparado apenas ao público que curte Doom Metal, por exemplo. Portanto é impossível dizer que a Timor Trail é somente Doom ou Stoner metal. Talvez esses estilos sejam uma linha guia para definir o som que fazemos, mas com certeza a soma de todas as nossas influências traz um certo diferencial à banda.

H&H: Sem dúvida o maior destaque do EP Timor Trail são as guitarras da banda. Como vocês coordenam a criação de arranjos para que tudo fique na medida, sem virtuosismos gratuitos?

Ricardo: Os principais critérios são o bom senso e a autocrítica. Nossos esforços na Timor Trail são direcionados para que a música soe como uma unidade, e que faça sentido, e não para a demonstração gratuita de técnica. No estilo que fazemos, dificilmente a virtuose vai ser a melhor opção para um arranjo. Geralmente algo mais simples é suficiente para passar a ideia que queremos de forma eficiente. Sem dúvida a virtuose musical é um recurso valioso, mas assim como qualquer outro recurso, deve ser usado quando a música pede. Se em algum dia, durante a composição de alguma música da Timor Trail, sentirmos que uma passagem deva ter uma pegada mais técnica (em um solo, por exemplo), isso será feito, mas de forma pontual.

H&H: Renan hoje com o Warshipper e Adriano com o Timor Trail, isso elimina qualquer possibilidade de uma reunião do Bywar? Sabem por onde andam os demais músicos da banda?

Adriano: Sim, sou grande amigo e irmão de todos eles, Renan, Helio, Enrico e até o Victor Regep – mantenho contato com eles e isso nunca vai mudar. Encerramos um período em nossas vidas quando o assunto é Bywar, mas nossa amizade e respeito ainda continuam vivos. Mas não podemos dizer que “nunca voltaremos a tocar” – se um dia isso acontecer vai ser de forma natural e sem pressão. Os caras também estão envolvidos com suas respectivas bandas e isso é muito legal. Fico feliz por todos estarem tocando e se dando bem.

H&H: Como estãos os trabalhos de novas composições e quais os planos da banda até o momento?

Adriano: Os trabalhos estão ótimos! Estamos divulgando bem em redes sociais: SoundCloud, Bandcamp, Youtube, Facebook são ótimas vias de divulgação e precisamos aproveitar isso. Quanto a novas composições, já temos um álbum quase completo. Será nosso full length e terá uma nova cara, bem mais pesado e bem metal. Esperamos lançar esse álbum no primeiro semestre de 2017, e até lá estaremos tocando ao vivo e esperamos o convite de produtores de eventos, festivais e espaços que toquem boa música.
Agradecemos também o espaço que ao Hard and Heavy disponibilizou para o TIMOR TRAIL! Muito obrigado! E para os fans deixamos nosso convite para sempre buscarem coisas novas dentro do Metal, pois é um estilo que possui muitas vertentes e ótimas bandas! Precisamos nos unir para manter essa arte o mais forte possível! Obrigado!

Ricardo: Obrigado ao Hard and Heavy por levar ao público o trabalho de bandas novas e independentes! O Metal é um estilo musical que tem o poder de ser constantemente reinventado, geração após geração! Então vamos apoiar as novas bandas, e, principalmente, manter a mente aberta, para que a cultura do Metal permaneça sempre viva! Curtam nossa página, e esperamos por vocês no próximo show da Timor Trail! Um abraço!

Conheça o som da Timor Trail:
https://www.youtube.com/watch?v=dD2x8sysYVM

Curta o perfil da banda no Facebook:
https://www.facebook.com/timortrail/?fref=ts

 

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