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CD: MAD DRAGZTER – MASTER OF SPACE AND TIME

Postado 14 de outubro de 2015 às 15:22

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MAD DRAGZTER

Master Of Space And Time

Army Music Records – Nacional
Melhor que a expectativa criada quando recebo um material novo para resenhar é quando esse material me surpreende desde os primeiros minutos do play. A banda paulista Mad Dragzter vem com o novo álbum Master Of Space And Time, após um hiato de quase dez anos. Dizer “voltaram com tudo” seria clichê e óbvio demais, mas, fato é que o retorno do quarteto era muito esperado, em vista dos dois trabalhos anteriores tão aclamados, e essa espera foi bem compensada pelo Thrash Metal de alto nível encontrado aqui.  Mais que uma tradicional sequencia de pancadaria, ritmo e riffs já esperados, o Mad Dragzter deposita personalidade em cada faixa, traço esse já identificado desde o primeiro trabalho, o que coloca um holofote sobre a banda dentre tantas. Pode ser que um dia, há alguns anos atrás, a fórmula “arroz com feijão” do metal fosse o bastante para alimentar os ouvidos famintos, mas em tempos modernos, apenas ingredientes surpresa satisfazem a “larica” musical do headbanger. E para isso, o presente trabalho é um prato cheio.

Sem dúvida, o Thrash Metal clássico é a espinha dorsal do álbum, que retorna com força, peso e brutalidade, sem deixar de lado a personalidade, com passagens inesperadas, em mesclas de melodias e riffs, elementos acústicos, vocalizações e até eletrônicos, tudo harmoniosamente ligado, dentro das faixas que mais se destacam. E para isso, nada de músicas enormes, com uma média de quatro a cinco minutos, cada uma consegue ser direta e “viajante”.

Almighty já abre pondo a casa a baixo, com riffs rápidos de Gabriel Spazziani (guitarra) e do também guitarrista Tiago Torres (vocal), seguidos sem demora pela cozinha brutal de Eric Claros (bateria) e Armando Benedetti (baixo), apenas para explodir no refrão mais chiclete do álbum, com ótimas linhas vocais combinadas entre vocal e backing vocal.  E ainda nos presenteia com um rápido, mas eficiente solo de guitarra.

Na sequencia, Valley Of Dry Bones, num primeiro, momento perfeita para uma roda daquelas, com Eric espancando o kit acompanhado por guitarras brutais, mas aqui o elemento surpresa fica a cargo de uma passagem com violão e um solo daqueles de qualquer um se derrete. A faixa título, Master Of Space And Time é um épico, que personifica com sucesso a arte da capa, forte candidata à trilha do apocalipse, uma chuva de riffs rápida e pesada do começo ao fim. 5708 e sua intro climatizada, com refrão que lembra bastante o estilo vocal de James Hetfield, inclusive em algumas passagens do disco, é impossível não evocar o frontman do Metallica nos vocais de Tiago. Megiddo abre com destaque para o baixo, durante toda a faixa na verdade, a virtuose de Armando em suas quatro cordas é latente, o trabalho nos bumbos também é algo a se destacar, de longe a cozinha mais brutal do tracklist. Em mais uma passagem, os violões marcam presença acompanhados por sons de destruição no meio da música.

Gehenna: The Second Death, já abre com pancadaria mantida até o final, com variações na melodia, mas sem perder a brutalidade. Arranjos criativos, harmoniosos, até mesmo leves! Combinados com o peso e velocidade do Thrash. Sem deixar o ouvinte sair da alucinação causada pela anterior, King Of Kings vem com a oscilação entre cozinha brutal do inicio e a cadencia das passagens seguintes em menos velocidade, até mais uma passagem acústica com um choroso violão. Army Of Truth, com uma pegada Rock ‘n’ Roll no começo, cai logo na melodiosa agressividade conhecida e ao final, um excelente solo de guitarra misturado a uma “marcha” na bateria. Sons Of Thunder vem vertiginosa, com mais um ótimo refrão para grudar na mente, seguida de The Man By The Pool Of Bethesda, em mais um destaque para as linhas vocais e mudanças de arranjos quase abruptas, mas sem perder o fio da meada. One Nation, One Church e From Emptiness To Infinity são duas pancadas nervosas de puro Thrash , na sequencia voltamos ao desbunde de mudanças rítimicas em Vox Spiritus Sancti e Wrath Of God, com direito a um autentico trecho de Reggae na abertura e antes que qualquer um se perguntar o que está havendo, uma tempestade de riffs e cozinha estrondosa toma lugar. Por fim e não menos virtuosa, New Heaven And New Earth finaliza o tracklist num tradicional e vibrante Thrash Metal, reservado para os que ainda tiverem pescoço.

Mais alucinante e empolgante do que essa resenha nunca descreverá com fidelidade, o Mad Dragzter leva o metal nacional a outro nível e assume com honras a tarefa de representar um estilo tão tradicional em nossas terras. A quem se interessar em adquirir basta entrar em contato com a banda, a distribuição do trabalho é gratuita.

Bem vindos de volta e continuem por aqui!

Thamy Melo

 

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