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Entrevista – The Black Rook

Postado 27 de abril de 2016 às 19:12

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“Minha escola é o Thrash, Heavy e Doom. Essas são as principais influências que você encontra em nosso disco. Não foi intenção alguma nossa direcionar nosso som a um público específico. Como eu disse Heavy Metal é nossa música, é disso que gostamos, que queremos tocar, gravar e mostrar por aí.” - Rubens Lessa.

A diversidade e qualidade de bandas advindas do cenário carioca nos últimos anos é realmente de surpreender. As bandas que fomentam o meio atualmente estão ganhando cada vez mais espaço e destaque a nível nacional, combinados com as diversas iniciativas e projetos para a realização de eventos voltados à cena. Em São Paulo, não são poucas as visitas que recebemos dos cariocas que parecem tomar cada vez mais espaço por aqui também. O The Black Rook foi formado em 2011 por músicos cariocas já bem experientes, com vários anos de estrada, e há pouco mais de um ano lançou seu debut, autointitulado, muito bem recebido pelo público em geral. Para falar um tanto mais sobre tudo isso, o guitarrista e co-fundador do grupo, Rubens Lessa, concedeu a seguinte entrevista para o nosso site.

Por Thamy Melo

HARD AND HEAVY: Olá, como vão? Em nome do Hard And Heavy é um grande prazer poder entrevistar vocês!
O The Black Rook foi fundado por músicos já experientes e conhecidos do meio no Rio de Janeiro, Flavio Senra e Rubens Lessa, então, para começar, gostaria que comentassem sobre como surgiu a ideia de criar uma banda nesses moldes, de duo, e qual a proposta sonora que ela trás ao cenário.

RUBENS LESSA: Valeu pela oportunidade. Bem, Flavio (Senra, vocalista) e eu já fizemos parte de outras bandas, há tempos. A idéia que moldou The Black Rook foi fazer que nos agradasse ouvir e tocar, Simples assim, sem floreios, nem nada. É Heavy Metal feito por quem admira esse estilo musical. Fazemos música de coração e com entrega total – e isso o público percebe. Quanto a sermos uma dupla no início, questões práticas à época solicitaram isso, mas agora, somos uma banda completa.

HARD AND HEAVY: Falem um pouco sobre a concepção criativa da banda, por que “The Black Rook”? O que isso representa?

RUBENS LESSA: Registramos ideias em nossos computadores pessoais e depois avaliamos o que foi feito e pré-produzimos o material. O nome da banda foi ideia do Flavio. Ele veio com a metáfora da torre representando uma personalidade ímpar e solitária em meio a um mundo guiado por estratégias. Nesse sentido, a torre negra revela-se nesse jogo. Rook (torre do xadrez) também pode ser utilizado para se referir a corvo, que é visto em algumas culturas como previsão de morte. Mas enfim, é um nome que achamos bem legal e que soa bem.

HARD AND HEAVY: O lançamento do debut já foi a algum tempo, pouco mais de um ano, correto?  Pude verificar que se deu um bom reconhecimento sobre o trabalho de vocês, inclusive no exterior. O que podem comentar sobre os resultados do trabalho nesse período?

RUBENS LESSA: O disco foi lançado virtualmente em 2014 e já o estamos vendendo em formato físico. Desde seu lançamento, tivemos excelentes resenhas em diversos sites especializados em Heavy Metal/Rock mundo afora. É sempre bom ser reconhecido – e quem disser que não é está mentindo (risos).

HARD AND HEAVY: Como disse acima, o nome de ambos os músicos já é bem conhecido, mas acredito que é sempre bom se apresentar para aqueles que ainda não os conhecem.  Falem um pouco da trajetória de vocês.

RUBENS LESSA: Já estou nessa estrada há um bom tempo, mas sempre aqui no circuito underground do Rio de Janeiro e já toquei em diversas bandas como Refugium Pecatorum, Alchemy, Melodrama, Stora!, Statik Majik e Neutralis. Em algumas inclusive como baixista e “quebrando  um galho” nos teclados. Afora da música, sou professor de língua Portuguesa e Inglesa e jornalista. Todos na banda têm seus respectivos empregos, o que nos ajuda, inclusive, a manter este grupo.

HARD AND HEAVY: E por falar em integrantes, o The Black Rook foi gravado pela dupla com a participação do produtor Celo Oliveira na bateria, e posteriormente, esse posto foi assumido pelo Luís Carlos, com Thiago Velásquez no baixo, ambos da extinta Statik Majik, que foi substituído por Fábio Guilherme. Já era a intenção agregar novos integrantes futuramente? Como e porque tomaram essas decisões?

RUBENS LESSA: Tivemos a produção artística da Kolera Estúdios, capitaneada pelo Celo Oliveira, nosso membro honorário. Celo tem uma sensibilidade de conseguir aquilo que o artista deseja em seu som e não é nem um pouco de exagero meu dizer que esse disco não sairia como saiu se não fosse pelas mãos dele. O Luis Carlos e o Thiago Velásquez auxiliaram-nos em 2014 para a gravação de um webclip por não termos uma banda propriamente dita à época. No início, não tínhamos a pretensão de formamos um grupo, contudo, com um trabalho na praça, as coisas mudam e essa necessidade acabou em 2015, quando Luis Carlos (bateria) assumiu de vez nas baterias e Fabio (Guilherme, baixo) apareceu para completar o time no baixo. São músicos experientes e que também têm uma longa história dentro do underground carioca.

HARD AND HEAVY: Algumas iniciativas estão sendo vistas no cenário Metal do Rio de Janeiro, novas empreitadas, bastante movimento, cada vez mais shows internacionais aparecendo por aí fora de época dos grandes festivais (como o Rock In Rio, por exemplo), o que por consequência cede (ou deveria) mais espaço para as bandas locais aparecerem. Inclusive a Be Magic, produtora do próprio Luís, faz parte dessas iniciativas. Qual panorama da cena carioca vocês, que são de dentro, enxergam atualmente?

RUBENS LESSA: O Heavy Metal aqui no Rio de Janeiro tem seus representantes de respeito e novas bandas surgindo: o Unfatih, do nosso produtor Celo, Vorgok, Melyra, Indiscipline, Reckoning Hour, Syren, Unearthly, Quintessente voltando à ativa, Hatefulmurder, Lacerated and Carbonized, Forkill e tantas outras. Há diversos shows gringos agora e é legal por um lado, mas a profusão de eventos acaba por dividir o publico já que haja grana para dar conta de tanta coisa (risos). A Be Magic tem se destacado deveras por prestigiar o METAL NACIONAL e dar oportunidade para que as bandas locais se façam mostrar. Isso não tem preço é é mérito do Luis Carlos e sua equipe. Muito disso depende também de promotores, mas infelizmente sabemos que o modus operandi da maioria não é esse. É um absurdo que se cobre de uma banda de abertura, mas é um absurdo ainda maior aceitar essa submissão. Enfim, há prós e contras referentes a isso tudo.

HARD AND HEAVY: Como é a relação com o público carioca, em relação a apoio às bandas locais? Dá para fazer uma comparação com o público/cenário paulista?

RUBENS LESSA: São Paulo é o nicho metal do Brasil. Em termos quantitativos não dá para comparar. Mas, em termos de empolgação, o público brasileiro é empolgado com Metal – e isso muitos músicos gringos já deixaram claro.

HARD AND HEAVY: Tive a oportunidade de ouvir o álbum e achei um trabalho de ótima qualidade. Sou fã principalmente de Metal Extremo, mas não acredito em subdivisões no Metal (ok, elas existem, mas não deveriam), e por isso mesmo, me senti muito cativada pelo som, incomum na minha rotina de audições. Talvez pela boa dose de “peso extra” contida no Heavy Metal de vocês. Essa forma de composição foi pensada intencionalmente para agradar os mais variados gostos? Ou vocês têm um tipo de público específico como alvo?

RUBENS LESSA: Eu acredito que o ouvinte sabe reconhecer o que é uma boa música, independentemente do estilo. Vivemos um mundo cíclico e, em termos musicais, vemos isso acontecer, principalmente com revivals que ocorrem vezes ou outras. Há agora novos grupos que estão sendo rotulados de New Wave of Traditional Heavy Metal, gente como Skull Fist, Cauldron, Enforcer, White Skull e algumas outras. Sabe, há clichê demais nesses caras, mas quer saber? Acho o som do caralho! Sério mesmo! Eu estou viciado em Cauldron e em Skull Fist. Esses caras arrebentam. Infelizmente, o guitarrista do Cauldron está de molho devido a um acidente de carro e a banda teve de cancelar algumas apresentações por aí. Espero melhoras de Ian (Chains, guitarrista), pois desejo vê-los por aqui. Da primeira vez, não tive como ir, mas quero muito ver o Cauldron.

HARD AND HEAVY: Interessante como vocês mantém o pé no Metal tradicional, mas muitos elementos, arranjos e composições “diferentes” foram colocados no trabalho de forma enriquecedora e original, e acredito que a palavra aqui seria versatilidade. Vocês acreditam que o ouvinte de hoje busca e dá mais atenção ao que apresenta essas características, digamos, mais “modernas”, ainda que dentro do tradicional? Isso é mais atrativo? Ou o tradicional e os grandes clássicos serão sempre os mais almejados?

RUBENS LESSA: Clássico é sempre clássico. Não vejo competição nisso. Se virmos competição, justificaremos bobeiras como rótulos. Façamos como dizia o saudoso Chuck Schuldiner (Death), tiremos a primeira palavra e deixemos só Metal.

HARD AND HEAVY: Gostaria que comentassem um pouco sobre o processo das composições, a temática do som de vocês e suas principais inspirações e influencias.

RUBENS LESSA: Minha escola é o Thrash, Heavy e Doom. Essas são as principais influências que você encontra em nosso disco. Não foi intenção alguma nossa direcionar nosso som a um público específico. Como eu disse Heavy Metal é nossa música, é disso que gostamos, que queremos tocar, gravar e mostrar por aí. Claro que focamos em caminhos específicos, refrãos marcantes, melodias cativantes, guitarra bem presente, bateria e baixo no capricho, marcando a cozinha. Os caras do Slayer viviam dizendo isso, primeiro a música tem que agradar a nós. Se nos agrada, agradará aos outros (risos). Faço minhas essas palavras.”

HARD AND HEAVY: Quais as atuais atividades do The Black Rook? Em processo de novos trabalhos? O que vocês estão fazendo?

RUBENS LESSA: Há muita idéia guardada. Contudo, estamos em um momento de divulgarmos nosso disco. Esse é o objetivo atual.

HARD AND HEAVY: Já tocaram fora do Rio? Como anda a agenda de shows?

RUBENS LESSA: Fizemos duas apresentações no final do ano passado. Quanto a tocar forado Rio, ainda não tivemos esse prazer. Estamos abertos a convites (risos).

HARD AND HEAVY: Existem planos, ou mesmo convites para shows internacionais?

RUBENS LESSA: Ainda não tivemos essa oportunidade.

HARD AND HEAVY: A atual formação é definitiva? Como vocês sentem a sintonia entre os integrantes?

RUBENS LESSA: Definitiva? Não sei, tomara que meus companheiros pensem que seja (risos).

HARD AND HEAVY: A pegada do som encontrada no CD é a mesma, agora em formato de quarteto? Essa mudança afetou ou afetará a sonoridade do grupo em algum aspecto?

RUBENS LESSA: Cada músico traz a sua bagagem, mas tudo deve girar em torno da proposta da banda. Então, creio que estejamos mantendo nossa proposta.

HARD AND HEAVY: Agradeço pelo tempo de vocês e aproveito para deixar meus votos de muito sucesso pela frente. Se há alguma mensagem que queiram deixar aos nossos leitores, este é o momento

RUBENS LESSA: Convidamos todos para ouvirem nosso trabalho e curtirem. Esperamos que gostem do nosso som tanto quanto gostamos de fazê-lo. Vemo-nos por aí.

 

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