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ENTREVISTA – INSANE DRIVER

Postado 27 de abril de 2016 às 15:43

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“O que temos a dizer aos leitores é que continuem apoiando e dando chances para as bandas que estão surgindo por aí. Muitas delas não deixam a desejar em nada para as bandas gringas e consagradas na questão musical, e a única coisa que precisam é de uma chance de serem ouvidas e até surpreender o ouvinte. É triste pensar que daqui 15 ou 20 anos, a maioria dos nossos ídolos provavelmente já vão ter passado dessa pra melhor, e precisamos renovar a cena da música pesada que tanto amamos.” – Danilo Bigal.

A citação logo acima do nosso entrevistado da vez resume bastante o quanto boa parte do público brasileiro do cenário precisa “acordar para a vida”. Chega a ser repetitivo bater tanto nessa tecla, mas mais do que nunca isso é necessário. Mais do que espaço sob os holofotes da cena, ótimas bandas brasileiras autorais que apareceram por aí nos últimos anos, tem merecido a devida atenção do público geral. E de fato, surpresa é o sentimento mais recorrente quando ouvimos a qualidade dessas bandas, dos mais variados estilos. E o estilo não importa, o que importa é a música. O que importa é o Metal, é fazer Rock. Somos um país tão rico nos mais diversos aspectos, extremamente criativos e na música pesada não é diferente. Prova disso é mais essa banda da capital paulista que tem se destacado tanto na mídia especializada, recebendo inclusive reconhecimento no exterior. Então, continue lendo e conheça o “motorista insano” mais de perto.

Por Thamy Melo

HARD AND HEAVY: Oi pessoal, tudo certo?! Em primeiro lugar é um grande prazer poder entrevistar vocês. Vamos começar com uma rápida apresentação dos integrantes e um pouco sobre a formação da banda.

DANILO BIGAL:

Marcos Bolsoni – Vocal

Danilo Bigal – guitarra e backing vocals

Deivid Martins – guitarra

Nei Sousa – Baixo e backing vocals

Wagner Neute – Bateria e teclado

HARD AND HEAVY: Expliquem sobre o nome da banda e como foi feita essa escolha.

DANILO BIGAL: O nome foi algo muito por acaso mesmo. A gente precisava decidir um nome, e queríamos um nome composto. Então começamos a despejar uma avalanche de nomes. Bem como um brainstorm mesmo. E dentre todos, achamos “Insane Driver” um nome forte que tinha bastante a ver com e pegada da banda.

HARD AND HEAVY: Ano passado vocês tocaram na Party Of Salvation, certo? Como surgiu essa oportunidade? Falem como foi poder participar do evento.

DANILO BIGAL: Vimos algo no facebook da TC7 Produções sobre bandas interessadas em mandar o material para ser avaliado e tocar nessa noite. Então, mandamos o material para o produtor, e dias depois fomos contatados com a notícia de que tínhamos sido escolhidos.

HARD AND HEAVY: Tem alguma influencia de Pain Of Salvation na música de vocês? Aliás, comentem sobre o que mais influencia o som do Insane Driver.

DANILO BIGAL: Com certeza. Somos todos amantes do metal progressivo, e o Pain Of Salvation, junto com Dream Theater são bandas referências pra nós. Mas o legal é que tentamos mesclar um pouco da influência que a gente gosta de cada estilo sem exageros, e assim fazer um som novo e diferente. Então temos influências desde o metal mais clássico até o metalcore e metal moderno. Tem alguma pitada de Hard Rock e pós grunge e metal progressivo também. A galera tem tido um pouco de dificuldade de enquadrar a gente dentro de um gênero específico, e achamos isso super positivo, pois era justamente a ideia.

HARD AND HEAVY: Uma coisa que me chamou muito a atenção no álbum foi a assertividade contida no som de vocês, a impressão que passa é que foi definido um objetivo exato e vocês acertaram em cheio. É um trabalho muito coeso e seguro. E vindo de um grupo com pouco tempo de estrada, é um fato para se admirar bastante e reconhecer. Como vocês conseguiram chegar nesse resultado?

DANILO BIGAL: É meio difícil de falar exatamente conseguimos esse resultado. Mas acho que uma parte se deve ao fato de a gente não ter tentado agradar ninguém. Fizemos um som que é a nossa essência e tínhamos o som que queríamos bem definido. Tem o dedo de todo mundo nas composições, pitadas de influências de estilos diferentes que a gente curte, e acho que acabamos acertando na mão e ficou na medida certa.

HARD AND HEAVY: A produção do Thiago Oliveira teve muito a ver com isso? Como foi trabalhar com ele e de que forma vocês o conheceram?

DANILO BIGAL: Quando escolhemos  o Thiago Oliveira, tínhamos tudo muito bem encaminhado e grande parte das músicas já estavam definidas. Mas é claro que ele ajudou a gente a reestruturar algumas coisas e deu algumas ideias  e dicas muito interessantes. Ele e o Marcos já se conheciam há um tempo, e quando o Thiago ouviu o nosso som, ele curtiu bastante e disse que gostaria de ajudar a gente na produção do disco.

HARD AND HEAVY: Porque decidiram lançar um full lenght logo de cara e não um EP, por exemplo?

DANILO BIGAL: Na realidade, quando decidimos gravar e contatamos o Thiago Oliveira, a idéia era ser justamente um EP, que conteria 5 músicas. Mas conforme fomos gravando, as outras músicas que estávamos preparando foram ganhando corpo, e quando finalizamos as 5 músicas do EP, ja tínhamos as outras 6 praticamente prontas.E aí veio o dilema: Por que não gravar o CD logo de cara? Então entramos num consenso e readaptamos o projeto.

HARD AND HEAVY: Com relação a shows, vocês participaram de alguns eventos bem interessantes do ano passado para cá. Como estão as expectativas para novas datas, já existe algo programado?

DANILO BIGAL: Apesar de a gente ter participado de alguns eventos bacanas, a nossa atenção tava voltada mesmo para a finalização do CD. Agora que o CD já está oficialmente lançado, vamos trabalhar com tudo em cima de shows pra divulgar bem esse novo trabalho.

HARD AND HEAVY: Como tem sido essas experiências de palco? Já tinham se apresentado separadamente em alguma outra ocasião antes da banda?

DANILO BIGAL: Sim. Separadamente todos já tiveram alguma experiência de palco antes, em pequenas apresentações, concursos e etc… Mas acho que nada tão sério e profissional como as coisas tem se encaminhado agora.

HARD AND HEAVY: A arte do álbum é bem interessante, e quem abre o encarte dá de cara com uma cena mais “rock n roll impossível”. Como surgiu essa concepção para o visual do primeiro trabalho? Vocês já tinham a ideia em mente de uma forma concreta, como a temática, os modelos, ou isso foi decidido pelos designers?

DANILO BIGAL: Todas as ideias e temáticas do encarte foram idéias nossas mesmo e sempre giraram em torno da temática do álbum e da música em questão. Só passamos para os designers (Alexandre Santos e Fabíola Russo), que então deram vida as nossas idéias de uma forma fantástica.

HARD AND HEAVY: No final do ano passado a revista inglesa Terrorizer incluiu uma faixa do Insane Driver em sua coletânea. É bem sabido que muitas vezes o reconhecimento no exterior é maior do que aqui, então como foi para vocês serem escolhidos para fazer parte do CD?

DANILO BIGAL: Infelizmente muitas vezes o trabalho de bandas sensacionais são reconhecidos primeiramente lá fora pra depois fazer sucesso aqui. Podemos ver isso com o sepultura e até mesmo o Angra. Acho que pra nós foi uma honra de que fomos notados de alguma forma por essa revista gigante, que com certeza poderá abrir muitas portas.

HARD AND HEAVY: E falando em exterior, acredito que vocês almejem também o mercado internacional, certo? Já existem planos para isso ou até mesmo algo de mais concreto?

DANILO BIGAL: Com certeza. Já temos algumas conversas em andamento de divulgação e até lançamento do álbum lá fora. Apesar do Brasil ter o seu público do Metal, é muito importante pra nós espalhar a nossa música pra grandes pólos consumidores da música pesada, o que com certeza ajudaria muito alavancar a carreira e o nome da Insane Driver.

HARD AND HEAVY: Desde os lançamentos dos singles, e agora do disco, como tem sido o feedback recebido pelo público e pelas mídias? Está de acordo com o que esperavam?

DANILO BIGAL: Os feedbacks estão sendo maravilhosos. Melhor até do que a gente esperava. O CD tem recebido muitos elogios da mídia especializada, e isso é um incentivo muito grande pra nós. Indica que o trabalho tem sim um potencial muito grande, e que devemos divulgar sem medo para que as pessoas conheçam cada vez mais o nosso trabalho.

HARD AND HEAVY: Vamos dar uma dissecada no Insane Driver. A cargo de quem ficam as composições, quem escreve as letras, cada um faz um pouco…? Quais processos vocês adotam para criar e desenvolver as canções?

DANILO BIGAL: Na grande maioria, nós criamos primeiro o instrumental das músicas. São idéias de todos, não tem regra. As vezes alguém da uma idéia, e aí vamos todos evoluindo ela. Com o instrumental pronto, vemos o clima que a música ficou, e então decidimos um tema que se encaixa com a pegada da música. Por fim, vem as letras, que ficaram mais concentradas no Danilo, Nei e Marcos, mas mesmo as letras sempre passam por aprovação de todos e sempre acaba tendo pitacos de todos.

HARD AND HEAVY: A faixa Change ganhou um clipe, em formato de live session, uma proposta interessante e com um ótimo resultado final. Outros clipes em diferentes formatos estão nos planos também? Previsões?

DANILO BIGAL: Sim. A gente enxerga que hoje, a coisa mais efetiva na divulgação de um material tem sido vídeos. Então a galera já pode esperar que planejamos lançar muitos vídeos ainda pela frente, de diferentes formatos.

HARD AND HEAVY: Vocês já tem planos para trabalhos futuros ou estão mais focados nesse momento na divulgação do debut?

DANILO BIGAL: No momento o foco é o Debut, que ainda tem muita lenha pra queimar. Queremos extrair o máximo do potencial desse álbum.

HARD AND HEAVY: Acredito que a percepção que as bandas mais novas têm do mercado atual é diferente da que as bandas mais antigas, que ainda estão na ativa e vieram de um mercado totalmente diferente, tem hoje. Diferenças essas que giram em torno principalmente da era digital e as facilidades da internet, por exemplo. Muitos consideram isso tanto uma benção quanto uma maldição. Como vocês enxergam esse panorama e de que forma esse meio afeta o desenvolvimento de uma banda hoje?

DANILO BIGAL: Têm os dois lados da moeda né. Por um lado, a digitalização e globalização deixou muito mais fácil de divulgar e fazer a música chegar aos ouvidos das pessoas. Mas por outro lado, essa avalanche de informações faz com que as pessoas muitas vezes não consigam absorver  e assimilar um trabalho novo. Antigamente, o fato de um disco ser lançado e não ser de fácil acesso, gerava uma ansiedade no público, que lia as resenhas e ficava imaginando como seria aquele som ou ficava grudado na rádio esperando o som tocar pra ver como soava. Hoje em dia, não vemos mais esse clima de expectativas tão altos, porque muitas vezes antes mesmo do lançamento oficial, já vaza o álbum, acabando até mesmo com o momento mágico da coisa.

HARD AND HEAVY: Agradeço muito pelo tempo que vocês cederam para a nossa entrevista e se quiserem deixar algum recado especial para os leitores do Hard And Heavy, a hora é agora.

DANILO BIGAL: Nós que agradecemos muito a oportunidade e o apoio da Hard And Heavy. O que temos a dizer aos leitores é que continuem apoiando e dando chances para as bandas que estão surgindo por aí. Muitas delas não deixam a desejar em nada para as bandas gringas e consagradas na questão musical, e a única coisa que precisam são de uma chance de serem ouvidas e até surpreender o ouvinte. É triste pensar que daqui 15 ou 20 anos, a maioria dos nossos ídolos provavelmente já vão ter passado dessa pra melhor, e precisamos renovar a cena da música pesada que tanto amamos.

 

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