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ENTREVISTA: MARCELO ROSSI – REVERENDO

Postado 4 de agosto de 2012 às 02:21

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Por Luciano Piantonni

Ele já foi um dos líderes do veterano grupo Exxótica, que lançou vários CDs, DVDs, ganhou prêmios como disco de ouro (em um projeto do cartunista Marcio Baraldi) e fez shows regados a Rock e horror, sempre muito bem comentados, Brasil afora.

Quando o Exxótica encerrou suas atividades, o baixista e vocalista, Marcelo Rossi resolveu que era hora de criar sua própria banda, que levasse apenas o nome Reverendo.

Ao lado de Jean Santiago (bateria) e Fabião Bocato (guitarra), o Reverendo fez sua estreia com o álbum Palhaço Maldito Do Rock Brasileiro, que segue a mesma linha do Exxótica – eu diria um pouco mais pesado – com as já tradicionais “letras metralhadoras”, que atira em tudo e todos, de forma direta e sem dó.

Sem papas na língua e polêmico por natureza, Reverendo nos concedeu uma entrevista que vai dar o que falar…

 

Como anda a divulgação de Palhaço Maldito Do Rock Brasileiro?

Reverendo Marcelo Rossi: Paramos um pouco com os shows porque o mercado de Rock no Brasil está uma verdadeira merda, as bandas andam ruins, mas o público anda muito pior, pagando fortunas pra assistirem “bandecas” com muita propaganda e pouco “som”. E estão fazendo jus a nossa “cena”. E os produtores de shows, sempre “espertalhões”, precisam faturar muito em cima dos cabaços das bandas que querem tocar e “aparecer” a todo custo.

 

Vocês tem feito muitos shows? Como o público tem reagido a essa sua nova empreitada?

Reverendo Marcelo Rossi: Não, bem poucos shows! Apenas os que valem a pena mesmo… E por conta desta “reclusão” não tenho como sacar a opinião do público.

Como é tocar numa nova banda depois de tantos anos no Exxótica? E porque a banda acabou?

Reverendo Marcelo Rossi: (risos) É questão de se acostumar… E a banda acabou porque percebemos que era a hora certa pra isso… Coisas da vida, tudo tem começo, meio e fim.

 

Depois de tantos anos ao lado do guitarrista e vocalista Daniel Iasbeck, você decidiu trabalhar em algo solo. Como surgiu a ideia e como é tocar sem ele? Se bem que ele esteve bastante envolvido, inclusive na produção…

Reverendo Marcelo Rossi: BEM DIFERENTE! (risos)

 

Você sempre foi envolvido com produções de vídeo (e o Exxótica teve diversos…). Por que ainda não gravaram nenhum clipe desse disco de estreia do Reverendo?

Reverendo Marcelo Rossi: Porque estou há quase um ano envolvido num projeto de um grande documentário, contando a história dos 50 anos do Rock brasileiro. E faço uma coisa de cada vez…(risos)

 

Por falar em vídeos, fale sobre a série de vídeos Sutilezas De Um Elefante, onde você detonava tudo e todos, e fez um baita sucesso no Youtube.

Reverendo Marcelo Rossi: As pessoas adoram aquela série de vídeos, voltarei a fazer mais alguns, sim (risos)

 

Vi que você destilava a fúria e o sarcasmo sem dó. Aquilo é o que você realmente pensa, ou coisas do “personagem” Reverendo?

Reverendo Marcelo Rossi: Lógico! Eu e o Reverendo somos um, apenas.

 

Você não acha que o Away (que era do programa humorístico Hermes e Renato) copiou o estilo desses vídeos?

Reverendo Marcelo Rossi: Nem sei quem é este sujeito, não assisto a “empty TV” (risos)

 

Esses dias você disse que vive as letras que escreve. Como é isso?

Reverendo Marcelo Rossi: Sim, sim, tiro o meu dia a dia para a inspiração (risos)

E a revista em quadrinhos do Reverendo, quando é que sai? Você já teve histórias do Reverendo publicadas em outras revistas, certo?

Reverendo Marcelo Rossi: As historinhas do Reverendo vem sendo publicadas na revista Calafrio, de autoria do desenhista Rodolfo Zalla.

 

As letras de Palhaço Maldito do Rock Brasileiro são ácidas e atiram para todos os lados sem se importar com a opinião alheia. Como surgem as ideias das letras? Você não se importa com as pessoas que possam se ofender com alguma?

Reverendo Marcelo Rossi: É claro que não me importo com ninguém… Na verdade, quero que as pessoas se fodam mesmo, essa é a real, brother! (risos)

 

Outra coisa; você é conhecido por não ter papas na língua, e acompanhando sua página oficial no Facebook, vejo que você dispara várias criticas – quase manifestos – contra a cena atual do Rock Brasileiro. O que você acha da atual cena do Rock e Heavy Metal?

Reverendo Marcelo Rossi: Essa pergunta é bem legal e  vem a calhar… A esta cena amadora, patética, completamente sem investimentos e sem direção… Os “músicos” querem apenas se divertir, as garotas querem apenas “dar”, e os “espertalhões” do meio querem o dinheiro de todo mundo… É preciso se salvar de toda esta merda,  infelizmente. E a tal da mídia especializada escreve sempre como se tudo estivesse “bem”, tudo “maravilhoso”… Que comédia cara, que comédia! (risos)

 

Você costuma criticar bastante a produção de shows internacionais no Brasil, certo? Qual sua opinião sobre o mesmo?

Reverendo Marcelo Rossi: Na verdade, não sou contra nada, desde que feito com seriedade e profissionalismo. Hoje os shows são produzidos por fãs, isso mesmo, os próprios fãs estão trazendo as bandas “gringas”, que tocam em qualquer palco, e logo mais em breve, até  em festas de aniversário (risos). Cada centavo que é gasto com shows internacionais enfraquece a nossa cena underground, que deveria ser aonde as coisas “acontecem”, então você imagina os milhões que vão pros “gringos”… Saem da onde? me fala, me fala!

E os downloads ilegais? Vi que você critica bastante o pessoal que baixa arquivos de música.

Reverendo Marcelo Rossi: Porque criou-se uma geração inteira de iludidos e cabaços, que acham que a musica é de “graça”… Cara, pagamos e muito para fazer nossas gravações,  nossos CDs, DVDs , e chegam esses idiotas destes adolescentes punheteiros , nas redes sociais, e em nossos perfis, perguntando: “aonde eu baixo seu novo CD?”, e eu respondo assim: “levanta a saia da tua mãe e procura no rabo dela”, eles se sentem “ofendidos”… Tenho milhares de desafetos e desejo que cada um deles se fodam mesmo, e aprendam que esta vida aqui não é brincadeira… As coisas custam muito caro, não se vive duro num sistema capitalista. Essa é a real, bro!

 

Muitos podem considerar sua opinião um tanto quanto arrogante. O que você falaria para quem se manifesta contra?

Reverendo Marcelo Rossi: Não sou arogante, apenas detesto “cabacices” e acho que as pessoas deveriam ser mais sérias e menos inocentes. Deviam olhar a sua volta, perceberem que o mundo “jamais será grátis”… É lógico que os downloads  já criaram uma cena musical medonha, onde você encontra pseudo músicos que te imploram para você ouvir o trampo deles. Ora, cara, estes caras deveriam sacar que pra se fazerem serem ouvidos, precisam gerar um “bochicho”, um “boca a boca”, pois era assim que os artistas se destacavam antes de toda essa merda, bicho.

 

Existe alguma chance do Exxótica voltar a fazer shows ou gravar?

Reverendo Marcelo Rossi: Não sabemos, tudo ainda é muito recente…e o futuro ninguém sabe!

 

Quais foram os pontos mais marcantes e que você destacaria em todos esses anos de estrada no Rock?

Reverendo Marcelo Rossi: Foi maravilhoso montar a banda junto ao Daniel Iasbeck, termos tido todas as ideias e as coisas planejadas por nós mesmos, e ver que a coisa rolou, ainda que por pouco tempo, mas que deu certo e que fomos certificados com “discos de ouro”, outros prêmios e fizemos muitos shows… Tudo isso eu destacaria!

 

…e o que mais te desagradou?

Reverendo Marcelo Rossi: Perceber que o “nosso público” de Rock é muito inocente, infantil. E que não está preparado para seus próprios artistas, sabe? Não conseguem diferenciar bandas boas das bandas medíocres, e são facilmente influenciados por qualquer propaganda….É triste isso man, triste essa falta de sabedoria e vivência…

 

Marcelo, já que você investe em mídias como vídeo e quadrinhos, já pensou na ideia do Reverendo virar um personagem de filme?

Reverendo Marcelo Rossi: Ainda não pensei nisso, mas você me deu uma excelente ideia! (risos)

Se isso der certo eu quero os royalties pela ideia, hein! (risos)

Bom, já que você falou do seu projeto sobre o documentário que conta a história do Rock brasileiro, o que você pode nos adiantar?

Reverendo Marcelo Rossi: Legal essa pergunta! Será um filme bem abrangente, que começa contando algumas histórias sobre o final doa anos 50, a época em que tudo começou… (risos) Teremos 30 pessoas  depondo nesse filme, e ele será “histórico”. Quero que ele faça parte do meu legado e da minha contribuição ao Rock brasileiro… Quero resgatar a obra de pessoas que hoje se encontram esquecidas, sabe?

 

E como será o sucessor de Palhaço Maldito Do Rock Brasileiro? Existe material pronto?

Reverendo Marcelo Rossi: Bom, já tenho a capa, o nome do disco, e apenas duas músicas gravadas, que são “covers”, uma homenagem aos meus “heróis”. O CD se chamará Uma Vida De Crimes E Rock N Roll e deverá ser lançado apenas em 2013.

 

Marcelo, valeu pela entrevista. Pra encerrar, você enxerga futuro para o Rock aqui no Brasil?

Reverendo Marcelo Rossi: Claro man, o Rock brasileiro teve passado, uma época muito boa, e hoje se encontra decadente, por conta desta geração de idiotas que eu sempre friso aqui, mas com certeza, encontraremos uma saída e uma luz no fim do túnel, e eu falo sempre me incluindo nisso tudo, porque eu sempre digo: eu não sou do Metal, não sou do Thrash, não sou do Gothic, não sou do Hard Rock…. EU SOU DO ROCK BRASILEIRO!

 

Assista “Sutilezas de um Elefante” 1 e 2:

 

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