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ENTREVISTA – EDUARDO JARRY (FORAHNEO)

Postado 30 de março de 2016 às 16:16

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“Em todas as entrevistas bato na mesma tecla. Precisamos de mais integração entre as cenas latino-americanas. Temos cenas do mais alto nível com interação mínima. Vamos mudar essa realidade.” - Eduardo Jarry.

As similaridades entre os cenários brasileiro e de nossos países vizinhos é realmente grande, principalmente em se tratando de Metal Extremo, uma das veias mais fortes da América Latina. Não são poucos os nomes dessa vertente que se destacam por aqui e daqui para o mundo, vide o próprio Sepultura, e bom, não é preciso comentar muito para entender. Contudo, a falta de apoio às bandas locais, no outro extremo dessa linha, também é latente em todas as cenas, uma pena, porque na contra mão vemos bandas de excelente qualidade, que merecem a mesma atenção que recebem bandas consagradas, pois o talento e a virtuose em nada ficam devendo. O público precisa enxergar que não basta curtir no momento do show (e olhe lá!). Quantos realmente procuram conhecer as bandas depois que o show acaba? É preciso aprender a valorizar o som que nossas bandas fazem. Existe muita coisa boa por aqui (na América Latina), e não tem nada melhor que judiar dos nossos pescoços com uma desgraceira extasiante, de qualidade, e SEMPRE  acessível aos nossos bolsos. Não tem desculpa. Abram os ouvidos, e porque não, o (obscuro) coraçãozinho. Falando sobre isso e um tanto mais, Eduardo Jarry, baixista do Forahneo, nos contou coisas bem legais sobre sua nova banda, sua carreira e a relação com o Brasil.

Por Thamy Melo

HARD AND HEAVY: Olá Eduardo, em nome do Hard And Heavy é um grande prazer poder te entrevistar! Em primeiro lugar parabéns pelo novo trabalho. Pude ouvir o Perfidy via stream no bandcamp.com e achei o disco sensacional.Que tal começarmos com uma rápida apresentação sua e da banda?

EDUARDO JARRY: Obrigado Thamy pelas suas palavras. Nós é que agradecemos a vocês pelo espaço e apoio desde o primeiro momento. Depois de morar muito tempo no Brasil voltei para o Chile há uns cinco anos. Cheguei com material suficiente para um disco e decidido a não deixar esses sons arquivados. Pra concretizar o projeto, convidei meu brother Victor Hugo Targino (Soturnus, Madness Factory, Cangaço), para produzir e gravar as guitarras; completando o time, na base da absoluta cara-de-pau, com verdadeiras lendas da cena local, como, Tito Melin (ex Undercroft) e Andy Nacrur (Necrosis). Assim nasceu o Forahneo.

HARD AND HEAVY: Fale também sobre o nome da banda. O que ele significa e representa?

EDUARDO JARRY: O nome significa invasor, forasteiro, intruso. Como a grande maioria, nos sentimos completamente alheios a essa sociedade, que tem como base, instituições hipócritas, corruptas e manipuladoras. Buscamos que as letras sigam a temática do nome, que sejam realistas, violentas e contestadoras. O mundo não é lindo e florido, vivemos em tempos cronicamente doentios.

HARD AND HEAVY: Você esteve em outras bandas e realizou alguns trabalhos antes do Forahneo, certo? Conte um pouco sobre eles.

EDUARDO JARRY: Na primeira metade dos anos 90, toquei no Behavior e Carcinoma em João Pessoa/PB. Gravamos umas Demos e fizemos vários shows, com meus amigos do Nephastus, Krueger, Medicine Death, Cruor… inclusive “Human Targets” foi a primeira música da primeira Demo do Behavior; George Medeiros, baterista original da banda e atual N9, regravou a música em “Perfidy”.

HARD AND HEAVY: Apesar de a banda ser relativamente nova, os integrantes, inclusive você, possuem já uma trajetória reconhecida, passando por bandas de renome no Chile. Existe uma certa expectativa ou mesmo pressão em cima do Forahneo por causa disso?

EDUARDO JARRY: Pressão não. Expectativa, com certeza. Acho que é mais curiosidade pra saber como é o som da nova banda de Tito (Melin) e Roberto (Nervi). Afinal, eles têm sua marca na história do Metal chileno. Undercroft e Execrator são duas das bandas mais importantes da cena Latino Americana.

HARD AND HEAVY: O álbum de estreia da banda começou a ser gravado no final de 2014 com previsão de lançamento para o meio de 2015, mas ele foi lançado somente meses depois, sob outro nome, que mudou de High Treason para Perfidy, inclusive com outra capa. Porque essa mudança já quase no fim do processo?

EDUARDO JARRY: A produção musical ficou pronta em maio de 2015. O problema foi com a arte original. O artista que deveria ter feito o trabalho nos deixou meses esperando e nada. Nesse ínterim, Tito (Melin) entrou na banda e o som mudou com o vocal dele; ficou mais denso e obscuro. Então, sentimos que a arte e o nome deveriam acompanhar essa mudança. Entrei em contato com Marcelo Vasco, e, ele fez um trabalho foda num prazo curtíssimo.

HARD AND HEAVY: Vocês também decidiram em poucos dias regravar todos os vocais na voz de Tito. Fale um pouco sobre essa decisão e a escolha por este vocalista.

EDUARDO JARRY: Quando decidi que seriamos uma banda de fato, conclui que um frontman seria necessário, eu não queria tocar e ser vocalista. Soube então que Tito estava com vontade de voltar a tocar e ainda sem banda, não pensamos duas vezes, entramos em contato com ele e ele aceitou o convite na hora. Além do resultado extremamente positivo nos ensaios, a chegada dele gerou um interesse enorme pela banda; dessa forma, regravar os vocais foi uma decisão lógica. Em todo caso, o disco traz duas faixas bônus com o meu vocal.

HARD AND HEAVY: Mesmo sendo um lançamento recente, o álbum já está fazendo bastante “barulho” por aí, inclusive, foi indicado para eleição dos “Melhores Álbuns da América Latina”, pelo site Headbangers Latino América. Como vocês classificam esse feedback que estão recebendo?

EDUARDO JARRY: Muito além do esperado. Com apenas dois meses de lançado o disco entrou em listas de melhores do ano na Colômbia, Chile e no Brasil. A resposta tem sido muito positiva. Somente temos que agradecer a todos que estão apoiando a banda.

HARD AND HEAVY: Entre os períodos pré e pós gravações e lançamento de Perfidy a banda mudou de formação ao menos duas vezes. A que se deveram tantas mudanças? Você acredita que isso vai impactar na sonoridade da banda de alguma forma para trabalhos futuros, ou mesmo no presente?

EDUARDO JARRY: A formação atual é absolutamente solida, Felipe (Zavala) e Roberto (Nervi), além de serem músicos excelentes, tem a vontade e dedicação que precisávamos. A chegada deles só nos afeta de forma positiva. Victor Hugo (Targino) não é somente nosso produtor, ele é nosso quinto integrante, participou como guitarrista convidado e espero que ele sempre esteja envolvido nas produções do Forahneo. Andy Nacrur e Sergio Aravena, baterista e guitarrista do Necrosis, não tiveram disponibilidade para se comprometer com a banda.

HARD AND HEAVY: O que você pode nos contar sobre o processo de composição do disco e quais as principais influencias da banda?

EDUARDO JARRY: Entre pré-produção e transformar os riffs e letras nas versões finais que estão em “Perfidy”, demoramos uns dois anos. Queríamos entrar e estúdio com o material pronto. Death, Sepultura, Slayer, Criminal, Napalm Death, estão no nosso DNA. Referências que nos ajudam a criar nosso próprio som.

HARD AND HEAVY: Atualmente existem centenas de bandas que tocam variados estilos de Metal e muitas vezes, vários estilos são mesclados e influenciam uns aos outros, fato que não é muito novo, nem estranho. Tendo isso em vista, acredito que ás vezes não é tarefa fácil determinar estilo de certa banda, o que alguns acreditam também ser um tanto limitador, outros, fundamental. Como você vê isso? O Forahneo se identifica estritamente em algum estilo específico?

EDUARDO JARRY: Vários músicos realmente não gostam de rótulos. Eu não tenho problema em dizer que Death Thrash Metal é a definição mais adequada para o nosso som. Com a riqueza e variedade desses estilos, com certeza não nos sentimos limitados. O Thrash já é a mescla do Heavy Tradicional com a crueza do Hardcore. O Death Metal tomou essas influências e agregou a brutalidade do Grindcore. É um leque enorme de possibilidades.

HARD AND HEAVY: Especificamente do Brasil, que já possui uma forte ligação com você, o que você percebe sobre a receptividade do público sobre a banda e o trabalho de estreia? Existem planos para uma turnê brasileira?

EDUARDO JARRY: A aceitação no Brasil de “Perfidy” tem sido excelente. A banda tem recebido uma ótima cobertura da mídia especializada. Meus amigos daí estão sempre comentando que leram algo sobre a banda. Se tudo correr conforme planejado, em janeiro devemos fazer uma mini tour pelo Brasil.

HARD AND HEAVY: Vocês tocarão junto aos veteranos do D.R.I. no Chile, em breve. Como a banda se sente diante dessa grande oportunidade?

EDUARDO JARRY: Infelizmente a banda mais uma vez cancelou o show daqui. Sem dúvida teria sido uma celebração do Underground. Quatro mil ingressos tinham sido vendidos. Infelizmente, acho pouco provável que eles voltem a tocar na América Latina.

HARD AND HEAVY: O que você poderia comentar sobre o público de metal extremo na America Latina? O que, na visão da banda, faz esse meio ser tão forte por aqui?

EDUARDO JARRY: O público aqui é selvagem. Acho que os shows são o momento de vomitar toda a merda do dia a dia. Talvez a realidade mais crua, torne o público mais intenso do que o norte-americano ou europeu.

HARD AND HEAVY: Você morou no Brasil durante alguns anos, certo? Nos conte como se deu essa mudança para cá e um pouco da experiência de morar por aqui.

EDUARDO JARRY: Na verdade, morei praticamente minha vida inteira em João Pessoa/PB. Minha esposa e dois dos meus três filhos são brasileiros. Minha experiência por aí inclui o colégio, universidade e muitas bandas com grandes amigos. O Brasil é minha casa.

HARD AND HEAVY: Por que decidiu voltar para o Chile?

EDUARDO JARRY: Voltei por assuntos familiares que requereram minha presença aqui. Mas, era algo que tinha em mente há algum tempo.

HARD AND HEAVY: Falando em Chile, sabemos que o Metal extremo marca uma forte presença na América Latina, principalmente no Brasil, mas existem muitos nomes “hermanos” que se destacam, bandas de ótima qualidade. O que você poderia falar sobre a cena Metal no Chile?

EDUARDO JARRY: Acho a cena chilena muito parecida com a brasileira; ótimos lançamentos, músicos excepcionais, produtores de nível internacional, estrutura profissional (estúdios, casas de shows, etc.), cada vez mais shows de bandas gringas lotados; e, a mesma falta de apoio as bandas locais. Criminal, Nuclear, Pentagram, Undercroft, Execrator, Necrosis, são minhas bandas chilenas favoritas.

HARD AND HEAVY: Já existem planos para lançamentos futuros e turnês em outros continentes?

EDUARDO JARRY: Estamos começando o processo de composição do novo álbum, a ideia é lançá-lo até abril do próximo ano. Agora em maio deve sair a versão europeia de “Perfidy”, isso está quase consumado. Quanto as turnês, como te falei, em janeiro devemos fazer uns shows pelo Brasil e para o segundo semestre de 2017, os planos são de tocar na Europa.

HARD AND HEAVY: Eduardo, muito obrigada pelo seu tempo! Se quiser deixar alguma mensagem aos nossos leitores, fique à vontade!

EDUARDO JARRY: Agradecemos demais a todos aí no Brasil que estão levantando a bandeira do Forahneo. Em todas as entrevistas bato na mesma tecla. Precisamos de mais integração entre as cenas latino-americanas. Temos cenas do mais alto nível com interação mínima. Vamos mudar essa realidade. Nos vemos logo. THE STORM IS COMING!

 

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