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CD: DESDOMINUS – Uncreation

Postado 11 de janeiro de 2016 às 01:42

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DESDOMINUS
Uncreation

Misanthropic Rec
Brutaller Records

Impaled Records
Heavy Metal Rock

Quando os paulistas do Desdominus lançaram Devastating Millenary Lies, em 2013, a banda saciou sede de fãs que já estavam orfãos de um material de estúdio há exatos dez anos. Foi uma volta brilhante e digna do passado que consagrou seu nome no underground nacional.

Eis que apenas dois anos depois a banda lançou seu novo álbum com o forte título de Uncreation e o que se escuta aqui vai muito além das expectativas, mostrando mais que um novo CD de sua discografia. O quarteto da cidade de Americana lançou um novo clássico.

Todos elementos que caracterizam o som do Desdominus estão presentes em sua combinação de Death/Black Metal, porém acrescidos de um trabalho melódico impar advindo das guitarras de Paolo Bruno e William Gonçalvez sem em qualquer momento deixar de lado o peso, os riffs ríspidos cortantes e os vocais rasgados de Paolo. As primeiras audições enganam. Dão a impressão de um disco bom, mas repetitivo. Isso logo passa quando você começa a notar os detalhes de cada faixa e se sente “mergulhado” no álbum.

“Certo e Convicto” abre o disco mostrando a clara influência sueca da banda, desta feita soando como um Dark Tranquility maquiavélico.
“Erase the God Within” mantém o toque melódico, traz um pé no Black Metal e é riquíssima em mudanças de andamentos do baterista Ney Paulino.

Aí entra a faixa-título e o que ouvimos é uma das melhores músicas da banda, com belas dobras de guitarra, Ney mostrando bem sua variedade rítmica e um refrão que merece coro do público nos shows da banda, mesmo sendo veloz e rasgado.

“Sacred Scrolls of Holy Lies”, “Cathedra”, “Waves Collide”, mais faixas que combinam sons suecos que vão do citado Dark Tranquily ao Dissection.

“Beyond the Allowed” traz algo de Paradise Lost, inclusive com um riff inicial muito parecido com o da música “Last Time” apesar do clima ser quebrado pelos vocais estridentes de Paolo.

Os momentos belos do disco ficam por conta de “Instrospection”, num clima meio Ulver e “Sublimation”, que encerra o CD.

Vale citar ainda a progressiva “Inner Elevation” com seus quase dez minutos de viagem entre melodia e brutalidade e um trabalho fantástico da cozinha de Ney e Rafael de Faria.

A verdade é que a banda ousou, expôs mais suas influências e ainda continuou sendo o Desdominus. E o resultado disso é um dos melhores discos do cenário extremo brasileiro. Lamentos por quem não ouvir e piedade por aqueles que não souberem apreciar Uncreation.

Heverton Souza

lancamentos